Uso de máscara reduz velocidade de contágio por coronavírus

abril 24, 2020 0 Por Rafael Nicácio
Uso de máscara reduz velocidade de contágio por coronavírus

Desde que se iniciou a pandemia associada ao novo coronavírus (Covid-19), os protocolos para o uso generalizado de máscaras para toda a população mudaram. Atualmente, as máscaras têm sido recomendadas como uma ferramenta potencial para combater a pandemia do vírus, porque reduzem os riscos de contágio direto. A máscara deve ser usada sempre que você sair de casa ou no domicílio, durante cuidado com pessoas com suspeita de infecção, na falta da máscara cirúrgica.

A mudança de protocolo para o uso de máscara para a população em geral aconteceu devido às experiências em diversos países. “O uso da máscara artesanal, ou máscara de tecido, acabou tendo uma recomendação recente, como uma medida complementar para conter a pandemia de Covid-19, em razão das experiências de alguns países como Hong Kong e República Tcheca e da revisão de trabalhos feitos por ocasião de avaliações em epidemias anteriores por outros vírus respiratórios”, justifica a médica infectologista e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (NESC/UFRN), Marise Reis de Freitas.

Em países orientais, por exemplo, o uso de máscaras de forma generalizada é recorrente e apresentou evidências diferentes em relação ao uso desse equipamento. “Esses países possuem uma experiência maior no uso de máscaras, porque viveram outras epidemias de transmissão pelo ar, como é o caso da SARS (síndrome respiratória aguda grave). Pouco a pouco, foi-se constatando que onde o uso da máscara era mais universal havia menor velocidade de contágio”, explica o epidemiologista Ion Andrade, do Centro de Formação de Pessoal Doutor Manoel da Costa Souza (CEFOPE) e pesquisador do LAIS.

Os especialistas explicam que essas alterações são necessárias à medida em que se conhece melhor o comportamento da pandemia e do vírus que a causa. Isso implica na atualização de documentos normativos. “O documento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) coloca explicitamente que máscara de tecido não é recomendada. Essa recomendação continua presente para os profissionais de saúde, ou seja, no ambiente de saúde eles devem utilizar máscara cirúrgica ou as máscaras N-95, que são respiradores, que são filtros em situações especiais”, reforça Marise Freitas.

Isso significa que nos ambientes hospitalares os profissionais devem usar obrigatoriamente as máscaras profissionais, e que para a população em geral fica recomendada aquelas máscaras produzidas de forma artesanal. “Ela é uma medida complementar a todo o resto, com a higiene de mãos e o afastamento entre as pessoas. A máscara artesanal acaba tendo um papel complementar importante e o objetivo dela é reduzir a transmissão do vírus pela via respiratória. Na medida em que eu protejo a face, eu vou reduzir o acesso livre dele, esse é o motivo”, diz ainda a infectologista.

Sair de casa somente de máscara

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Imagem de Christo Anestev por Pixabay

As máscaras artesanais ou profissionais funcionam como uma barreira para evitar o contágio direto pelas vias respiratórias. Isso a transforma em uma importante ferramenta de combate ao contágio da Covid-19. Assim, a melhor forma para sair de casa quando necessário é usando a máscara. E existem recomendações para garantir maior segurança.

O tecido correto, o tempo de duração com a máscara no rosto, a higienização e manejo são vitais para que elas possam garantir a efetividade de seu uso. “Uso incorreto é sempre um problema e pode ter o efeito contrário sim. É importante ressaltar que a pessoa deve pegar na máscara pelas alças e não deve tocar nas superfícies interna ou externa, sempre lavar as mãos antes e após colocar ou retirar a máscara”, alerta Marise Reis. Diante disso, não existe medida única de proteção.

“A proteção da face, que é a porta de entrada do vírus, seguramente deve trazer algum benefício, mas é preciso usar uma máscara que minimamente consiga filtrar as partículas maiores e utilizar de forma segura para evitar a contaminação”, relata a médica e pesquisadora. A infectologista reforça ainda que as demais medidas sanitárias como o isolamento e distanciamento social e a lavagem das mãos com frequência também são imprescindíveis para reduzir os índices de contágio.

O uso da máscara não estabelece uma proteção intransponível, é preciso que as pessoas continuem tendo os demais cuidados e que se forem sair de casa estejam munidas de todos eles. “Então, o uso da máscara não torna menos necessária todas as outras medidas higiênicas, inclusive a do próprio distanciamento social entre as pessoas. Ela é uma medida complementar, importante, que reduz o contágio, mas todas as outras continuam necessárias”, reitera Ion Andrade.

Materiais, higienização e tempo de uso das máscaras artesanais

Não importa o estilo, a cores ou formato, o mais importante é a funcionalidade e a capacidade protetiva que as máscaras precisam ter. Como vimos, o uso de máscaras caseiras passa a ser um fenômeno internacional no enfrentamento da Covid-19, visando a minimizar o aumento de casos.

As pesquisas têm apontado que a sua utilização impede a disseminação de gotículas expelidas do nariz ou da boca do usuário no ambiente, garantindo uma barreira física à disseminação do vírus. Diante desse cenário, recomenda-se que a população possa produzir as suas próprias máscaras caseiras em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos que possam assegurar uma boa efetividade se forem bem desenhados e higienizados corretamente.

Segundo o Protocolo Máscaras de Tecido para a População, elaborado pelo Instituto de Medicina Tropical (IMT) do Rio Grande do Norte, existem recomendações necessárias para garantir a efetividade desse equipamento. No protocolo constam as instruções de como fazer, que tecidos devem ser utilizados, os cuidados com as máscaras e os procedimentos que devem ser cumpridos na chegada em casa.

“O importante é que ela esteja em boas condições, que ela esteja íntegra, que não esteja furada ou estragada e que ela se adapte bem ao rosto da pessoa”, reforça o infectologista Ion Andrade.

Marise Freitas reforça ainda que a cada três ou quatro horas, o equivalente a um turno de trabalho, é preciso trocar de máscara. “No entanto, a máscara deve ser trocada se apresentar umidade, porque a pessoa falou muito, espirrou ou tossiu”, reitera. Isso faz com que haja a necessidade de trocar a máscara, pelo menos três vezes ao dia, sempre que for imprescindível.

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