Mundo

OMC autoriza China a taxar US$ 3,6 bi em produtos dos EUA

(ANSA) – A Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou a China a impor sobretaxas alfandegárias contra até US$ 3,6 bilhões em importações de produtos dos Estados Unidos.

A medida é resultado de uma arbitragem iniciada há seis anos, antes da guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump, e diz respeito a uma série de ações antidumping instituídas pelos EUA contra mercadorias chinesas.

Os dois países já travam uma guerra tarifária que atinge centenas de bilhões de dólares em importações, mas todas as medidas até aqui haviam sido tomadas fora do âmbito da OMC, que ajuda a resolver disputas comerciais.

Pequim questionava 40 ações antidumping dos Estados Unidos, que justificavam as medidas com o argumento de que bens chineses eram vendidos no país abaixo do valor de mercado, como lâminas de diamante, móveis, camarões, pneus e painéis solares.

A OMC acatou as reclamações da China contra 25 medidas antidumping dos EUA, calculando o valor da retaliação em US$ 3,6 bilhões.

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Economia

Quem ganha e quem perde com a guerra comercial entre a China e os EUA

A tarifa imposta pelo governo dos EUA às importações de aço e alumínio foram a gota d’água que causou a guerra comercial. A China decidiu responder a essa medida na mesma moeda, impondo US $ 3 bilhões em tarifas sobre 128 produtos norte-americanos. O conflito ameaça afetar muitos páises, embora também beneficie outros mercados.

Alguns dos principais “perdedores” serão aqueles que fornecem à China peças e componentes para produtos que Pequim vende para os Estados Unidos, segundo informa o South China Morning Post. Estes incluem países como a Coréia do Sul, Vietnã, Malásia e a região chinesa de Taiwan.

Até o Japão poderia assumir riscos, já que no ano passado exportou quase 700 bilhões de dólares, principalmente para a China e os EUA. Carros, equipamentos eletrônicos, computadores, ferro e aço foram suas principais vendas – artigos que estão no centro da guerra comercial.

Em risco

Por outro lado, se a China responder favoravelmente ao pedido da Casa Branca de reduzir seu superávit comercial em US $ 100 bilhões, poderá começar a comprar chips produzidos nos Estados Unidos, o que preocupa as autoridades sul-coreanas, japonesas e taiwanesas, pois, para tanto, deixaria de lado seus fornecedores asiáticos.

Enquanto isso, em Hong Kong eles estimam que a disputa poderia afetar um em cada cinco empregos. “O livre comércio é uma base importante para nosso sucesso”, explicou o secretário de finanças da cidade, Paul Chan Mo-po.

Aqueles que celebram a disputa

safra de soja grãos

Foto: Pnm Ralex / Pixabay

Parar de importar produtos dos EUA forçaria as autoridades chinesas a procurar novos vendedores e uma de suas principais demandas será a soja, já que os EUA impuseram uma nova taxa de 25%. Diante desse cenário, a Argentina e o Brasil esperam tornar-se fornecedores do maior comprador mundial dessa safra.

“A agricultura é uma das áreas que a China usará para atacar Trump”, diz o economista Allan von Mehren. Neste sentido, o especialista em política internacional da Universidade Federal de Vladivostok, Artyom Lukin, acredita que a Rússia poderia compensar parte do déficit na oferta de soja.

Outro alimento afetado pela disputa é o porco, então a queda nas vendas nos Estados Unidos resultaria em uma vantagem para os produtores russos, dinamarqueses, alemães e espanhóis.

Aeronaves, aço e alumínio

aço e alumínio

Foto: Emir Krasnic / Pixabay

A produção do gigante asiático também será afetada pela guerra comercial, por isso, no caso dos aviões, a China poderá deixar de comprar o Boeing e redirecionar o olhar para o Airbus europeu.

Finalmente, em relação ao aço e ao alumínio, as tarifas estabelecidas pelo governo Donald Trump poderiam fazer com que Pequim buscasse novos mercados para colocar sua produção, com o consequente corte de seus lucros devido ao excesso de estoque. “Essa redução de preço beneficiaria, entre outras, as Filipinas”, estimou o seu secretário de Comércio, Ramon Lopez.

Além das especulações sobre quais países se beneficiariam, vale lembrar o ditado que diz: “Em uma guerra comercial, ninguém vence“.

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