Home Notícias Política Advogado confirma desvio de dinheiro de fundos de pensão para pagamento de propinas

Advogado confirma desvio de dinheiro de fundos de pensão para pagamento de propinas

Publicidade

Advogado confirma desvio de dinheiro de fundos de pensão para pagamento de propinas
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
0
Publicidade

O advogado Carlos Alberto Costa confirmou nesta terça-feira (27), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão, que houve desvio de recursos do fundo de pensão da Petrobras, o Petros, para pagamento de propinas, bem como o envolvimento do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto nas operações. Costa é um dos delatores da Operação Lava Jato.

Segundo ele, a empresa CSA Project Finance, na qual trabalhava, captou R$ 13 milhões do Petros para investir em cédulas de crédito bancário, em troca de pagamento de propina a diretores do fundo. Costa afirmou também que Vaccari participou de reuniões na CSA para tratar das operações com um dos donos da empresa, o empresário Cláudio Mente.

A avaliação dos deputados da CPI é a de que esse foi o depoimento mais importante até agora. O presidente da comissão, deputado Efraim Filho (DEM-PB), acredita que as informações de Costa demonstram o elo entre as irregularidades nos fundos de pensão e a influência política.

“Um investimento de R$ 13 milhões da Petros que deu uma propina de R$ 3 milhões de retorno, dos quais R$ 500 mil foram para um diretor da Petros — isso é um elemento fortíssimo, talvez o mais forte que tivemos até agora de que o tráfico de influência e o aparelhamento das instituições realmente aconteciam”, ressaltou Efraim Filho. “Era o senhor João Vaccari Neto dentro de uma empresa que reconhecidamente e confessadamente fez e operou fraudes junto ao Petros, dando prejuízo num negócio de R$ 13 milhões”, acrescentou.

Debêntures

Costa também acusou o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato, de tentar vender R$ 50 milhões em debêntures da empresa de turismo Marsans, ao fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, o Funcef, e ao fundo dos Correios, o Postalis. O negócio, no entanto, não se concretizou devido à Lava Jato e à prisão de Youssef. A Funcef informou que nem chegou a cogitar essa negociação, por não se enquadrar na sua política de investimentos.

O doleiro confirmou que os quatro fundos federais investigados pela CPI — Petros, Funcef, Postalis e Previ — não participaram da operação, mas que fundos municipais e estaduais tiveram prejuízos após a falência da empresa.

Depoimento de Yousseff

O relator da CPI, deputado Sergio Souza (PMDB-PR), saiu decepcionado do depoimento de Youssef, que também compareceu à CPI nesta terça-feira: “Para mim, ele iria falar alguma coisa que interessasse à CPI, porque há notícias do envolvimento dele com João Vaccari Neto, com os fundos de pensão. E de repente ele vem aqui como o paladino da moralidade, inclusive alegando haver tido prejuízo.” Sergio Souza não descarta pedir o indiciamento, em seu relatório final, de políticos e empresários ligados a operações financeiras fraudulentas com recursos dos fundos de pensão.

Ao rebater alegações feitas pouco antes na CPI por Carlos Alberto Costa, Youssef negou envolvimento em operações com o Petros e disse desconhecer o pagamento de propinas com dinheiro do fundo. Ele também negou ter participado de reuniões com Vaccari. “Ouvi dizer no mercado que o Vaccari era um dos operadores de alguns fundos de pensão, como Petros e Funcef, mas só ouvi dizer”, disse.

Youssef informou que sua delação premiada contém só dois relatos sobre os fundos de pensão: a tentativa de vender debêntures para Funcef e Postalis, que não se concretizou; e outros investimentos de fundos municipais e estaduais no fundo “Viagens Brasil”, da empresa Marsans. “Além disso, não sei de mais nada”, argumentou. O doleiro tinha habeas corpus para ficar em silêncio, mas optou por responder a todas as perguntas da CPI.

Publicidade

Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
error: Conteúdo protegido, entre em contato ([email protected]) para solicitar a matéria!