Ciência

Nível do mar sobe com velocidade 2,5 vezes maior do que a do século 20, diz estudo

O aquecimento global tem aumentado a temperatura dos oceanos e o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo nas regiões polares e montanhosas do planeta. Essa combinação de fatores tem levado a um aumento do nível do mar e, consequentemente, da frequência e intensidade dos eventos extremos costeiros, como inundações.

As conclusões são de um relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) sobre oceano e criosfera – as partes congeladas do planeta.

Um sumário para formuladores de políticas foi lançado quarta-feira (25), em Mônaco, dois dias após a abertura da Cúpula do Clima em Nova York, nos Estados Unidos, em que líderes mundiais foram pressionados a implementar medidas mais ambiciosas para combater o aquecimento global.

“O oceano e a criosfera estão ‘esquentando’ em decorrência das mudanças climáticas há décadas e as consequências para a natureza e a humanidade são amplas e severas”, declarou Ko Barret, vice-presidente do IPCC.

“As rápidas mudanças no oceano e nas partes congeladas do nosso planeta estão forçando tanto as pessoas das cidades costeiras como de comunidades remotas do Ártico a alterar fundamentalmente seu modo de vida”, afirmou.

derretimento das geleiras da antártida

De acordo com o documento, aprovado pelos 195 países membros do IPCC, o nível do mar subiu globalmente em torno de 15 centímetros (cm) durante todo o século 20 e, atualmente está subindo a uma velocidade duas vezes e meia maior – a 0,36 cm por ano. E esse ritmo está acelerando.

Mesmo que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) fossem bastante reduzidas e o aquecimento global limitado a bem menos que 2 ºC dos níveis pré-industriais, o nível do mar subiria entre 30 e 60 centímetros até 2100.

Se as emissões de GEE continuarem aumentando fortemente, o nível do mar pode subir entre 60 e 110 centímetros no mesmo período, de acordo com as projeções dos cientistas autores do documento.

“Nas últimas décadas, a taxa de aumento do nível do mar se acelerou devido ao aumento crescente do aporte de água proveniente do derretimento das geleiras, principalmente na Groenlândia e na Antártica, e da expansão da água do mar pelo aumento da temperatura marinha”, disse Valérie Masson-Delmotte, diretora de pesquisa da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atômica da França e copresidente do grupo de trabalho 1 do IPCC.

Eventos extremos

A elevação do nível do mar aumentará a frequência de eventos extremos que ocorrem, por exemplo, durante a maré alta e tempestades intensas. “As indicações são de que, com qualquer grau de aquecimento adicional, eventos que ocorreram uma vez por século no passado acontecerão todos os anos em meados do século 21 em muitas regiões, aumentando os riscos para muitas cidades costeiras baixas e pequenas ilhas”, prevê o relatório.

As ondas de calor marítimas também dobraram em frequência desde 1982 e estão aumentando em intensidade. A frequência desses eventos será 20 vezes mais alta em um cenário de 2 °C de aquecimento, em comparação com os níveis pré-industriais. Elas podem ocorrer 50 vezes mais frequentemente se as emissões continuarem a aumentar fortemente, aponta o relatório.

“Várias abordagens de adaptação já estão sendo implementadas, muitas vezes em resposta a inundações, e o relatório destaca a diversidade de opções disponíveis para cada contexto”, afirmou Masson-Delmotte.

Segundo a cientista, a nova avaliação também revisou para cima a contribuição projetada da camada de gelo da Antártica para o aumento do nível do mar até 2100 em um cenário de altas emissões de GEE.

Declínio de geleiras

“As projeções da elevação do nível do mar para 2100 e além estão relacionadas a como os mantos de gelo reagirão ao aquecimento, especialmente na Antártica. Ainda há grandes incertezas”, ponderou.

Os 670 milhões de pessoas que vivem em regiões montanhosas estão cada vez mais expostos aos riscos de avalanches e inundações e mudanças na disponibilidade de água pelo declínio de geleiras, neve, gelo e permafrost – solo permanentemente congelado –, aponta o relatório.

Em cenários de alta emissão de GEE, estima-se que geleiras menores encontradas, por exemplo, na Europa, nos Andes e na Indonésia poderão perder mais de 80% de sua massa de gelo atual até 2100.

À medida que as geleiras das montanhas recuam, também são alteradas a disponibilidade e a qualidade de água para onde se dirige a corrente (a jusante), com implicações para setores como agricultura e energia hidrelétrica, ressaltam os cientistas.

