Animais em extinção retornam à Mata Atlântica após restauração florestal

Com a recuperação florestal das áreas degradadas da Mata Atlântica no município de Anhembi, interior de São Paulo, espécies como a onça-parda e o tamanduá-bandeira voltaram à região. O retorno da vida selvagem ao seu habitat natural foi capturado por câmeras instaladas por especialistas nas áreas recém restauradas em uma fazenda privada para monitorar a presença de animais na região.

Em 2011, a consultoria ambiental Verdesa uniu-se à The Nature Conservancy (TNC), a maior organização ambiental do mundo para recuperar áreas degradadas. A região passou então a fazer parte do projeto global da TNC, denominado Plant a Billion Trees (PBT) – que desde 2008 recupera partes estratégicas da Mata Atlântica em diferentes estados brasileiros. O PBT também restaura o bioma cerrado no Brasil e florestas com biodiversidade excepcional na China e nos Estados Unidos.

Por dois anos, especialistas identificaram as áreas mais estratégicas para reflorestar. Com o apoio da Fundação Alcoa e de outros parceiros, foram plantadas mudas de árvores nativas em terras degradadas, feito a condução da regeneração natural em locais com resiliência e o isolamento dos fatores de degradação para evitar que o gado pastoreie no local. A TNC e a Verdesa monitoraram o crescimento da floresta aplicando metodologia específica desenvolvida junto ao PACTO pela restauração da Mata Atlântica.

As imagens capturadas pelas câmeras ao longo de 2015 registraram várias imagens de animais, como a caminhada majestosa de uma onça-parda, as asas abertas de um urubu rei descansando no chão e até mesmo um tamanduá bandeira cutucando a câmera. (Veja os vídeos aqui.) As gravações mostram que as espécies, ameaçadas de extinção, voltaram graças ao trabalho de restauração florestal.

Um dos principais fatores que a TNC considera para selecionar as regiões a serem recuperadas pela iniciativa PBT é o potencial de conectar áreas de floresta ao longo do território para criar “corredores ecológicos” contínuos, que contribuem mais para a conservação da biodiversidade do que remanescentes de florestas fragmentados. Outro elemento é a relevância da área para a conservação de rios e nascentes. A região de Anhembi tem grande importância para a Bacia do Rio Tietê, que fornece água aos moradores do município e das comunidades vizinhas.

“Esta área é um bom exemplo de como a restauração florestal pode trazer rápido retorno à fauna porque há mais espaço para os animais viverem e se movimentarem no território. Comunidades locais também se beneficiam, pois as florestas ajudam a preservar o abastecimento de água da região. Ainda traz resultados para todo o planeta porque as árvores armazenam carbono e mitigam as mudanças climáticas causadas pelos seres humanos”, explica o gerente de restauração da TNC, Rubens Benini. “Ficamos surpresos ao ver animais que pensávamos estarem extintos e predadores do topo da cadeia alimentar em torno dessas áreas após apenas quatro anos de esforços de restauração”, acrescenta.

Desde 2008, a Campanha PBT já ajudou a trazer mais de 30 milhões de mudas de árvores nativas no Brasil que resultaram na restauração de mais de 12 mil hectares de áreas degradadas no país. A Fundação Alcoa começou a apoiar a iniciativa em 2010.

“Acreditamos que um investimento na preservação do ambiente natural é um investimento na sustentabilidade de longo prazo das comunidades”, informa a gerente de Programa da Alcoa Foundation, Alice Truscott. “Aplaudimos a TNC por este avanço nos esforços de restauração da Mata Atlântica. Sua comprovada experiência no campo está ajudando a proteger a importante biodiversidade no Brasil e estamos orgulhosos de apoiar esses esforços”, completa.

Projetos de restauração na Mata Atlântica são essenciais para a sobrevivência deste bioma e para manter sua capacidade de continuar oferecendo serviços ambientais inestimáveis para mais de 120 milhões de brasileiros que vivem nessas regiões. Originalmente, a Mata Atlântica cobria uma área de 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 17 dos 26 estados do Brasil. Hoje apenas 12% da floresta permanecem e a maior parte não é conservada o suficiente para proteger a rica biodiversidade do local, que inclui uma em cada 20 espécies de vertebrados na Terra e 20 mil espécies diferentes de plantas.

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