Cientistas chineses encontram vírus “gigantes” nas profundezas do oceano

Cientistas chineses encontram vírus “gigantes” nas profundezas do oceano

Cientistas chineses encontram vírus “gigantes” nas profundezas do oceano

Algumas espécies da população viral amostrada pelos pesquisadores podem ser observados a olho nu (Imagem ilustrativa: Pixabay)

Romário Nicácio julho 27, 2021 Ciência

Uma equipe de cientistas chineses descobriram uma série de vírus gigantes habitando o fundo da Fossa das Marianas, o lugar mais profundo da Terra.

Segundo um comunicado da Academia Chinesa de Ciências, o navio de pesquisa avançada Zhang Jian obteve amostras de sedimentos marinhos do Abismo Challenger – cerca de 11.000 metros de profundidade – e nelas uma equipe de pesquisadores identificaram uma abundância “relativamente alta” de vírus gigantes pertencentes principalmente à família ‘Mimiviridae’ e ‘Phycodnaviridae’, que podem superar em número algumas espécies de bactérias.

Algumas espécies de mimivírus, que constituem cerca de 4% do total da população viral amostrada pelos pesquisadores, podem medir até 700 nanômetros de largura, de modo que podem ser observados a olho nu. Além disso, eles têm um genoma altamente complexo de mais de 1,2 milhão de pares de bases, um número maior do que outras famílias de vírus.

Embora famílias de vírus gigantes tenham sido encontradas em outros ecossistemas, sua presença parece ser mais abundante no fundo da Fossa das Marianas, onde suportam pressões extremamente altas, perto de 11.000 atmosferas, baixas temperaturas que variam entre 2 e 4 graus Celsius e baixas concentrações de oxigênio e falta de nutrientes orgânicos, disseram os cientistas em um estudo publicado recentemente na revista Genome Biology.

Da mesma forma, a partir das amostras obtidas por Zhang Jian, os acadêmicos foram capazes de sequenciar os genomas de mais de 100 classes de microrganismos e foram capazes de criar mais de 2.000 diferentes cepas de micróbios em um laboratório no qual criaram um ambiente de alta pressão semelhante ao de seu próprio habitat. Entre eles, pelo menos 19 novas espécies de bactérias e 3 novas espécies de fungos foram descobertas.

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