No Ártico, a extensão do gelo marinho também está diminuindo gradativamente a cada mês do ano. Uma parte expressiva dos quatro milhões de pessoas que vivem permanentemente na região – especialmente povos indígenas – já ajustou suas atividades de caça, por exemplo, à sazonalidade das condições de terra, gelo e neve, e algumas comunidades costeiras já estão se deslocando.

“Limitar o aquecimento ajudaria essa população a se adaptar às mudanças no suprimento de água e aos riscos, como deslizamento de terra”, disse Panmao Zhai, co-presidente do grupo de trabalho I do IPCC.

Maior absorção de calor

O aquecimento global já atingiu 1 ºC acima do nível pré-industrial, devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Até o momento, o oceano absorveu mais de 90% do excesso de calor no sistema climático e, em 2100, absorverá entre duas e quatro vezes mais calor do que nos últimos 40 anos se o aquecimento global for limitado a 2 °C e até cinco a sete vezes mais com emissões mais altas, estimam os cientistas.

O oceano também absorveu entre 20% e 30% das emissões de dióxido de carbono induzidas pelo homem desde 1980, causando a sua acidificação.

A captação contínua de carbono pelo oceano até 2100 exacerbará esse fenômeno provocado pelo aumento da concentração e da dissolução de dióxido de carbono, que diminui o pH da água superficial, elevando a acidez e causando a destruição de recifes de corais, por exemplo.

O aquecimento e a acidificação dos oceanos, a perda de oxigênio e as mudanças nos aportes de nutrientes já estão afetando a distribuição e a abundância da vida marinha em áreas costeiras, em mar aberto e no fundo do mar.

No futuro, algumas regiões, principalmente os oceanos tropicais, sofrerão reduções adicionais, alerta o relatório.

“Reduzir as emissões de gases de efeito estufa limitará os impactos nos ecossistemas oceânicos. Diminuir outras pressões, como a poluição, ajudará ainda mais a vida marinha a lidar com mudanças no ambiente”, disse Hans-Otto Pörtner, pesquisador da University of Bremen, na Alemanha, e copresidente do grupo de trabalho 2 do IPCC.

(Elton Alisson | Agência FAPESP)

Read More...

Destaques, Meio Ambiente

Derretimento nas geleiras da Antártida pode “atrasar” o aquecimento global

Várias investigações mostraram que as geleiras da Antártida tem derretido a uma velocidade cada vez mais rápida ao longo dos anos. Isto tem duas possíveis consequências: uma ligeiramente positiva e outra que pode ser devastadora.

Especificamente, um estudo recente sugere que o derretimento do gelo na Antártida poderia atrasar o processo de aquecimento da atmosfera da Terra. No entanto, estima-se que isso pode significar que nos próximos 80 anos, o nível do mar irá aumentar mais de um metro.

Antártida está derretendo, o que poderia atrasar o aquecimento global

O gelo na Antártica está derretendo a uma taxa crescente. Isso, de acordo com um estudo recente, poderia atrasar o aquecimento global; no entanto, esta notícia não é tão boa quanto parece. A esse respeito, especialistas dizem que, embora o derretimento do gelo possa reduzir a temperatura da atmosfera por 10 anos, isso pode acelerar o aumento do nível do mar, afetando o clima.

Para concluir isso, uma equipe de pesquisadores realizou uma série de modificações em um dos mais modernos modelos computacionais do clima, incluindo o fenômeno do derretimento do gelo na Antártida.

Dessa forma, observou-se que o aumento das temperaturas globais chegaria a 2 graus Celsius no ano de 2065, ao invés do ano de 2053. Isso significa que o derretimento do gelo na Antártica nos daria um período de carência de aproximadamente 10 anos com relação ao aumento das temperaturas atmosféricas.

No entanto, a situação pode ser pior do que parece, pois isso aceleraria o aumento do nível do mar e potencialmente mudaria o clima. Além disso, embora o aquecimento atmosférico seja mais lento, todo o planeta Terra continuará a aquecer como vem fazendo. Neste caso, o calor ficará preso nos oceanos. Sobre isso, Ben Bronselaer, o investigador principal do estudo, revela:

“O aquecimento global não será tão ruim quanto se pensava anteriormente; no entanto, o aumento do nível do mar será pior”.

