Fechamento do Hospital Ruy Pereira reduz leitos e aumenta superlotação

fevereiro 20, 2020 0 Por Rafael Nicácio
Fechamento do Hospital Ruy Pereira reduz leitos e aumenta superlotação

Na última terça-feira (18), o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), informou que já está transferindo pacientes do Hospital Ruy Pereira para fechar até o final de março a unidade hospitalar. Segundo a secretaria, os leitos serão transferidos para os hospitais da Polícia Militar do RN e o anexo do João Machado, em três etapas de forma gradativa.

Ainda, de acordo com a Sesap, a população não terá prejuízo, pois “não haverá descontinuidade da assistência durante o processo”. No entanto, o Sindsaúde-RN acredita que essa medida irá gerar impacto na redução de leitos na saúde do Rio Grande do Norte. “O remanejamento dos leitos não será de forma imediata. Dessa forma, o governo Fátima repete a política de desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), fechando o único hospital referência em cirurgias vasculares e no atendimento de pessoas em tratamento com diabetes”.

Infelizmente, a política de fechamento de hospitais vem sendo preparada nos últimos anos. O descaso com a saúde pública não é de hoje: ocorreu no governo Rosalba Ciarlini, no governo Robinson Faria e agora, Fátima Bezerra deu continuidade, com o fechamento do hospital de Canguaretama em julho de 2019 e agora, o hospital Ruy Pereira.

Enquanto isso, a saúde permanece abandonada. O pouco que se investe é resultado de decisões judiciais. Os governos vêm construindo um cenário de precariedade para justificar os fechamentos.

Diante de mais uma decisão de fechamento, a população é obrigada a buscar atendimento nos hospitais da Região Metropolitana – que já são superlotados. Além disso, falta profissionais de saúde para atender a demanda, ocasionando uma sobrecarga da trabalho e gerando adoecimento. No anexo do hospital João Machado, por exemplo, onde receberá leitos do Ruy Pereira, há um déficit de enfermeiros. A escala da enfermagem não fecha e em alguns dias, técnicos de enfermagem trabalham sem a supervisão desses profissionais.