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Quase 50% das famílias do RN se recusam a doar órgãos de parentes falecidos

Foto: Hospital Memorial

A doação de órgãos é um ato que pode garantir a vida de pessoas que aguardam na lista, à espera de um transplante. Para muitos, a esperança se torna maior quando o doador vem da própria família. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Francimara da Costa Lima, de 28 anos. A professora que mora em Nova Parnamirim, doou 30% do fígado para a filha Rebeca, de dois anos e oito meses.

Toda a luta começou quando a criança tinha um mês e vinte dias de nascida. A pequena apresentou sintomas como pele e olhos amarelos, prurido e coceiras. Ficou internada por um tempo e, quando completou um ano, foi para São Paulo, onde o estado de saúde se agravou. Depois de muitos exames, Rebeca foi diagnosticada com uma doença genética rara.

A única saída para a filha de Francimara era passar por uma cirurgia de transplante de fígado. A mãe não pensou duas vezes e ofereceu parte do órgão para a pequena Rebeca, que reagiu bem ao procedimento. Depois de viver toda a angústia e ver a filha sã e salva, a mensagem deixada por Francimara é a de que a doação de órgãos é um gesto importante, que pode garantir vidas.

“Só quando nós estamos dentro da situação, é que realmente sabemos o quanto é importante. Depois de tudo isso que eu passei, que eu vivi, dou muita importância, incentivo às pessoas que estão ao meu redor. Chamo também as pessoas para se conscientizarem, porque um órgão (doador) salva até oito vidas. É muito! É uma coisa maravilhosa você poder dar a oportunidade de vida a outros”, avalia.

Entre os órgãos que podem ser doados, estão coração, pulmão, rim, fígado e pâncreas. Há também a possibilidade de doar tecidos, como as córneas. Atualmente, mais de 45 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. No Rio Grande do Norte, 48% das famílias se recusam a doar órgãos de parentes falecidos.

Por enquanto, o estado realiza, apenas, transplantes de rins, córnea e medula óssea. A diretora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Raissa Medeiros, explica que a lista de espera para receber um rim conta com 210 pessoas, enquanto na de córnea, há 232 pacientes. Os órgãos que são doados no estado são enviados para outros locais por meio da Central Nacional de Transplantes. “Os outros órgãos são captados normalmente aqui no estado. E, apesar de transplantarmos pouco aqui, conseguimos ajudar outras pessoas em todo o país”, diz.

transplante
Foto: Reprodução/RT/REUTERS/Kham

No Rio Grande do Norte, a unidade de referência em captação de órgãos é o Hospital de Trauma Walfredo Gurgel. Para transplante de rim e córnea, os interessados podem procurar o Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), que atende pelo SUS, e o Hospital do Coração, que atende pela rede de convênios. Todos estão localizadas em Natal. O transplante de córnea também é realizado em algumas clínicas da capital.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Os pacientes recebem assistência integral, incluindo os exames preparatórios, a cirurgia, o acompanhamento e os medicamentos pós-transplante, financiados pela rede pública de saúde. Para mais informações, acesse: saude.gov.br/doacaodeorgaos.

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