Isso não é tão bom quanto parece

derretimento das geleiras da antártida

Em resumo, o derretimento das camadas de gelo na Antártida poderia retardar o processo de aquecimento global. Mesmo assim, isso não significa que o aquecimento global será completamente interrompido, porque calor adicional ficará preso nos oceanos. Em vez disso, esse processo tem o potencial de acelerar o aumento do nível do mal e mudar o clima da Terra.

Especificamente, os pesquisadores propõem que o derretimento na Antártica tem o potencial de alterar os padrões de chuvas terrestres. Nesse sentido, tudo parece indicar que o cinturão de chuva tropical se deslocará para o norte, aumentando a umidade no referido hemisfério. Por sua vez, isso tornará o clima um pouco mais seco no hemisfério sul.

Por fim, os pesquisadores destacam que, embora o aquecimento esteja atrasado, o planeta ainda está se aquecendo, só que agora temos um período de carência de mais de 10 anos. Para continuar a linha de pesquisa, os cientistas continuarão atualizando modelos climáticos e usando informações coletadas de flutuadores robóticos colocados no Oceano Antártico.

Read More...

Meio Ambiente

Antártida perdeu 3 trilhões de toneladas de gelo em 25 anos

(ANSA) – A Antártida perdeu 2,7 trilhões de toneladas de gelo em 25 anos, o que elevou o nível dos mares em 7,5 milímetros, revelou um estudo divulgado pela revista científica “Nature”.

Ainda de acordo com a publicação, que reuniu diversos relatórios sobre o continente, estima-se que, desde 1989, a perda de massa de gelo foi calculada ao menos 150 vezes, mas nunca com a precisão atual.

As novas informações “oferecem um quadro mais coerente a respeito de outros do passado”, explicou um dos autores da pesquisa, Giorgio Spada.

Além disso, com a ajuda de satélites, foi possível medir o aumento da taxa de fusão do gelo em certas regiões da Antártida, e verificou-se que “a aceleração foi sensível em alguns setores, como na zona ocidental”.

Observando-se relatórios de 1992 a 2017, estima-se que a Antártida tenha perdido de 53 bilhões a 159 bilhões de toneladas de gelo por ano e que na zona mais movimentada – na Península Antártica – a redução tenha sido de 7 bilhões e 33 bilhões de toneladas por ano.

Apesar dos dados alarmantes, agora é necessário compreender o fenômeno que ocorre ao redor do polo sul do planeta, para definir os quadros futuros para o continente, considerando que o derretimento total da Antártida poderia elevar o mar em 58 metros.

Read More...

Curiosidades

Água como combustível? Sim, este é o trem do futuro

A preocupação global sobre o meio ambiente fez com que os cientistas trabalhassem cada vez mais para desenvolver projetos sustentáveis, especialmente aqueles relacionados à energia limpa, ou seja, que não gera emissões de carbono, já que eles atacam a camada de ozônio e pioram a situação do aquecimento global.

Na Alemanha, um trem ecológico emitirá vapor de água

Um dos desenvolvimentos mais recentes é o trem do futuro criado pela empresa de engenharia Alstom, que funcionará com hidrogênio misturado com oxigênio. Espera-se que a ferrovia comece a operar a partir de 2021 na Alemanha.

De acordo com a empresa, serão construídos 14 trens livres de carbono denominados Coradia iLint, que podem viajar 1000 km com um tanque de hidrogênio completo. Este gás, misturado com oxigênio da atmosfera, dá origem à energia necessária e permite alcançar uma velocidade máxima de 140 km/h.

Os veículos apenas emitem vapores de água durante a operação, o que os torna uma alternativa ecológica ao diesel, pois não há emissões nocivas para o meio ambiente.

De acordo com Bernd Eulitz, membro do Conselho Executivo da empresa alemã Linde AG“o uso de hidrogênio para veículos ferroviários é um marco na aplicação de células de combustível para o transporte livre de emissões. Pela primeira vez, o acoplamento deste setor à infra-estrutura de hidrogênio será realizado dentro de um escopo significativo e de maneira economicamente viável. Este desenvolvimento impulsionará o estabelecimento de uma sociedade do hidrogênio e criará novas soluções para o armazenamento e o transporte de energia. Estamos orgulhosos de fazer parte deste projeto de inovação”.

Fonte: Alstom

Read More...

