Ipkissia Máskarose: O Falcão de Anthony Mackie e sua fidelidade aos dilemas do personagem

Ipkissia Máskarose: O Falcão de Anthony Mackie e sua fidelidade aos dilemas do personagem
Falcão e o Soldado Invernal

Criando em 1968 por Stan Lee e Gene Colan, Samuel Thomas Wilson, ou simplesmente Sam Wilson, é o Falcão, atualmente um dos mais importantes heróis do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) e dos Vingadores, em quase qualquer mídia que esteja. Sua primeira aparição foi em Captain America n° 117, onde aparece como adestrador de pássaros em uma ilha na qual Steve Rogers, preso no corpo do vilão Caveira Vermelha, havia sido deixado.

Sam era um expert em adestramento de aves, e na ilha ajudava os locais a combaterem um grupo de nazistas remanescentes, também exilados. A parceria entre os dois, não só ajudou Steve a recuperar o seu corpo, como os tornou grandes parceiros, fazendo com que adestrador fosse aprendendo com o Capitão técnicas de combate e até moldando seu uniforme e identidade como Falcão.

Primeira HQ

Embora o herói seja um dos primeiros afro-americanos a ganhar destaque nos quadrinhos e tenha uma importância enorme para as histórias da editora, foi só recentemente que o personagem ganhou as telonas, sendo interpretado por Anthony Mackie no filme Capitão América 2: O Soldado Invernal de 2014.

Na trama, o herói é um ex-soldado que assim como Steve, busca reintegrar-se à sociedade. Mas não apenas fazer parte dela, com ou sem seu alter ego, munido de sua consciência social, seja no filme com o grupo de apoio a ex-soldados, ou nas HQs onde o herói sempre atuou para proteger o Harlem, tendo Sam invariavelmente agido como protetor da comunidade e combatente da forma estereotipada com a qual os negros são vistos nela.

OBS: o texto a seguir se atém a fatos ficcionais e todo o seu conteúdo faz parte de um copilado de ideias e interpretações de seus autores.

Atualmente sendo amplamente explorado na série Falcão e o Soldado Invernal, sua versão cinematográfica interpretada por Mackie é marcada pela adaptação. Primeiro ele se encaixa, pois ele é um homem negro que sabe o quanto sua cor pode ser entendida e estereotipada pelos outros, mas isso não é motivo para curvar a cabeça, já que ele se orgulha de sua cor, e é motivado pelo desejo de mudança.

Toda a questão racial que envolve o personagem desde os quadrinhos às telonas faz parte do seu estigma de lutador em prol dos direitos sociais. Sam lida com o preconceito, mas isso não o define por completo, pois ele não é um Super Soldado, não tem superpoderes, e todas as mudanças em sua vida e as que causa nas vidas dos outros, seja os inspirando ou salvando, alimentam sua convicção, ao mesmo passo que pesam em seus ombros.

Capitão América 2: O Soldado Invernal

Com uma origem vulgarmente clichê nos quadrinhos, onde já foi um homem negro e criminoso (narrativa que felizmente foi reformulada), Sam tem já há algum tempo nos quadrinhos, animações e mesmo no MCU, sua inteligência sendo cada vez mais destacada. Ela aparece como traço distintivo claro, ao usar sua perspicácia e sagacidade para lutar pelos direitos dos negros nas HQs, através do uso de sua popularidade, mesmo nas animações quando cria e lida com sistemas operacionais complexos ao lado do gênico da tecnologia Tony Stark, ou ainda no MCU (mais completo), quando demonstra todo o poder de sua oralidade, habilidades como estrategista e claro, dá show consertando o drone Asa Vermelha.

Animação Vingados Unidos

Sendo um dos principais parceiros do Capitão América, tendo inclusive carregado nos quadrinhos o manto do herói americano (o que pode se repetir na série), Sam, entrou pela primeira vez na equipe Vingadores como uma espécie de “quota racial”, papel que este se recusou a representar, estar na equipe apenas por isso.

Sua recusa e indecisão atual em relação ao escudo também passa por isso. Claro que ser o Capitão América é algo fantástico e sem dúvidas ser escolhido por Steve para tal posto é igualmente importante e impactante, mas ele já é um herói! Não é o Falcão Negro, ou o Capitão América Negro, não é só sobre ser o sucessor negro do Steve, mas sim sobre ser quem ele é, não pela cor que tem ou as que veste (embora Steve não faça essa distinção, as pessoas e o Governo Americano fariam).

Crítica do primeiro episódio de Falcão e o Soldado Invernal
Falcão e o Soldado Invernal

Não encare seus dilemas humanos sobre racismo ou finanças, como foi mostrado na série, como uma fraqueza. Ao contrário, pois sua humanidade talvez seja justamente o ponto central de sua persona. Tendo “virado pó” por cinco longos anos, devido ao estalado do Thanos e regressado devido ao blip do Hulk, o herói nos mostra a sua verdade, sobre como um humano poderia reagir ou se sentir diante de tamanho trauma, e mais uma vez ele se adapta, e mantém as convicções e ideais que lhe dignificam como herói.

Em suma, partir da construção do time dos Vingadores o estúdio denota forte intenção em expor questões sócio-psicológicas dos heróis que compõem o time. Não seria diferente com o nosso herói alado. Com ele, identificamos a temática do racismo como gatilho para construção da sua psique e mote de suas ações.

A sua resposta em combater o estereótipo imposto é gravada pela conversão do que seria, hipoteticamente, sua fraqueza em força. Tal qual Martin Luther King em sua passagem marcante “We are not makers of history. We are made by history” (em tradução livre: “Nós não fazemos história. Nós somos feitos pela história“). Tal alusão aborda movimentos sociais contemporâneos, sobretudo na sociedade americana onde a cisão entre as classes e grupos é uma fissura no tecido social. Nessa perspectiva, fazer paralelo com elementos da realidade, é marca registrada de Stan Lee, sua habilidade de criar personagens (como Sam) que podem ser encontrados andando pelas ruas sem uniforme.

E que mesmo quando parecem ter chego ao seu limite, afinal Sam poderia só ser um soldado fora das trincheiras, viver sua vida e simplesmente não se importar. Mas não, ele segue lutando e falando. Não acanhado como um “ajudante” de herói, mas como alguém que sabe a importância e força de sua voz. E que mesmo quando não fala é possível “ouvir de suas ações” o mesmo sentimento que vemos em Steve, como que dissesse “Eu posso fazer isso o dia todo”, mais um caso claro de Ipkissia Máskarose.

Gostou do texto? “Ipkissia Máskarose”, estará de volta na próxima semana com um novo personagem. Você pode nos ajudar a escolher ele comentando abaixo o que achou e qual personagem quer ver na próxima matéria.

Por: Augusto “Clark” Miranda, Hiago Luis e Luiz Fonseca “Cap”

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Redação do Dinastia N

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