Mundo

China e Rússia se unem contra guerra comercial dos EUA

Os presidentes da Rússia e China, Vladimir Putin e Xi Jinping, lançaram uma contraofensiva em resposta à guerra comercial entre os Estados Unidos e o país asiático. A reunião dos líderes, que se realizou em Moscou, buscou fortalecer a cooperação entre os países, que assinaram diversos acordos comerciais.

“Propomos resistir à imposição de restrições infundadas ao acesso aos mercados de produtos de tecnologias da informação com a desculpa de garantia de segurança nacional, assim como à exportação de produtos de alta tecnologia”, diz uma declaração assinada ontem (5) pelos dois presidentes no Kremlin, na qual Rússia e China se comprometem a ampliar a cooperação estratégica e desenvolver novas parceiras.

O documento também ressalta os planos de “se opor à ditadura política e à chantagem na cooperação comercial e econômica internacional, e condenar a aspiração de alguns países de se acharem no direito de decidir os parâmetros de cooperação entre outros países”.

Acusados de promoverem censura nas redes, Putin e Xi também prometeram “garantir o funcionamento pacífico e seguro da internet sobre a base da participação em igualdade de condições de todos os países em tal processo”.

Putin e Xi ressaltaram que “nos últimos anos” as relações entre Rússia e China atingiram níveis “sem precedentes” na história e citaram como exemplo as trocas comerciais, que já superaram US$ 108 bilhões.

A China é um dos principais alvos dos Estados Unidos numa guerra comercial. Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou sobretaxar praticamente quase todos os bens chineses importados pelos EUA. Em resposta, Pequim alertou sobre a possível falta de terras raras, matéria-prima fundamental para a indústria de alta tecnologia, smartphones e automóveis. Os americanos importam da China 80% das terras raras que utilizam.

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Economia

Brasil pode “aproveitar” tensões comerciais entre EUA e China

A ameaça da China de impor tarifas sobre a soja dos EUA pode ser uma boa notícia para os ‘agricultores rivais’ no Brasil.

O espectro de uma guerra comercial iminente entre as maiores economias do mundo fez com que os preços da soja brasileira subissem – atingindo seu nível máximo em 21 meses, informa os analistas da Commerzbank.

Os agricultores brasileiros poderiam ser os vencedores de longo prazo se a China e os EUA se envolverem em uma guerra comercial. Na verdade, ao ameaçar a China com tantos impostos, o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia apoiar involuntariamente as ambições do Brasil de dominar o mercado mundial de exportações agrícolas e os objetivos de Pequim de estreitar os laços com a América Latina.

A China já é o principal parceiro comercial do Brasil e está se tornando um grande investidor, tendo injetado quase 21 bilhões de dólares no Brasil no ano passado. A vizinha Argentina, o terceiro maior produtor de soja do mundo, também poderia se beneficiar.

importação da soja

Foto: Pixabay

O Brasil produziu 114,1 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17, das quais exportou para a China cerca de 47%. Enquanto isso, os EUA produziram 116,9 milhões de toneladas, das quais exportou para a China cerca de 31%. Juntamente com a Argentina, que produziu 57,8 milhões de toneladas no mesmo período, os três países produziram a maior parte da produção mundial de soja.

“A Argentina poderia ser outra opção para a China se quiser reduzir sua dependência dos EUA”, revelam os analistas. Gustavo López, que lidera a consultoria de Buenos Aires Agritrend, argumentou que, no curto prazo, se os EUA parassem de exportar soja para a China, o Brasil e a Argentina provavelmente se beneficiariam de um aumento nos preços.

“Mas, sendo a principal fornecedora mundial de produtos refinados, como óleo de soja e farinhas, a Argentina pode ser afetada pelo aumento da concorrência nesses mercados a médio e longo prazo, caso os EUA comecem a produzir esses produtos”, argumentou Lopez.

Em qualquer caso, Lopez questionou se a China tomaria medidas concretas sobre as tarifas de curto prazo, já que depende dos três produtores estrangeiros de soja. “A China não pode se dar ao luxo de depender apenas da Argentina e do Brasil”, disse ele.

safra de soja grãos

Foto: Pnm Ralex / Pixabay

Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil, revelou ao El Financeiro que o Brasil tem capacidade para dobrar a produção de soja se estender as plantações para as vastas pastagens degradadas do país. “O Brasil tem capacidade de produção, e possui tecnologia e área para isso”, afirmou.

TS Lombard disse em seu relatório que uma possível tarifa chinesa sobre as importações de carne suína dos EUA também poderia beneficiar os produtores brasileiros de carne suína, embora eles ainda sejam fornecedores relativamente pequenos e suas exportações tenham sido afetadas por um escândalo interno relacionado às inspeções sanitárias. A indústria de carne brasileira também poderia se beneficiar.

