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Temer não renuncia por medo de ser preso, diz senador Lindbergh

Foto: Marcos Corrêa/PR

Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o presidente Michel Temer só não renunciou ainda ao mandato porque tem medo de ser preso. O senador avalia que é muito grave a parte da gravação da conversa de Temer com Joesley Batista que indica o apoio do presidente ao pagamento de uma mesada para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O senador também enfatizou o trecho da gravação em que o presidente da República é informado que dois juízes e um procurador da República estariam envolvidos em um esquema de corrupção. Lindbergh considerou “um absurdo” que Michel Temer não tenha tomado providências após a conversa.

O senador também alertou para o silêncio da imprensa quanto à participação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, nesse caso. Meirelles ocupou cargos na companhia dos irmãos Batista entre 2012 e 2016, acrescentou o senador. “Mas o Meirelles fica fora e nenhum jornal dá nada porque é o ministro da Fazenda e eles querem blindar essa política econômica”, afirmou.

Eleição indireta

Para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), Michel Temer não reúne as condições de credibilidade para continuar na Presidência da República. O parlamentar acrescentou que a crise política requer “gestos de grandeza” de todas as pessoas de poder e que Temer precisa avaliar se é conveniente sua permanência no Palácio do Planalto.

Para uma eventual saída antecipada de Michel Temer, Cristovam sugere que, nesse caso, os presidentes da Câmara e do Senado não assumam a Presidência interina e, em caso de eleição indireta, nenhum parlamentar concorra.

O senador observou que embora a eleição direta para presidente seja correta historicamente, sua antecipação exigirá um “arranhão” na Constituição e deixará o país por muito tempo sem presidente. “Se [a eleição] tiver que ser direta, não pode ser para tampar o mandato, mas para começar mandato de quatro anos. E aí não deveria ser só para presidente: deveria ser para todos os cargos. Todos nós colocaríamos nossos cargos como concluindo agora”, defendeu o senador.

Já a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) defende novas eleições diretas para Presidência da República. Para ela, não defender novas eleições diretas é, mais uma vez, assistir a um “golpe dentro do golpe”.

A senadora ainda declarou que o país está sob comando de políticos que querem aprovar reformas contrárias aos direitos dos trabalhadores do país. Fátima acredita que a antecipação de eleições diretas para a Presidência, por meio de emenda constitucional, é o único instrumento para o resgate da soberania popular. “Quem é que tem medo das diretas? Por que, de repente, estes conchavos, essa conspiração em curso para evitar a todo custo que o povo possa ser ouvido, que o povo possa ser consultado?”, indagou a senadora.

Barrar avanços do país

Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, disse achar curioso que “algumas pessoas” no Congresso e na vida pública queiram usar uma investigação que está se iniciando para barrar os avanços que o Brasil está colhendo.

O senador apontou que, neste momento, há crescimento do emprego e queda na inflação. Além disso, defendeu a continuidade da votação das reformas da Previdência e trabalhista em análise no Congresso Nacional. Para ele, essas mudanças na legislação são essenciais para o país e vão melhorar a vida dos brasileiros.

Para Romero Jucá, alguns dos que defendem a antecipação das eleições presidenciais assim o fazem com medo da melhora na economia, o que, em sua avaliação, faria com que a população optasse por um governante capaz de manter a economia em alta. O senador também assegurou que o presidente Michel Temer não vai renunciar ao mandato.

“O presidente Michel Temer não vai renunciar porque não há motivo para renúncia. O cargo de presidente da República não vai ficar vago. Se as oposições querem disputar eleição, preparem-se para disputar eleição em 2018”, afirmou o senador.

Jucá disse, ainda, que o relatório da reforma trabalhista será apresentado nesta terça-feira (23) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Do Portal N10 com Agência Senado

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