Já imaginou ganhar uma renda mensal de US$ 2.522,00 (aproximadamente R$ 9 mil) sem precisar trabalhar ou fazer qualquer atividade? Essa era a proposta do referendo que foi a voto popular neste domingo (5) na Suíça. De acordo com os resultados das sondagens, a maioria dos suíços votaram contra a introdução de uma renda básica universal (UBI, sigla em Inglês) no referendo, informou a imprensa local.

78% dos eleitores se opuseram à iniciativa “quase utópica” de criar uma renda básica universal de 2.500 francos suíços (US$ 2.522) para adultos e 325 francos suíços (US$ 609) para as crianças.

A proposta não recebeu apoio do governo suíço nem da maioria dos partidos. Críticos atacam a iniciativa chamando-a de “sonho marxista”. “Se você pagar as pessoas para não fazer nada, ele não fará nada”, diz Charles Wyplosz, professor de economia do Instituto de Pós-Graduação de Genebra.

No entanto, a ideia de uma renda básica tem cada vez maior popularidade no mundo. Apesar das críticas, EUA, Canadá e alguns países africanos estudaram em algum momento a possibilidade de introduzir este rendimento garantido. Atualmente, a iniciativa é discutido na Finlândia e nos Países Baixos, que pretendem implementar experimentalmente em várias cidades.

A ideia de renda básica universal foi concebida pelo filósofo americano Thomas Paine no panfleto político ‘Justiça Agrária’, de 1797, ele disse que a produção nacional pertence a todos os cidadãos do país, o que significa que toda a gente tem o direito de uma porção da renda nacional total.

Proposta

Caso fosse aceita, a proposta faria da Suíça a primeira sociedade a desfrutar da prosperidade gerada pelo “dividendo digital”, afirmam apoiadores do projeto. Para os que defendem a ideia, a desassociação entre trabalho e renda será inevitável no futuro, pois cada vez mais a tecnologia está substituindo a atividade humana em países desenvolvidos.

Ainda de acordo com os defensores da proposta, a Suíça deveria se adiantar a essa tendência e libertar a capacidade humana das obrigações econômicas como meio de garantir “segurança e liberdade” aos seus cidadãos. De acordo com André Coelho, da BIEN – Basic Income Earth Network, ONG que defende uma renda universal incondicional, o projeto oferece “retorno positivo” porque traz “estabilidade aos cidadãos, mais paz de espírito, mais tempo para a família e para os amigos, incentivo e condições para seguir atividades próprias e voluntariados diversos”.

Economia

Privilegiada, a Suíça conta com uma renda per capita estimada em US$ 59 mil ao ano (R$ 211 mil) e taxa de desemprego inferior a 4%. Caso fosse aprovado, o projeto custaria aos cofres públicos 208 bilhões de francos (R$ 750 bilhões), para atender 6,5 milhões de adultos e 1,5 milhão de crianças.

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