A China tem antecipado esta associação mais próxima com fornecedores agrícolas brasileiros através de maiores investimentos na infra-estrutura arruinada do país latino-americano.

“No acordo mais importante, a China Merchants Porto adquiriu uma participação de 90 por cento do Terminal de Contêineres de Paranaguá, o segundo porto brasileiro mais ativo em termos de volume, 2,9 bilhões de reais (924 milhões de dólares)”, disse TS Lombard.

Mas outros alertam que, embora o Brasil viesse a ganhar em alguns setores, a reorganização do sistema de comércio multilateral do presidente Trump poderia ser prejudicial ao longo do tempo para a América Latina.

“A tática de Trump foi forçar os parceiros comerciais a entrar em negociações bilaterais e depois tentar forçá-los a fazer concessões”, disse Rodrigo Lima, diretor geral da Agroicone, uma consultoria de comércio e agricultura.

Os EUA pareciam dispostos a dar ao Brasil uma isenção das tarifas de aço, por exemplo, mas Washington gostaria de receber algo em troca, disseram analistas, como a entrega da estrela industrial brasileira, a fabricante de aeronaves comerciais Embraer, à Boeing. “Trump define uma posição extrema e a partir daí começa a negociar”, disse Lima.

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Economia

Quem ganha e quem perde com a guerra comercial entre a China e os EUA

A tarifa imposta pelo governo dos EUA às importações de aço e alumínio foram a gota d’água que causou a guerra comercial. A China decidiu responder a essa medida na mesma moeda, impondo US $ 3 bilhões em tarifas sobre 128 produtos norte-americanos. O conflito ameaça afetar muitos páises, embora também beneficie outros mercados.

Alguns dos principais “perdedores” serão aqueles que fornecem à China peças e componentes para produtos que Pequim vende para os Estados Unidos, segundo informa o South China Morning Post. Estes incluem países como a Coréia do Sul, Vietnã, Malásia e a região chinesa de Taiwan.

Até o Japão poderia assumir riscos, já que no ano passado exportou quase 700 bilhões de dólares, principalmente para a China e os EUA. Carros, equipamentos eletrônicos, computadores, ferro e aço foram suas principais vendas – artigos que estão no centro da guerra comercial.

Em risco

Por outro lado, se a China responder favoravelmente ao pedido da Casa Branca de reduzir seu superávit comercial em US $ 100 bilhões, poderá começar a comprar chips produzidos nos Estados Unidos, o que preocupa as autoridades sul-coreanas, japonesas e taiwanesas, pois, para tanto, deixaria de lado seus fornecedores asiáticos.

Enquanto isso, em Hong Kong eles estimam que a disputa poderia afetar um em cada cinco empregos. “O livre comércio é uma base importante para nosso sucesso”, explicou o secretário de finanças da cidade, Paul Chan Mo-po.

Aqueles que celebram a disputa

safra de soja grãos

Foto: Pnm Ralex / Pixabay

Parar de importar produtos dos EUA forçaria as autoridades chinesas a procurar novos vendedores e uma de suas principais demandas será a soja, já que os EUA impuseram uma nova taxa de 25%. Diante desse cenário, a Argentina e o Brasil esperam tornar-se fornecedores do maior comprador mundial dessa safra.

“A agricultura é uma das áreas que a China usará para atacar Trump”, diz o economista Allan von Mehren. Neste sentido, o especialista em política internacional da Universidade Federal de Vladivostok, Artyom Lukin, acredita que a Rússia poderia compensar parte do déficit na oferta de soja.

Outro alimento afetado pela disputa é o porco, então a queda nas vendas nos Estados Unidos resultaria em uma vantagem para os produtores russos, dinamarqueses, alemães e espanhóis.

Aeronaves, aço e alumínio

aço e alumínio

Foto: Emir Krasnic / Pixabay

A produção do gigante asiático também será afetada pela guerra comercial, por isso, no caso dos aviões, a China poderá deixar de comprar o Boeing e redirecionar o olhar para o Airbus europeu.

Finalmente, em relação ao aço e ao alumínio, as tarifas estabelecidas pelo governo Donald Trump poderiam fazer com que Pequim buscasse novos mercados para colocar sua produção, com o consequente corte de seus lucros devido ao excesso de estoque. “Essa redução de preço beneficiaria, entre outras, as Filipinas”, estimou o seu secretário de Comércio, Ramon Lopez.

Além das especulações sobre quais países se beneficiariam, vale lembrar o ditado que diz: “Em uma guerra comercial, ninguém vence“.

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