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Manuela admite ter colocado hacker em contato com jornalista do The Intercept

(ANSA) – A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) admitiu na noite desta sexta-feira (26) que colocou um hacker em contato com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.

Walter Delgatti Neto, preso pela Polícia Federal e acusado de hackear celulares de dezenas de autoridades, incluindo o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, relatou o caminho que ele percorreu para divulgar mensagens de Telegram dos procuradores Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior, Diogo Castor e Januário Paludo.

Segundo Delgatti Neto, ele conseguiu o telefone de Greenwald com Manuela. Antes disso, o hacker obteve o número da ex-deputada a partir da lista de contatos no Telegram da ex-presidente Dilma Rousseff, à qual ele chegara após uma série de interceptações iniciada no celular do promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, que o havia denunciado por tráfico de drogas.

Nesse caminho, o hacker passou pelas contas no Telegram de personalidades como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, além de Moro.

Ele, no entanto, negou ter hackeado os celulares de outras autoridades do governo federal.

Manuela

Em nota à imprensa, Manuela d’Ávila diz ter sido comunicado pelo Telegram, em 12 de maio, que seu smartphone havia sido invadido a partir da Virgínia, nos Estados Unidos. “Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras”, afirma a ex-deputada.

Segundo Manuela, o hacker não se identificou, mas afirmou que residia no exterior e que queria divulgar o material coletado, “pelo bem do país”, “sem insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza”.

“Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”, continua a ex-deputada.

Ela, no entanto, garante desconhecer a identidade da pessoa que invadiu seu celular e se coloca à disposição para “auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração”. “Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular a exame pericial”, conclui.

O site The Intercept mantém a política de não fazer comentários sobre sua fonte, com base no direito ao sigilo estabelecido pela Constituição Federal, mas Greenwald, em seu perfil no Twitter, afirma que nada do que aconteceu nesta semana muda o fato de que é “esmagadora” a “evidência de que Moro cometeu graves e repetidas impropriedades como juiz”. “Isso nunca mudará e será sempre o fato mais importante”, diz.

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Brasil

Glenn Greenwald diz que os vazamentos continuarão

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, classificou como atentado à liberdade de imprensa as notícias de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, estaria, por meio da Polícia Federal, investigando a sua vida e de outros profissionais do site. Greenwald disse que não tem medo e que continuará publicando novos vazamentos.

“Há notícias de que ele está investigando e ele nunca negou. Isso mostra a mentalidade do ministro. Ele quer que fiquemos com medo e apreensão. Não temos medo nenhum. Continuamos publicando depois disso. Vamos continuar publicando”, disse.

Greenwald foi convidado pela CCJ, a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para falar sobre os vazamentos de conversas entre o ex-juiz e atual ministro Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, e outros procuradores, pelo aplicativo Telegram.

O jornalista contou que recebeu as informações de uma fonte que não quer ser revelada e ressaltou que a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas garantem o sigilo.

“Eu li a Constituição brasileira que protege e garante exatamente o que estamos fazendo e confio muito nas instituições brasileiras para aplicar e proteger esses direitos. O clima que o ministro está tentando criar é de uma ameaça à imprensa livre”, disse.

Glenn, que é também advogado formado nos Estados Unidos, disse ter ficado chocado ao ler o material pela primeira vez.

“Eu tinha nas minhas mãos a evidência mostrando que o tempo todo Sergio Moro estava não só colaborando com os procuradores, mas mandando na força-tarefa da Lava Jato”, relatou.

Em sua exposição inicial, o jornalista também lamentou a baixa presença de senadores, em especial do partido do governo, que, segundo ele, o atacam virtualmente mas não compareceram para debater.

“Eu gostaria muito de discutir frente a frente essas acusações falsas que eles estão espalhando quando não estou presente e esta é uma oportunidade para discutir essas acusações na minha cara, para examinar se elas são falsas ou verdadeiras, mas infelizmente eles não estão aqui para fazer isso”, apontou.

O jornalista americano reforçou ainda que não está à serviço de nenhum partido ou político:

“Eu sou jornalista, não sou político. Não tenho fidelidade com qualquer partido. Publicamos artigos criticando partido de direita e de esquerda, inclusive o do meu marido [David Miranda, do PSOL-RJ]. Somos independentes. Estamos defendendo os princípios cruciais e fundamentais para uma democracia: a imprensa livre”, reforçou.

Vazamentos

Desde o dia 9 de junho, o The Intercept Brasil, em parceria com outros veículos, vem revelando uma série de conversas privadas que, segundo Greenwald, mostram Moro e procuradores, principalmente Deltan Dallagnol, combinando estratégias de investigação e de comunicação com a imprensa no âmbito da Operação Lava Jato.

Vencedor do prêmio Pulitzer por ter revelado, em 2013, um sistema de espionagem em massa dos EUA com base em dados vazados por Edward Snowden, Glenn Greenwald destacou que à época sua credibilidade não foi posta em xeque.

“Pelo contrário, vim ao Senado e todo mundo nos parabenizou porque todo mundo aqui no Brasil conseguiu perceber porque essa reportagem era tão importante. Ninguém ameaçou a gente naquela época, e que deveríamos ser investigados ou presos. Pelo contrário, fomos premiados”, destacou.

*Com informações da Agência Senado

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