Uma canção de Amor – Felipe Jordan [Entrevista]

dezembro 15, 2019 0 Por Romário Nicácio
Uma canção de Amor – Felipe Jordan [Entrevista]

Nas palavras do Felipe Jordan “Uma canção de amor” é uma confissão de carinho, delicadeza e afeto. Mas ainda é “uma atitude de coragem, mudança e renovação”. Na sexta-feira, 13 de dezembro o cantor e compositor Felipe Jordan, além de celebrar a “última lua cheia da década” divulgou, nas redes sociais, o lançamento do seu primeiro single, chamado “Uma canção de amor”.



As vésperas de completar 28 anos o baiano que reside no Centro de São Paulo assume mais uma frente de criação. Isto porque, atualmente, além de trabalhar como Data Analytics, numa das mais eficientes agências de publicidade de São Paulo, Felipe Jordan é mestrando no departamento de Linguística da FFLCH-USP e escreve ficção para teatro, TV e cinema.

O título da música “Uma canção de Amor” pode até parecer despretensioso, mas sublinha uma sutil intenção de popularidade. Os arranjos, experimentam um mergulho nas programações, beats e timbres sintéticos da House Music, vertente da música eletrônica que surgiu na primeira metade dos anos 80, e com o padrão rítmico do sub-gênero Tropical House que convida à dancefloor. O projeto visual assinado por Ryan Lucca acompanha a identidade sonora da House, ao retomar símbolos dos anos 80.

Como compositor Felipe Jordan simplifica; a letra da música “Uma canção de Amor” pode ser caracterizada pelo humor doce que permeia todos os versos e, levando em consideração as duas primeiras estrofes, uma narrativa fortalecida por possíveis diálogos que são evitados visto que os personagens evitam dar um passo à frente na relação.

Apesar desta primeira música não apresentar uma identidade melódica muito peculiar, as entrelinhas da letra suprem o que poderia ser uma deficiência.

O single “Uma canção de amor” traz o cantor de extensão e timbres intimistas para um território de risco; entretanto os limites do canto foram bem definidos, alcançados com segurança e logo de cara retirou-o da possibilidade de zona de conforto acústica.

Uma canção de amor/Pra acabar quando você chegar/ Na minha casa, reclamando de mim/ Que te adoro, sem você permitir!

O que é uma canção de amor? 

É a música que você coloca para ouvir quando começa a desconfiar que está se apaixonando.

Quando foi que você fez essa música? 

Fiz logo depois que assisti ao filme Me chame pelo Seu nome; do diretor Luca Guadagnino. Enquanto assistia e me envolvia com aquela estorinha romântica terminei me lembrando de todas as vezes em que eu estive no lugar do protagonista e que me apaixonei, sem ter certeza se era correspondido, e/ou se deveria falar alguma coisa; se já estava na hora de dizer.

Na letra da música você trata essa situação com humor, por que você escolheu fazer assim? 

Na verdade, acho que não escolhi. Acho que esse humor está presente na minha visão de mundo mesmo. Tenho uma maneira terrível de enxergar as coisas. Quando assisto uma tragédia na televisão, término flagrando uma coisa engraçada. Eu vou num hospital ou funeral morrendo de medo de ter uma crise de riso, de não conseguir me controlar. Acho que desde criança que sou desse jeito. Sempre que me deparo com uma situação tensa eu termino criando uma oportunidade pra dar nem que seja uma risadinha. A minha mãe conta, eu não lembro desse dia pois eu era muito novinho, mas ela conta que quando eu era muito criança e nós morávamos em Lauro de Freitas-Ba; um dia choveu muito, uma daquelas enchentes, e a casa alagou, entrou água, molhou tudo, perdemos os móveis, geladeira, fogão, carro, tudo. E enquanto todo mundo estava em pânico, eu não parava de rir, principalmente porque minha irmã que era recém-nascida, estava em cima da geladeira, e a geladeira – por sua vez – estava boiando. (Risos) Hoje em dia venho me esforçando para pelo menos flertar com uma maneira mais séria e respeitosa de lidar com momentos como esses, mas não sei se eu vou ter sucesso. (Risos) Parece ser impossível. E em relação à letra da música é um reflexo dessa minha maneira de enxergar o mundo, de enxergar as relações e as nossas atitudes.

Atualmente você está envolvido com vários projetos, como tem sido orquestrar todos eles? A sua pós-graduação parece ser bem interessante. 

