PT pode ter fracasso histórico no Rio Grande do Norte

PT pode ter fracasso histórico no Rio Grande do Norte

PT pode ter fracasso histórico no Rio Grande do Norte

Rafael Nicácio outubro 26, 2020 Destaques

O Partido dos Trabalhadores (PT) corre sério risco de um fracasso histórico na disputa pela prefeitura do Natal – capital de um Estado governado pelo partido. Com elevada desaprovação em Natal, a governadora Fátima Bezerra não conseguiu, até agora, alavancar a candidatura do senador Jean Paul Prates, que patina em pesquisas lideradas por três candidatos de perfil conservador.

Com ampla margem sobre os adversários, o prefeito Álvaro Dias (PSDB) é favorito e pode ser reeleito já em primeiro turno. De acordo com um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, realizado entre os dias 12 a 14 de outubro com 700 eleitores, Dias tem 36,4% das intenções de voto, distante do segundo colocado, o deputado estadual Kélps Lima (Solidariedade), que tem 10,3% e empata tecnicamente com Delegado Leocádio (PSL), com 6,4%, no limite da margem de erro de quatro pontos percentuais.

Entre os cinco candidatos de esquerda em Natal, o mais bem colocado é Hermano Morais (PSB), com 5,4%. O candidato petista aparece em sétimo, com 2%.

O cenário que se desenha em Natal não é exatamente uma surpresa. A cidade está na lista de capitais nordestinas onde o presidente Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (PT), ao lado Aracaju, João Pessoa e Maceió, em 2018.

Bolsonaro tem 57% dos votos válidos e Haddad 43% diz pesquisa CNT MDA

Historicamente, o PT tem participações importantes nas eleições em Natal, indo com frequência ao segundo turno, mas o desempenho esse ano pode ser irrisório. As dificuldades começam pelo fato de a atual governadora Fátima Bezerra enfrentar elevada desaprovação. Segundo levantamento do Ibope, realizado no início de outubro, a gestão da governadora é considerada ruim ou péssima por 40% dos natalenses. Apenas 26% consideram a gestão da petista boa ou ótima na capital. Já o presidente Bolsonaro é considerado bom ou ótimo por 39%, enquanto 37% o avaliam como ruim ou péssimo.

Nos bastidores, comenta-se que o deputado estadual Fernando Mineiro e a deputada federal Natalia Bonavides, que eram os candidatos mais óbvios, não quiseram representar o PT. Opção que restou, Prates que chegou ao cargo de senador como suplente da então senadora Fátima Bezerra, disputa votos pela primeira vez.

Ao canal Valor Econômico, o candidato disse que faz parte da ala do partido que acredita que o PT deve renovar as suas lideranças. “O PT colocar nos ombros de Lula a responsabilidade de salvar o partido é muita coisa”, afirmou o petista. “Nossa campanha terá Lula na medida certa. Temos que mostrar ele, ajudar na sua defesa, mas não posso fazer disso a plataforma para a cidade”, disse Prates.

Em uma campanha curta, com escassos debates e inúmeras restrições para atos com aglomeração, Prates precisa driblar o desconhecimento. O candidato disputa Natal com uma chapa puro sangue, já que a esquerda se dividiu. Fernando Freitas (PCdoB), Rosália Fernandes (PSTU) e Nevinha Valentim (Psol), têm 1%, 0,4% e 0,3% das intenções de votos, respectivamente. O levantamento do Paraná Pesquisas, contratado pelo próprio instituto, está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo RN-05048/2020. O com nível de confiança é de 95%.

Candidato à reeleição, prefeito Álvaro Dias assumiu o cargo depois que o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT) renunciou para disputar o governo do Estado em 2018. Embora não seja o defensor mais ferrenho do presidente Bolsonaro entre os postulantes conservadores, Dias é sempre lembrado pelo fato de ter distribuído cloroquina e ivermectina na rede pública, durante a pandemia.

O tucano faz uma gestão com avaliação ótima ou boa por parte de 63% dos eleitores, segundo Ibope. Embora tenha atraído o DEM e MDB para sua coligação, a maior na disputa, Dias não é original dos clãs Alves e Maia.

“Há um desgaste dessas figuras tradicionais, ninguém quer atrelar imagem a eles”, avalia o cientista político Antônio Spinelli, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele lembra que, embora o PSDB nunca tenha tido representatividade no Estado, os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin tiveram votações expressivas em Natal em eleições presidenciais. “O natalense sempre teve perfil mais conservador”.

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