O custo do antivírus gratuito da Avast as empresas podem espionar seus cliques

O antivírus gratuito Avast, em teoria, é dedicado à proteção dos usuários, embora uma investigação tenha revelado que ele também é responsável por coletar informações sobre os dispositivos nos quais está instalado, para vendê-lo por meio de uma de suas empresas subsidiárias.

Embora a empresa tenha tentado justificar alegando que os dados ‘não são identificados‘ (portanto não podem estar relacionados ao nome, e-mail ou IP da pessoa), cada registro é atribuído a um identificador chamado ‘ID do dispositivo‘, que é mantido até que os produtos Avast sejam desinstalados. Isso foi revelado por uma investigação conjunta publicada nessa segunda-feira (27) pela Pcmag e Motherboard, que alertaram que, apesar das explicações da empresa, é possível vincular as informações a cada usuário.

A empresa responsável pelo marketing é a Jumpshot, que oferece acesso ao tráfego em 100 milhões de dispositivos. Esse é o nível de detalhe que seus clientes podem conhecer a cada clique que é feito.

Eles oferecem uma variedade de produtos: concentram-se nas pesquisas realizadas, incluindo senhas; o rastreamento de vídeos visualizados no YouTube, Instagram e Facebook ou a análise do comércio eletrônico. Além disso, fornece a suposta idade e sexo do usuário, inferidos a partir dos sites que ele visita.

Especialistas descartam ‘anonimização’

“Talvez os dados em si não identifiquem as pessoas”, disse Gunes Acar, pesquisador de privacidade que estuda o monitoramento on-line, embora tenha esclarecido que eles podem ser “combinados” com outras informações, com as quais você pode “alcançar a identidade real”.

Na mesma linha, o pesquisador de segurança Wladimir Palant disse que o aplicativo expõe os usuários do Avast. “É difícil imaginar que qualquer algoritmo de ‘anonimização’ seja capaz de eliminar todos os dados relevantes”, disse ele.

“Eles devem proteger os consumidores contra ameaças, em vez de expô-los a elas”, acrescentou Eric Goldman, co-diretor do Instituto de Direito de Alta Tecnologia da Universidade de Santa Clara (EUA), que afirmou que “‘não identificar’ os dados é quase impossível.”

Depois de transcender a venda de informações, a Avast, que tem mais de 435 milhões de usuários ativos por mês, disse que parou de compilar para “qualquer outro propósito que não seja o principal: o mecanismo de segurança, incluindo o compartilhamento com o Jumpshot”. Além disso, ela lembrou que existe a possibilidade de desativar a opção de ‘compartilhar dados com o Jumpshot‘ e que, ao instalar o antivírus, o programa pergunta: “Você se importa de compartilhar alguns dados conosco?”.

Assine nossa Newsletter e receba as principais notícias do Portal N10 em seu Whatsapp totalmente grátis. Clique no ícone do WhatsApp para ser incluído (não se esqueça de salvar nosso número na sua lista de contato!).

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.