Meio Ambiente

Clima extremo está cada vez mais ligado ao aquecimento global

A Organização Meteorológica Mundial publicou uma análise detalhada do clima global do período 2011-2015 – os cinco anos mais quentes já registrados – e a pegada humana é cada vez mais visível nos eventos climáticos extremos com impactos perigosos e onerosos.

As temperaturas recordes foram acompanhadas pelo aumento do nível do mar e por declínios na extensão do gelo do Ártico, nas geleiras continentais e na cobertura de neve do hemisfério norte.

Todos estes indicadores climáticos confirmaram a tendência de longo prazo de aquecimento causada pelos gases de efeito estufa. O dióxido de carbono alcançou o marco significativo de 400 partes por milhão na atmosfera pela primeira vez em 2015, de acordo com o relatório da OMM que foi submetido à conferência de mudança climática da ONU.

O relatório O clima global 2011-2015 também examina se a mudança climática induzida pelo homem esteve diretamente ligada a eventos extremos individuais. Dos 79 estudos publicados pelo Boletim da American Meteorological Society entre 2011 e 2014, mais da metade revelou que as mudanças climáticas induzidas pelo homem contribuíram para o evento extremo em questão. Alguns estudos mostraram que a probabilidade de calor extremo aumentou 10 vezes ou mais.

“O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global bem abaixo de 2°C e perseguir esforços em direção a 1,5°C. Este relatório confirma que a temperatura média em 2015 já atingiu a marca de 1°C. Acabamos de ter o período de cinco anos mais quente nos registros históricos, com 2015 reivindicando o título de ano mais quente. Até mesmo esse recorde provavelmente será superado em 2016”, disse o Secretário-Geral da OMM, Petteri Taalas.

“Os efeitos das mudanças climáticas têm sido consistentemente visíveis na escala global desde a década de 1980: aumento da temperatura global, tanto sobre a terra como sobre o oceano; aumento do nível do mar; e derretimento generalizado do gelo. Aumentaram os riscos de eventos extremos, como ondas de calor, secas, chuvas recordes e inundações danosas”, disse Taalas.

O relatório destacou alguns dos eventos de alto impacto. Estes incluíram a seca da África Oriental entre 2010-2012, que causou um número estimado de 258.000 mortes adicionais e a seca de 2013-2015 no sul da África; inundações no Sudeste Asiático em 2011, que mataram 800 pessoas e causaram mais de US$ 40 bilhões em perdas econômicas; as ondas de calor de 2015 na Índia e no Paquistão, que reivindicaram mais de 4.100 vidas; o furacão Sandy em 2012 que causou US$ 67 bilhões em perdas econômicas nos Estados Unidos da América, e o tufão Haiyan que matou 7.800 pessoas nas Filipinas em 2013.

O relatório foi apresentado à Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. A escala de tempo de cinco anos permite uma melhor compreensão das tendências de aquecimento multianuais e eventos extremos, tais como secas prolongadas e ondas de calor recorrentes, se comparada a uma análise anual.

A OMM divulgará a sua avaliação provisória da situação do clima em 2016 no próximo 14 de novembro, para informar as negociações sobre mudanças climáticas que acontecem em Marrakesh, no Marrocos.

Destaques

Anomalia da média global de 5 anos da temperatura para 2011-2015 (em relação ao 1961-1990). A análise usa a HadCRUT4 produzida pelo Met Office Hadley Center em colaboração com a Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, Reino Unido.

Anomalia da média global de 5 anos da temperatura para 2011-2015 (em relação ao 1961-1990). A análise usa a HadCRUT4 produzida pelo Met Office Hadley Center em colaboração com a Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, Reino Unido.

Os cinco anos que vão de 2011 a 2015 foram os mais quentes nos registros globais para todos os continentes, com exceção da África (onde foi o segundo período mais quente). As temperaturas do período foram 0,57°C (1,03°F) maiores que a média para o período de referência padrão que vai de 1961 a 1990. O ano mais quente registrado até esta data foi 2015, durante o qual as temperaturas ficaram 0,76°C (1,37°F) acima da média de 1961-1990, seguido por 2014. O ano de 2015 foi também o primeiro ano em que as temperaturas globais foram mais de 1°C acima da era pré-industrial.

As temperaturas globais dos oceanos também estiveram em níveis sem precedente. A média mundial das temperaturas da superfície do mar para 2015 foi a mais alta registrada, com 2014 em segundo lugar. As temperaturas da superfície do mar para o período foram acima da média na maior parte do mundo, embora estivessem abaixo da média em partes do Oceano Antártico e do Pacífico Sul.

