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Manuela admite ter colocado hacker em contato com jornalista do The Intercept

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Foto: Pixabay

(ANSA) – A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) admitiu na noite desta sexta-feira (26) que colocou um hacker em contato com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.

Walter Delgatti Neto, preso pela Polícia Federal e acusado de hackear celulares de dezenas de autoridades, incluindo o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, relatou o caminho que ele percorreu para divulgar mensagens de Telegram dos procuradores Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior, Diogo Castor e Januário Paludo.

Segundo Delgatti Neto, ele conseguiu o telefone de Greenwald com Manuela. Antes disso, o hacker obteve o número da ex-deputada a partir da lista de contatos no Telegram da ex-presidente Dilma Rousseff, à qual ele chegara após uma série de interceptações iniciada no celular do promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, que o havia denunciado por tráfico de drogas.

Nesse caminho, o hacker passou pelas contas no Telegram de personalidades como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, além de Moro.

Ele, no entanto, negou ter hackeado os celulares de outras autoridades do governo federal.

Manuela

Em nota à imprensa, Manuela d’Ávila diz ter sido comunicado pelo Telegram, em 12 de maio, que seu smartphone havia sido invadido a partir da Virgínia, nos Estados Unidos. “Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras”, afirma a ex-deputada.

Segundo Manuela, o hacker não se identificou, mas afirmou que residia no exterior e que queria divulgar o material coletado, “pelo bem do país”, “sem insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza”.

“Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, continua a ex-deputada.

Ela, no entanto, garante desconhecer a identidade da pessoa que invadiu seu celular e se coloca à disposição para “auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração”. “Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular a exame pericial”, conclui.

O site The Intercept mantém a política de não fazer comentários sobre sua fonte, com base no direito ao sigilo estabelecido pela Constituição Federal, mas Greenwald, em seu perfil no Twitter, afirma que nada do que aconteceu nesta semana muda o fato de que é “esmagadora” a “evidência de que Moro cometeu graves e repetidas impropriedades como juiz”. “Isso nunca mudará e será sempre o fato mais importante”, diz.

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