Desgaste de Dilma pode prejudicar campanha de Fernando Mineiro em 2016?

Deputado estadual eleito com consideráveis 42 mil votos em 2014, dos quais mais de 50% foram conquistados apenas na capital potiguar, e detentor de quase 86 mil votos na eleição de 2012 para prefeito de Natal – o que lhe deixou na 3º colocação e a apenas 1.400 votos de disputar o 2º turno – o petista Fernando Mineiro era tido, há pouco mais de um ano, como um dos grandes favoritos para disputar a Prefeitura de Natal em 2016, juntamente com o atual prefeito, Carlos Eduardo (PDT), e o deputado estadual Hermano Morais (PMDB).

Para melhorar a situação do petista, o prefeito Carlos amarga críticas e é apontado como o responsável por uma gestão que não consegue resolver problemas essenciais, como a questão do transporte público. Além disso, Hermano foi “limado” da disputa pelo seu próprio PMDB, que decidiu através dos “caciques” da sigla – leia-se Henrique Alves e Garibaldi Filho – aliar-se a Carlos Eduardo.

O que poderia, portanto, atrapalhar o caminho de Mineiro?

A resposta veio de onde menos o PT esperava: da própria presidente Dilma. Com índice de aprovação a seu governo mal chegando à casa dos dois dígitos, Dilma amarga, no mínimo, uma fase ruim. O desgastante arrocho econômico proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e os desdobramentos da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia políticos e empresários influentes (incluindo petistas), foram motivos para a desidratação do governo Dilma.

A crise generalizada em âmbito nacional se colocou, logo, como um forte empecilho ao projeto de Mineiro para 2016. O eleitor natalense teria a capacidade de diferenciar a realidade local da nacional? Estaria o deputado a salvo dos “antipetistas”? Até que ponto o desgaste de Dilma prejudicaria Mineiro?

Na avaliação do cientista político Anderson Christopher dos Santos, do Departamento de Políticas Públicas da UFRN, a situação de Mineiro, de fato, inspira cuidados. “O momento não favorece movimentações eleitorais por parte do PT. O partido teve uma perda de apoio significativa tanto do eleitorado composto por pessoas que tem renda de até dois salários mínimos quanto pela classe média – que é a principal base eleitoral de Mineiro em Natal”, observa.

Somado a isso, ainda segundo o professor, para a mesma faixa de eleitorado, Mineiro deverá enfrentar a concorrência forte do economista Robério Paulino (PSOL), que já teve bom resultado em Natal na última eleição para governador.

Para o Prof. Anderson, a saída para Mineiro e o PT local neste momento é manter cautela. “Muita coisa pode acontecer daqui para 2016, incluindo a melhora na avaliação de Dilma e um crescimento nos índices econômicos. Mas a preço de hoje, eu sugeriria cautela e ponderação a Mineiro”, destaca. O estudioso ainda frisa que a crise não tem apenas como endereço o Palácio do Planalto. Isso porque todo o partido acabou tendo a imagem manchada – o que pode arruinar a candidatura local.

Matéria na íntegra do Potiguar Notícias 

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