Um forte evento La Niña em 2011 e o poderoso El Niño de 2015/2016 influenciaram as temperaturas de anos individuais sem mudar a tendência de aquecimento subjacente.

Gelo e neve

O gelo do mar Ártico continuou seu declínio. Na média do período 2011-2015, a extensão do gelo do Ártico em setembro foi de 4,70 milhões de km2, 28% abaixo da média de 1981-2010. A extensão mínima de gelo de verão de 3,39 milhões de km2 em 2012 foi a menor já registrada.

Em contraste, durante grande parte do período 2011-2015, a extensão do gelo do mar na Antártida foi superior ao valor médio de 1981-2010, particularmente para o máximo de inverno.

O derretimento superficial de verão da manta de gelo da Groenlândia continuou acima dos níveis médios, com a extensão do derretimento do verão excedendo a média de 1981-2010 em todos os cinco anos de 2011 a 2015. As geleiras de montanha também continuaram a declinar.

A extensão da cobertura de neve do hemisfério Norte ficou bem abaixo da média em todos os cinco anos e em todos os meses de maio a agosto, continuando uma forte tendência descendente.

Aumento do nível do mar

Os oceanos se expandem à medida que se aquecem, resultando em aumentos global e regional do nível do mar. O aumento do conteúdo de calor oceânico é responsável por aproximadamente 40% do aumento observado no nível do mar global nos últimos 60 anos. Vários estudos concluíram que a contribuição das manchas de gelo continentais, particularmente da Groenlândia e da Antártida Ocidental, para o aumento do nível do mar está se acelerando.

No registro feito por satélites de 1993 até o presente, o nível do mar subiu aproximadamente 3 mm por ano, comparado com a tendência média de 1900 a 2010 (baseada em marégrafos) de 1,7 mm por ano.

Mudanças climáticas e condições meteorológicas extremas

Muitos eventos extremos climáticos e eventos climáticos registrados durante 2011-2015 foram mais provavelmente resultado de alterações climáticas induzidas pelo homem (antropogênicas). No caso de algumas temperaturas extremamente altas, a probabilidade aumentou em um fator de dez ou mais.

Os exemplos incluem o recorde de temperaturas sazonais e anuais nos Estados Unidos em 2012 e na Austrália em 2013, verões quentes na Ásia Oriental e Europa Ocidental em 2013, ondas de calor na primavera e outono de 2014 na Austrália, calor recorde anual na Europa em 2014 e uma onda de calor na Argentina em dezembro de 2013.

Os sinais diretos não foram tão fortes para extremos de precipitação (tanto altos como baixos). Em muitos casos, incluindo as inundações de 2011 no Sudeste Asiático, a seca 2013-2015 no sul do Brasil e o inverno muito úmido de 2013-2014 no Reino Unido, não foi encontrada evidência clara de influência da mudança climática antropogênica. No entanto, no caso das precipitações extremas no Reino Unido de dezembro de 2015, verificou-se que as mudanças climáticas tornaram tal evento cerca de 40% mais provável.

Resultados de estudos de atribuição de eventos climáticos às mudanças climáticas antropogêncas (Fonte: Bulletin of the American Meteorological Society and various other publications)

Resultados de estudos de atribuição de eventos climáticos às mudanças climáticas antropogêncas (Fonte: Bulletin of the American Meteorological Society and various other publications)

Alguns impactos foram relacionados ao aumento da vulnerabilidade. Um estudo da seca de 2014 no Sudeste do Brasil constatou que, desde 1940, ocorreram déficits pluviométricos semelhantes em outras três ocasiões, mas que os impactos foram exacerbados por um aumento substancial da demanda por água devido ao crescimento populacional.

Alguns eventos de longo prazo, que ainda não foram objeto de estudos formais de atribuição, são consistentes com as projeções de mudanças climáticas de curto e longo prazos. Estes incluem o aumento da incidência de secas plurianuais nas regiões subtropicais, tal como manifestada no período 2011-2015 no sul dos Estados Unidos, partes do sul da Austrália e, no final do período, na África Austral.

Houve também eventos, como as temporadas de secas intensas e quentes da Bacia Amazônica do Brasil em 2014 e 2015 que são motivo de preocupação como possíveis “pontos de inflexão” no sistema climático.

A Organização Meteorológica Mundial é a voz das Nações Unidas para o tempo, o clima e a água.

Read More...