Todos os projetos com os quais estou envolvido, faziam parte do meu plano quando vim morar em São Paulo. O mestrado na FFLCH-USP, me possibilita entender melhor algumas teorias da linguística e a minha pesquisa é confrontar essas teorias com o discurso de pacientes com neuropatologias, com diagnostico de Mal de Alzheimer. Tenho um trabalho com teatro, como dramaturgo, escrevi três peças que ainda não publiquei e não encenei todas, mas venho estudando maneiras de fazê-lo. Ganho a vida como Data Analytics, numa agência de publicidade, para ser mais exato com o estudo da engenharia de busca online e comportamento do consumidor. E agora dei esse passo sem volta com a música, que me exigiu muita coragem, pra finalmente entender que essa atitude de mudança e renovação era um movimento obrigatório pra minha vida. Porque a música é o mais instintivo pra mim e justamente por isso eu adiei por todo esse tempo. Orquestrar tudo isso é impossível! É impossível quando não se têm disciplina e prazer. No meu caso, tenho feito tudo com muito, muito, muito prazer e a disciplina surge instantaneamente. Chega um dia ou outro em que eu estou exausto, mas sinto que tudo o que tenho feito me traz muita alegria.

Em algum ponto todas essas funções se encontram? 

Sim, totalmente! Mas não faço ideia de como te explicar. Vou ficar devendo.

Você toca violão muito bem. Por que fez a escolha de tantos elementos sintéticos para este single? 

Eu toco violão bem? Obrigado… Então, acho que seria um tanto confortável, cantar para um formato mais orgânico sabe? E seria uma espécie de covardia começar dentro desta zona de conforto. Por isto, decidi me arriscar no universo do eletrônico. Além de que, desde que iniciamos o processo de produção da música, que eu estava em um eventual contato com coisas dos anos 80. Filmes, HQs e apaixonado por alguns artistas dessa época, então decidi trazer esse cenário pra minha música. Foi quando o Ryan Lucca (Diretor de Arte) entregou uma proposta para identidade visual que além de irresistível era super coerente com a minha idealização, daí ficou inegociável descontinuar as referências eletrônicas.

E como foi o encontro com a equipe de produção? 

Eu descobri a gravadora Haus Music e fiquei fascinado por eles. Passei uns dias pensando, pensando, pensando. Criei coragem e entrei em contato. Expliquei como eu idealizava o projeto. Eles entenderam, pediram um tempo para analisar e depois me responderam topando. Fiquei muito feliz! Pouco tempo depois já estávamos fazendo reuniões para elaborar os detalhes. Conversávamos muito. Muito. Eu apresentava várias referências e eles foram incorporando, criando, experimentando. Foi bonito de ver a disposição deles para captar as minhas ideias mais abstratas e concretizar num som que funcionasse.

Você tem outras músicas? Do que elas falam? 

Desde que eu comecei a me interessar por violão que eu componho. Então tenho algumas dezenas de músicas. Obviamente nem todas elas precisam ser produzidas. Teve um período, por exemplo, que eu adorava fazer música pra pessoas da minha família, fazia música para minhas tias, primos, pra minha avó, pro meu avô. Mas enfim, hoje tenho uma listinha com algumas mais genéricas que estão na fila para serem produzidas. De modo geral, todas elas falam sobre alguma sensibilidade, alguma afinação entre o mundo que acontece dentro da gente e o universo que acontece fora de nós. Tem um sambinha, muito legal, que eu não vejo a hora de começar a trabalhar nele. Um sambinha apaixonadinho. Um sambinha de amor. (Risos)

Quando será que esse samba saí? 

Ainda não sei, mas espero que ao longo do ano que vem. Em 2020.

E em relação as suas influências, que artistas te influenciam? 

São muitos e de diversas áreas. Para essa música, uma canção de amor, fui muito influenciado pelo trabalho do Sufjan Stevens; em alguns aspectos. Mas de maneira mais geral tenho muito contato com brasilidades. É o que eu escuto no dia-a-dia. O Belchior, todos os tropicalistas e alguns mais novos como Giovanni Cidreira, Pedro Pondé, Zé Manoel, Diogo Strausz.

O que nós podemos esperar daqui pra frente? 

Pode esperar por mais música; com ainda mais entrega e mais dedicação.

A música “Uma canção de Amor” está disponível em todas as plataformas digitais. Siga o perfil do Felipe Jordan, nas redes sociais, onde é possível interagir com outras pessoas que também gostam dos seus trabalhos.

Streaming:

Youtube: https://youtu.be/IShLtDcXFUw

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