RJ

Vereadora ativista dos direitos humanos é morta a tiros no RJ

A vereadora carioca Marielle Franco (Psol), uma conhecida ativista do movimento negro e crítica da violência policial no Rio de Janeiro, foi assassinada a tiros na noite desta quarta-feira (14).

Marielle, 38 anos, estava dentro de um carro no bairro de Estácio, centro da capital fluminense, quando criminosos emparelharam outro veículo e abriram fogo. O motorista do automóvel onde estava a vereadora, Anderson Pedro Gomes, também morreu. Já uma assessora de Marielle foi atingida apenas por estilhaços e sobreviveu. Ela prestou depoimento pouco depois da meia-noite.

As características do crime – uma emboscada sem roubo – apontam para a hipótese de execução, que é a principal linha de investigação da polícia. Ao menos nove cápsulas de bala foram achadas ao lado do carro da vereadora, que voltava de um encontro com jovens negras.

O deputado estadual do Psol, Marcelo Freixo, foi ao local do crime e disse que não sabia de nenhuma ameaça contra Marielle, mas ressaltou que as características de execução são “muito nítidas”.

Nascida e criada na favela da Maré, Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, com 46.502 votos. Nos últimos dias, postou mensagens nas redes sociais denunciando a violência policial no Rio.

“Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, escreveu no Facebook. Ela também chamou o 41º Batalhão da Polícia Militar de “Batalhão da Morte” por causa de denúncias de crimes no bairro de Acari.

Marielle também era crítica da intervenção militar do Governo Federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

Morte de vereadora tem repercussão mundial

Como vereadora, Marielle Franco denunciava violência contra população pobre e negra do RJ (Facebook/Reprodução)

Como vereadora, Marielle Franco denunciava violência contra população pobre e negra do RJ (Facebook/Reprodução)

O assassinato de Marielle Franco teve repercussão nos principais jornais do mundo.

O caso, mais um registrado na onda de violência no Rio, foi divulgado em publicações norte-americanas como o “The New York Times”, “The Washington Post” e a rede “ABC News”. Além disso, a televisão estatal com sede na Venezuela, Televisión del Sur, e o jornal britânico “The Guardian” noticiaram a morte da política.

A matéria original foi produzida pela agência de notícias Associated Press e distribuída aos veículos dos EUA. “Um membro do conselho da cidade e seu motorista foram mortos a tiros por dois assaltantes não identificados em uma rua no centro, no Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, onde militares foram convocados há um mês após uma onda de violência”, diz o texto.

O site da TV venezuelana noticiou que “a proeminente ativista brasileira de direitos humanos e a vereadora de esquerda Marielle Franco foi assassinada no Rio de Janeiro”. Segundo a reportagem, ela “faz parte de uma geração de jovens brasileiros negros que estão se tornando cada vez mais vocais dentro e fora de casas de estado. Franco foi eleito para a Câmara em 2016”.

Já o “The Guardian” ressalta que Marielle era ativista e especialista na análise de violência da PM. Além disso, o jornal reforça que a vereadora chegou a acusar os policiais de serem agressivos ao abordar os moradores das favelas do Rio. “Marielle Franco, vereadora e crítica da polícia, é executada a tiros no Rio”, diz o título da matéria. O “News Deeply“, de Nova York, também destacou o assassinato de Marielle com o título: “Das favelas a vereadora, lutando pelos direitos das mulheres no Rio”.

O jornal peruano “El Comercio“, por sua vez, relatou o crime e ressaltou que a vereadora era crítica da intervenção federal na Segurança Pública do estado.

Com informações da Agência ANSA*

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