Temer revela conversa com Cunha antes de abertura do processo de impeachment contra Dilma

Durante entrevista divulgada neste sábado (15) pela TV Bandeirantes, o presidente Michel Temer (PMDB) falou sobre uma conversa com Eduardo Cunha antes da abertura na Câmara de processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Segundo Temer, Cunha, na época presidente da câmara dos deputados e alvo de processo na comissão de ética da câmara, afirmou que arquivaria todos os pedidos  de impeachment contra Dilma porque havia conseguido o apoio de três petistas na comissão de ética, de modo a salvar seu próprio mandato como deputado.

Temer conta ainda que encontrou Dilma na biblioteca do Palácio do Alvorada e a comunicou sobre a conversa, o que a deixou satisfeita. Entretanto, no dia seguinte, viu nos jornais que petistas haviam feito pronunciamento de que  não votariam em favor de Cunha na comissão de ética.

Assim, continuou Temer, em segunda conversa com Cunha por telefone, ficou sabendo que o processo de impeachment realmente seria autorizado por ele, de modo que o deputado já estava para chamar a imprensa. Se procedente, a segunda conversa ocorreu dia 2 de dezembro de 2015, marcado como dia em que Cunha autorizou abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

Temer conclui: “Se o PT tivesse votado nele [Eduardo Cunha] naquela comissão de ética, é muito provável que a senhora presidente continuasse e, quando eu conto isso, eu conto também para revelar: Primeiro, que ele não fez o impedimento por minha causa, evidentemente. Segundo, que eu jamais militei para derrubar, como muitas vezes disse, a senhora presidente da República”.

Eduardo Cunha

Eduardo Cunha foi preso no dia 19 de outubro de 2016, em Brasília. Atualmente, ele está detido no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na denúncia oferecida à Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) acusou Eduardo Cunha de receber propina de 1,3 milhão em francos suíços em um contrato da Petrobras para a exploração de petróleo no Benin, por três crimes de lavagem de dinheiro e dois crimes de evasão fraudulenta de divisas. Recentemente, o juiz federal Sérgio Moro condenou Cunha a 15 anos e 4 meses de reclusão.

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