Editorial: As cicatrizes deixadas pelo rebaixamento do ABC

Com apenas 21 pontos conquistados, o Mais Querido caminha para o que deverá ser a sua pior campanha na segunda divisão
Editorial: As cicatrizes deixadas pelo rebaixamento do ABC (Foto: Rennê Carvalho/ABC F.C.)
Editorial: As cicatrizes deixadas pelo rebaixamento do ABC (Foto: Rennê Carvalho/ABC F.C.)

Findou-se o calvário Abecedista. No que caminha para ser a pior campanha de sua história no Campeonato Brasileiro Série B, o ABC conquistou até a 34ª rodada da competição pífios 21 pontos. Ao todo foram 3 vitórias, 12 empates e 19 derrotas, que não destroem 108 anos de história, mas deixam uma marca.

Em sua jornada na competição, o Clube do Povo se saiu vitorioso em apenas três oportunidades. A última delas, de tão tardia, chegou quando a esperança de alguns torcedores já brigava com a matemática.

Pudera, depois de vencer a sua segunda partida, ainda na metade do campeonato, levariam longas 15 intermináveis rodadas para o torcedor do ABC voltar a ver seu time se sair vitorioso outra vez. E que time? O elenco de Fernando Marchiori, que disputou seis jogos na competição? O de Allan Aal, que disputou 18 rodadas? Ou o que sobrou para o Argel Fuchs disputar os últimos 8 jogos e finalizar a competição?

A verdade é que agora já não faz diferença diante desse vexatório rebaixamento, já matematicamente decretado.

Justo? Justo não é. Não é com o seu torcedor. Não é com a sua história no futebol. Não é com a grandeza do clube e nem com o futebol potiguar como um todo. Mas é merecido pela campanha que fez, pela falta de planejamento e organização para se disputar uma competição do tamanho da Série B.

O ABC faz um ano para se esquecer?

Ao contrário do que muitos possam pensar essa campanha do ABC não é algo para se esquecer ou apagar. Longe de ser removida da sua história como uma mancha, deve ser guardada como uma dolorosa cicatriz.

Uma marca para ser lembrada e jamais repetida. E nisso vale citar uma ideia de George Santayana, muito difundida e pouco empregada:

“O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os selvagens, a infância é perpétua. Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

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