“Um minuto na UTI parecia duas horas”, diz mossoroense após 23 dias internados por causa do Covid-19

abril 21, 2020 0 Por Rafael Nicácio
“Um minuto na UTI parecia duas horas”, diz mossoroense após 23 dias internados por causa do Covid-19

Após 23 dias de internação, cinco em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), o professor da Rede de Ensino de Mossoró, José Jaime de Paiva Brito, faz um relato sobre sua experiência com o novo coronavírus (COVID-19). Com 60 anos e hipertenso, ele faz parte do grupo considerado de risco, e conta que além de debilitar fisicamente, a doença também provoca danos psicológicos nos pacientes.

“Eu comecei a sentir tosse, febre e dores, fui para a UPA e lá me encaminharam para o Hospital Tarcísio Maia, eu já estava com o coronavírus. Fiquei 23 dias hospitalizado, um momento muito difícil com esses sintomas. Muito tenso, achei que eu ia pirar. Um minuto na UTI pareciam duas horas, um dia parecia que tinha 80 horas”, conta.

Para José Jaime, o momento mais difícil foi ver pacientes com o mesmo problema dele, não resistirem, falecendo nos leitos ao lado do seu. “Fui o primeiro a entrar na UTI, depois entrou uma senhora de Apodi, que no outro dia veio a óbito. Eu no leito 6 e essa senhora no 7. O terceiro paciente também veio a óbito e foi desesperador para mim. Imagine a pessoa cheia de eletrodos pelo corpo, vendo outras pessoas morrendo e você sem poder fazer nada, foi muito, muito desgastante, fiquei muito aperreado, pensava que o próximo a morrer seria eu. Via as pessoas morrendo ao meu lado, a correria de profissionais para tentar reanimar os pacientes, maqueiros transportando os corpos para o necrotério, informações que não repassavam para os familiares, todos desesperados”, descreve.

José Jaime de Paiva Brito UTI mossoró coronavírus covid 19

O professor que hoje está em casa, em processo de reabilitação, sendo acompanhado por pneumologista e fisioterapeuta, diz que a doença comprometeu 40% dos seus pulmões, e atribui sua recuperação a Deus e ao trabalho de toda equipe que o acompanhou durante todo o processo.

“Uma equipe muito boa de enfermeiros e médicos. Profissionais capacitados, equipamentos de primeiro mundo. Tenho muito a agradecer a equipe médica, a todos os fisioterapeutas, enfermeiros, a equipe toda, e principalmente a Deus. Eu imaginei que não sairia dessa, mas graças a Deus estou podendo contar essa história”, enfatiza.

Antes de concluir seu relato, José Jaime fez questão de deixar um alerta para todos. “Aproveito aqui para deixar um recado para que as pessoas fiquem em casa, porque esse vírus é muito cruel, ele acaba, maltrata. Mas, Deus é misericordioso, bondoso, e devolveu minha vida”.