Brasil, Destaques

Condenado a mais de 19 anos, Marcelo Odebrecht passa a cumprir prisão domiciliar

Uma das maiores empresas da América Latina, a Odebrecht é hoje associada à corrupção e propina. A prática de crimes fez com que o faturamento do grupo aumentasse de R$ 24 bilhões em 2006 para R$ 132 bilhões em 2015. Mas, como um castelo de areia, o império ruiu. Um dos responsáveis pela derrocada é Marcelo Odebrecht, neto do fundador Norberto Odebrecht. Depois de assinar acordo de delação premiada, o empresário de 49 anos sai da prisão nesta terça-feira (19), após cumprir dois anos e meio da pena.

O herdeiro do grupo Odebrecht e outros três executivos da empresa foram considerados culpados por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa para obter contratos que somam mais de R$ 12 bilhões, segundo o Ministério Público. Além disso, a estimativa dos investigadores é que as propinas pagas aos ex-diretores da Petrobras e a PT, PP e PMDB chegavam a 3% dos contratos.

A partir de agora, o ex-presidente executivo da empresa cumprirá o restante da pena de 19 anos e 4 meses em casa, no bairro luxuoso do Morumbi, em São Paulo. Apesar da sensação de que um dos maiores corruptos do Brasil ficou pouco tempo preso, o jurista Ives Gandra Martins explica que Marcelo Odebrecht negociou alguns benefícios na delação, como a prisão domiciliar.

O especialista compara ainda o caso do empresário com o do ex-presidente Lula, que foi condenado e sequer foi preso. “Ele fez a delação premiada e ficou mais de dois anos (preso). As outras delações premiadas, inclusive, não cumpriram pena nenhuma. O presidente Lula foi condenado a nove anos de encarceramento e está solto porque não quiseram antes da decisão de segunda instância. Delação premiada, a pessoa colabora de dar todos os elementos que a Polícia, o Ministério Público precisam, ela é homologada pelo poder judiciário e, evidentemente, tem em contrapartida um benefício e uma redução da pena”, defendeu.

Presente no Brasil e em mais 24 países, a Odebrecht S.A. atua nos setores de engenharia, construção, indústria, imobiliário e no desenvolvimento e operação de projetos de infraestrutura e energia. De acordo com o balanço divulgado no site da empresa, o faturamento anual em 2016 não ultrapassou os R$ 90 milhões.

Para o especialista em gestão empresarial Marcos Melo, é possível que o negócio se reestabeleça, mas ele confirma que os escândalos de corrupção sempre serão uma mancha perante o mercado. “Isso faz com que a empresa propriamente perca oportunidades de negócio e assim, inclusive, diminua o seu valor de mercado. Realmente é um impacto bastante negativo para a Odebrecht. O que ocorreu, na verdade, não foram decisões erradas tomadas pelo corpo de funcionários da empresa, da Odebrecht, foi por um grupo de executivos que estava liderando a empresa em determinado momento”, analisou.

Em 19 de junho de 2015, Marcelo Odebrecht foi preso em casa pela Polícia Federal. O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Sergio Moro. Na data de 8 de março de 2016, o empresário foi condenado pelo magistrado a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em dezembro de 2016, fecha acordo de delação premiada. No mesmo dia, a Odebrecht assinou acordo de leniência e aceitou pagar uma multa de US$ 2,5 bilhões.

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Política

Marcelo Odebrecht afirma: “político que disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”

O empresário Marcelo Odebrecht disse, em um dos seus depoimentos de delação premiada, que todos os políticos usam recursos de caixa 2 para financiarem suas campanhas. Em um dos depoimentos gravados pela força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato e divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Marcelo disse que está mentindo o político que afirma não ter recebido valores não contabilizados em campanhas eleitorais.

“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer qualquer eleição sem caixa dois. O cara pode até dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido que era caixa 2. O político que disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”, afirmou o delator.

No mesmo depoimento, Marcelo Odebrecht disse que o repasse via caixa 2 era predominante para políticos que tinham bom relacionamento com a empresa. “Todo lugar onde a gente tinha uma relação forte ou uma presença forte, com certeza teve caixa 2”, disse no depoimento que integra o inquérito que vai investigar o senador Aécio Neves (PSDB-MG). No total, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou a abertura de 76 inquéritos contra oito ministros, 39 deputados federais, 24 senadores e três governadores.

Preso preventivamente na Operação Lava Jato desde 2015, Marcelo decidiu delatar o esquema de corrupção em campanhas políticas após ser condenado a 19 anos e quatro meses de prisão em uma das ações a que responde na 13ª Vara Federal em Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio Moro. A empreiteira foi uma das maiores doadoras para campanhas eleitorais.

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Política

Em depoimento, Marcelo Odebrecht garante que Dilma sabia de caixa 2

(ANSA) – O executivo Marcelo Odebrecht afirmou em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia das doações feitas pela empreiteira à campanha de reeleição da petista por meio de caixa 2.

