Mundo

China aciona OMC contra tarifas impostas pelos EUA

(ANSA) – A China depositou uma queixa junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as últimas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que visam afetar US$300 bilhões em importações de bens chineses. A informação foi anunciada pelo Ministério do Comércio nesta segunda-feira (2), um dia depois das novas taxas entrarem em vigor.

Em comunicado, a pasta assegura que Pequim está muito insatisfeito e “defenderá firmemente seus legítimos direitos e interesses”, o sistema comercial multilateral e a ordem do comércio internacional, em conformidade com as regras da OMC. Segundo o Ministério do Comércio chinês, as tarifas “violam seriamente” o consenso alcançado pelos chefes de Estado dos dois países em Osaka, durante a cúpula do G20, em junho.

Os Estados Unidos, por sua vez, rejeitaram o pedido da China de adiar as tarifas iniciadas no último dia 1º de setembro, o que complica ainda mais as relações entre as duas superpotências. A decisão é o mais novo capítulo na escalada de tensão comercial entre EUA e China que teve início há mais de um ano.

No início de agosto, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma tarifa adicional de 10% sobre US$300 bilhões em produtos chineses, podendo ser aumentada até 25%. A decisão fez Pequim responder e impor taxa contra US$75 bilhões. Como nova retaliação, Trump elevou de 10% para 15% as tarifas sobre os US$300 bilhões e de 25% para 30% a outros US$250 bilhões.

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Mundo

Trump rompe trégua e anuncia novas tarifas contra China

(ANSA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (5) que aumentará de 10% para 25% a taxa de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses a partir da próxima sexta-feira (10).

A medida chega após mais uma rodada de negociações entre os dois países em Pequim para encerrar a guerra comercial iniciada por Trump em 2018. Desde o ano passado, a China paga uma sobretaxa alfandegária de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos de alta tecnologia e de 10% sobre US$ 200 bilhões em outros itens.

“Os 10% subirão para 25% na sexta-feira. US$ 325 bilhões em produtos adicionais enviados pela China permanecem sem taxas, mas em breve terão uma tarifa de 25%”, disse o presidente no Twitter.

Segundo Trump, as negociações com o país asiático estão avançando “muito lentamente”. “Eles estão tentando renegociar. Não!”, acrescentou. Pequim já impõe uma sobretaxa recíproca de 10% contra US$ 110 bilhões em produtos americanos e pode anunciar uma nova retaliação.

Os dois países estavam em trégua na guerra comercial desde 1º de dezembro, mas não conseguiram chegar a um acordo para encerrar a disputa tarifária. O objetivo de Trump é diminuir o déficit comercial com a China, que fechou 2018 em US$ 419 bilhões.

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Economia

Brasil pode “aproveitar” tensões comerciais entre EUA e China

A ameaça da China de impor tarifas sobre a soja dos EUA pode ser uma boa notícia para os ‘agricultores rivais’ no Brasil.

O espectro de uma guerra comercial iminente entre as maiores economias do mundo fez com que os preços da soja brasileira subissem – atingindo seu nível máximo em 21 meses, informa os analistas da Commerzbank.

Os agricultores brasileiros poderiam ser os vencedores de longo prazo se a China e os EUA se envolverem em uma guerra comercial. Na verdade, ao ameaçar a China com tantos impostos, o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia apoiar involuntariamente as ambições do Brasil de dominar o mercado mundial de exportações agrícolas e os objetivos de Pequim de estreitar os laços com a América Latina.

A China já é o principal parceiro comercial do Brasil e está se tornando um grande investidor, tendo injetado quase 21 bilhões de dólares no Brasil no ano passado. A vizinha Argentina, o terceiro maior produtor de soja do mundo, também poderia se beneficiar.

importação da soja

Foto: Pixabay

O Brasil produziu 114,1 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17, das quais exportou para a China cerca de 47%. Enquanto isso, os EUA produziram 116,9 milhões de toneladas, das quais exportou para a China cerca de 31%. Juntamente com a Argentina, que produziu 57,8 milhões de toneladas no mesmo período, os três países produziram a maior parte da produção mundial de soja.

“A Argentina poderia ser outra opção para a China se quiser reduzir sua dependência dos EUA”, revelam os analistas. Gustavo López, que lidera a consultoria de Buenos Aires Agritrend, argumentou que, no curto prazo, se os EUA parassem de exportar soja para a China, o Brasil e a Argentina provavelmente se beneficiariam de um aumento nos preços.

“Mas, sendo a principal fornecedora mundial de produtos refinados, como óleo de soja e farinhas, a Argentina pode ser afetada pelo aumento da concorrência nesses mercados a médio e longo prazo, caso os EUA comecem a produzir esses produtos”, argumentou Lopez.

Em qualquer caso, Lopez questionou se a China tomaria medidas concretas sobre as tarifas de curto prazo, já que depende dos três produtores estrangeiros de soja. “A China não pode se dar ao luxo de depender apenas da Argentina e do Brasil”, disse ele.

safra de soja grãos

Foto: Pnm Ralex / Pixabay

Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil, revelou ao El Financeiro que o Brasil tem capacidade para dobrar a produção de soja se estender as plantações para as vastas pastagens degradadas do país. “O Brasil tem capacidade de produção, e possui tecnologia e área para isso”, afirmou.

TS Lombard disse em seu relatório que uma possível tarifa chinesa sobre as importações de carne suína dos EUA também poderia beneficiar os produtores brasileiros de carne suína, embora eles ainda sejam fornecedores relativamente pequenos e suas exportações tenham sido afetadas por um escândalo interno relacionado às inspeções sanitárias. A indústria de carne brasileira também poderia se beneficiar.

A China tem antecipado esta associação mais próxima com fornecedores agrícolas brasileiros através de maiores investimentos na infra-estrutura arruinada do país latino-americano.

“No acordo mais importante, a China Merchants Porto adquiriu uma participação de 90 por cento do Terminal de Contêineres de Paranaguá, o segundo porto brasileiro mais ativo em termos de volume, 2,9 bilhões de reais (924 milhões de dólares)”, disse TS Lombard.

Mas outros alertam que, embora o Brasil viesse a ganhar em alguns setores, a reorganização do sistema de comércio multilateral do presidente Trump poderia ser prejudicial ao longo do tempo para a América Latina.

“A tática de Trump foi forçar os parceiros comerciais a entrar em negociações bilaterais e depois tentar forçá-los a fazer concessões”, disse Rodrigo Lima, diretor geral da Agroicone, uma consultoria de comércio e agricultura.

Os EUA pareciam dispostos a dar ao Brasil uma isenção das tarifas de aço, por exemplo, mas Washington gostaria de receber algo em troca, disseram analistas, como a entrega da estrela industrial brasileira, a fabricante de aeronaves comerciais Embraer, à Boeing. “Trump define uma posição extrema e a partir daí começa a negociar”, disse Lima.

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