‘Não estou nem aí’, disse Robinho em grampo de caso de estupro

‘Não estou nem aí’, disse Robinho em grampo de caso de estupro

‘Não estou nem aí’, disse Robinho em grampo de caso de estupro

Rafael Nicácio outubro 16, 2020 Mundo

Interceptações telefônicas que serviram de base para a condenação do atacante Robinho a nove anos de prisão por estupro coletivo na Itália indicaram que ele sabia do estado de vulnerabilidade da denunciante e não estava “nem aí” para o inquérito.

O caso ocorreu em 22 de janeiro de 2013, quando o jogador defendia o Milan. De acordo com a investigação, o ato teve a participação de Robinho e de mais cinco amigos. Um deles, identificado como Ricardo Falco, também foi condenado a nove anos de cadeia.

A decisão da nona seção do Tribunal de Milão, que foi dada em novembro de 2017, não é definitiva e as defesas do atual atleta do Santos e de Falco apresentaram recurso. No entanto, a Corte de Apelo da capital da Lombardia analisará o processo, em segunda instância, a partir do dia 10 de dezembro.

Robinho foi interrogado em abril de 2014 e, na oportunidade, negou a acusação. O atleta afirmou que teve relação sexual com a vítima, uma jovem albanesa, mas revelou que foi uma relação consensual de sexo oral, sem que outras pessoas tivessem participado.

O site “Globo Esporte” obteve acesso a diversas ligações telefônicas entre os acusados, com autorização da Justiça, que foram transcritas. Em uma das conversas, mostra que o atacante de 36 anos e Falco tinham conhecimento sobre a condição da vítima.

Falco: “Ela se lembra da situação. Ela sabe que todos transaram com ela.”

Robinho: “O (nome do amigo 1) tenho certeza que gozou dentro dela.”

Falco: “Não acredito. Naquele dia ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si.”

Robinho: “Sim.”

A justiça da Itália afirmou que as escutas são “auto acusatórias”. Além disso, as autoridades defendem que “os conteúdos dão pleno conhecimento do que aconteceu”.

Em outra conversa, o músico Jairo Chagas, que tocou na boate no dia do caso, informou Robinho sobre a investigação. O atacante, de acordo com a transcrição, afirmou: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”.

“Olha, os caras estão na merda. Ainda bem que existe Deus, porque eu nem toquei aquela garota. Vi (nome do amigo 2), e os outros foderam ela, eles vão ter problemas, não eu. Lembro que os caras que pegaram ela foram (nome do amigo 1) e (nome do amigo 2). Eram cinco em cima dela.”, disse o atleta.

Já em outra conversa entre o músico e o jogador transcrita na sentença, mostra que Robinho “tentou” ter relações sexuais com a albanesa. Chagas ainda afirma que viu o atleta “colocar o pênis dentro da boca” da vítima. Na sequência, o centroavante diz que “isso não significa transar”.

Em uma ligação transcrita no processo com o (nome de amigo 3), Robinho disse que “não havia prova de que fizemos alguma coisa”. Ainda segundo a sentença, o jogador e Falco combinaram as respostas que dariam à Justiça.

Robinho e os seus quatro amigos deixaram a Itália e voltaram ao Brasil durante a fase de investigação sobre o caso.

O advogado de Robinho, Alexsander Guttierres, afirmou ao “Globo Esporte” que sua defesa será baseada na que a relação foi consensual. O italiano optou em não comentar sobre escutas telefônicas.

“O artigo que enquadra Robinho é claro: diz sobre induzir alguém a beber ou tomar droga com objetivo de usufruir dela sexualmente. Não há provas de que isso aconteceu. Ter relações sexuais com uma pessoa bêbada ou drogada não fere a lei. Não estou dizendo que ele é uma pessoa perfeita. Ele mesmo reconheceu que teve uma conduta pouco séria, mas não cometeu um crime”, disse Guttierres.

Após ter passado por Sivasspor e Basaksehir, ambos da Turquia, Robinho acertou o seu retorno ao Santos. O centroavante assinou um vínculo válido pelos próximos cinco meses e, durante três meses, terá um salário simbólico de R$ 1,5 mil. Essa será sua quarta passagem pela equipe.

(Com informações da Agência ANSA)

Outros artigos