STF homologa delação premiada de Lúcio Funaro

setembro 5, 2017 0 Por Rafael Nicácio
STF homologa delação premiada de Lúcio Funaro

O ministro da Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, homologou nesta terça-feira (5) a delação premiada do empresário e lobista Lúcio Funaro, que deve estremecer o mundo político em Brasília.

Ligado ao ex-deputado cassado Eduardo Cunha, Funaro deve citar diversos expoentes do alto escalão do governo e de pessoas ligadas ao PMDB. É ainda especulado que as denúncias atinjam, mais uma vez, o presidente Michel Temer e que elas sirvam para ser base de um novo pedido de investigação contra o mandatário pela Procuradoria-Geral da República.

A delação havia sido enviada para o STF na última semana, mas Fachin enviou o texto de volta pedindo alguns “ajustes” da PGR. No dia 31 de agosto, a delação voltou ao Supremo e agora foi homologada.

Michel Temer

michel temer

Foto: Beto Barata/PR

Os relatos e provas entregues por Funaro deverão ser incluídos pela PGR em uma eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer, por suposta obstrução de Justiça e organização criminosa.

O presidente passou a ser investigado pelos crimes com base na delação de executivos da JBS, homologada em maio por Fachin.

Segundo a PGR, Temer teria dado aval para a compra do silêncio de Funaro e de Cunha pelo dono da JBS, Joesley Batista.

Investigações

Uma das principais investigações sobre Funaro aponta cobrança de propina de empresas que buscavam empréstimos junto à Caixa Econômica Federal. Em um dos casos apurados, por exemplo, Eduardo Cunha é acusado de cobrar e receber R$ 52 milhões de construtoras, entre 2011 e 2014, para viabilizar o financiamento da revitalização do porto do Rio de Janeiro, projeto conhecido como Porto Maravilha.

Na delação, Joesley Batista também apontou interferência de Funaro na liberação de empréstimos para a JBS erguer a Eldorado Celulose.

O empresário disse ter pago propina para obter R$ 940 milhões do FI-FGTS para construção da fábrica. O FI-FGTS é um fundo administrado pela Caixa que investe recursos do FGTS em projetos de infraestrutura.

Segundo Joesley, Lucio Funaro o abordou e disse que soube que o grupo teria pedido financiamento ao FI-FGTS.

 Com informações da Agência ANSA*