As declarações foram feitas ao TSE no dia 1º de março, mas só foram divulgadas ontem (23) pelo site “O Antagonista” e confirmadas posteriormente pela imprensa. “Dilma sabia da dimensão da nossa doação e sabia que nós éramos quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa 2 para João Santana. Isso ela sabia”, disse Marcelo Odebrecht quando questionado pelo ministro Herman Benjamin se já havia conversado com a petista sobre as dívidas do partido.

Além disso, o executivo também afirmou que “inventou” a campanha de reeleição de Dilma Rousseff. “Eu não me envolvi na maior parte das demais campanhas, mas na eleição presidencial [de Dilma] os valores [de doação] foram definidos por mim”.

Em nota, a assessoria de Dilma disse que “o senhor Marcelo Odebrecht precisa incluir provas e documentos das acusações que levanta contra a ex-presidente da República” e que, “apesar das levianas acusações, supeitas infudadas e do clima de perseguição”, Dilma continuará enfrentando os processos que tem sofrido.

Além disso, Marcelo Odebrecht também disse que a empreiteira doou R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. No entanto, ele não precisou quanto foi doado por meio de caixa oficial e quanto foi doado via caixa dois. Desse valor, segundo o depoimento, R$ 50 milhões seriam uma contrapartida pela aprovação em 2009, pelo Congresso, da Medida Provisória 470 (Refis), que facilitou a renegociação das dívidas de empresas do grupo.

Marclelo Odebrecht disse também que o acerto para a doação de R$ 50 milhões foi feito diretamente com o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e que ele era o responsável por tratar de doações com as empresas no governo Dilma. Durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva, o responsável pelos pagamentos ao governo e ao PT era o também ex-ministro Antônio Palocci, ainda de acordo com o empreiteiro. A defesa de ambos não quis se pronunciar.

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Política

Marcelo Odebrecht diz que Dilma sabia de caixa 2

(ANSA) – A ex-presidente Dilma Rousseff negou saber que os pagamentos feitos à chapa Dilma-Temer para as eleições de 2014 da construtora Odebrecht eram feitos através de caixa 2 e contrariou assim o empresário Marcelo Odebrecht, que acusou a política de ter conhecimento sobre o assunto. Durante seu depoimento de quase quatro horas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última quarta-feira (1º), no âmbito da medida que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, o ex-presidente da empreiteira confirmou que doou R$ 150 milhões para a chapa.

Além disso, o empresário também afirmou que parte desse dinheiro foi repassado ao ex-marqueteiro do PT João Santana no exterior e que Dilma tinha conhecimento disso.

Santana, junto com sua mulher, Mônica Moura, já havia sido acusado pela Operação Lava Jato de ter recebido cerca de R$ 22,5 milhões da Odebrecht em pagamentos ilegais entre 2014 e 2015. Sobre o assunto, a assessoria de imprensa da ex-presidente disse que “é mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014”. Ainda segundo o ex-presidente da construtora, cerca de 4/5 do valor que foi destinado à chapa pela empresa teve origem de caixa 2 e que R$ 50 milhões dele foi uma contrapartida pela aprovação da medida provisória dos Refis, que acabou sendo editada no governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e cujo acerto foi realizado pelo ex-ministro Guido Mantega. A assessoria de Dilma disse que “também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais”.

Além disso, Marcelo Odebrecht também confirmou que participou de um jantar com o então vice-presidente do país, Michel Temer, em 2014, onde falou sobre doações ao PMDB. No entanto, o empresário disse que não conversou com Temer sobre valores, que, segundo ele, devem ter sido discutidos entre o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e com o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da construtora, Claudio Mello Filho. De acordo com uma nota divulgada pelo Palácio do Planalto, “o senhor Marcelo Odebrecht confirmou aquilo que o presidente Michel Temer vem dizendo há meses. Houve o jantar, mas não falaram de valores durante o encontro e a empresa deu auxílio financeiro a campanhas do PMDB. O Partido registrou o recebimento de R$ 11,3 milhões da Odebrecht, montante declarado regularmente ao TSE”.

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Brasil

Operação Lava Jato: Marcelo Odebrecht é condenado a mais de 19 anos de prisão

O juiz Sérgio Moro condenou nesta terça-feira (8) empresário Marcelo Odebrecht a 19 anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os crimes estão relacionados ao esquema de desvios de recursos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

“Entre os crimes de corrupção, de lavagem e de associação criminosa, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a dezenove anos e quatro meses de reclusão, que reputo definitivas para Marcelo Bahia Odebrecht”, diz o juiz Sérgio Moro em sua sentença.

Foram condenados ainda os executivos da construtora Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo, Cesar Ramos Rocha e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar; e os ex-diretores da Petrobras, Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, além do doleiro Alberto Youssef. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef tiveram as penas abreviadas por terem firmado acordo de delação premiada.

Da Agência Brasil

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