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Rio de Janeiro é a cidade com o metro quadrado mais caro da América Latina, diz pesquisa

Foto: Divulgação

O Centro de Investigación en Finanzas de la Escuela de Negocios da Universidad Torcuato di Tella, da Argentina, publicou no mês passado uma pesquisa sobre o mercado imobiliário na América Latina mostrando que o Rio de Janeiro tem o metro quadrado mais caro da região, com um preço médio de US$ 3.663 (R$ 13.032, na cotação de maio).

Os dados sobre o Rio são maiores do que os publicados pelo Índice FipeZap em outubro do ano passado, quando a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) afirmou que o preço médio do metro quadrado na capital fluminense é de R$ 9.918.

Pelo levantamento da organização brasileira, o Leblon é o bairro mais caro do Brasil, cujo metro quadrado médio custa R$ 21.012. Em seguida estão Ipanema (R$ 19,744), a Lagoa (R$ 17.976) e a Gávea (R$ 17.078).

Depois do Rio, as cidades mais caras da América Latina são Santiago do Chile, com uma média de US$ 3.303 o m² (R$ 11.738), e Buenos Aires, na Argentina, cuja medida básica é vendida por cerca de US$ 3.059 (R$ 10.871).

Em seguida, ficam cidades como Montevidéu, no Uruguai (US$ 3 mil – R$ 10.661), São Paulo (US$ 2.523 – R$ 8.966), Cidade do México (US$ 2.519 – R$ 8.952), Lima, no Peru (US$ 2 mil – R$ 7.107), Cidade do Panamá (US$ 1.916 – R$ 6.809), Rosário (US$ 1.779 – R$ 6.322) e Córdoba (US$ 1.746 – R$ 6.204), ambas na Argentina, e Monterrey, no México (US$ 1.519 – R$ 5.398).

Segundo os dados, a Caracas é a capital mais barata para se viver hoje na região, com um metro quadrado avaliado em torno de US$ 519 (R$ 1.844), muito por causa das altas taxas de inflação, da desvalorização do bolívar – moeda local – frente ao dólar e da crise econômica que o país atravessa.

Depois de Caracas, imóveis mais baratos da região estão em Quito, no Equador (US$ 1.363 – R$ 4.843), Guadalajara, no México (US$ 1.409 – R$ 5.006) e Bogotá, na Colômbia (US$ 1.464 – R$ 5.201).

Retirando a capital venezuelana do cálculo pela situação atípica, os dados indicam que a média da América Latina é de um metro quadrado vendido por US$ 2.233 (R$ 7.935).

Para o professor do Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo, Eduardo Marques, a diferença de valores nos metros quadrados nas distintas cidades latino-americanas reflete o valor de uso da terra – elemento central na precificação dos imóveis.

“A terra urbana não tem custo de produção. Todas as terras estão ali dadas em diferentes lugares. O que define o valor é o ‘uso’ que se dá a ela. O uso, na cidade, é sempre associado a uma localização, o que faz com que seja possível falar em um conceito de uso-localização. Isso faz com que as empresas tenham preferências localizacionais, assim como os indivíduos, como é o caso de empreendimentos que pagam mais por espaços com maior fluxo de pessoas”, afirma.

“Os incorporadores são criadores de usos-locais. Para eles, o espaço é absolutamente central, porque é ele que produz localização. Por isso, o campo de estudos urbanos pesquisou tanto esse tipo de capital: ele é capaz de grandes processos de transformação da cidade. Se forem deixados sem regulação, eles vão desvalorizar o máximo possível um espaço para depois valorizá-lo e, assim, ganhar”, completa o professor.

O diretor de marketing da Brasil Brokers, uma das principais corretoras de São Paulo, Guilherme Blumer, concorda com Marques. Para ele, as cidades mais valorizadas são aquelas que possuem um uso-localização mais caro. “A terra urbana vale muito em determinados contextos e, no caso de São Paulo e do Rio, que são as principais metrópoles da região, é evidente que estejam entre as mais valiosas”.

De março de 2017 a março deste ano, a Cidade do México foi a que registrou o maior aumento no valor do metro quadrado na região, com um salto de 33%, seguida pela também mexicana Guadalajara (18%) e por Buenos Aires, na Argentina (15%). Os dados – que foram coletados a partir dos preços pedidos pelos anúncios de venda em lugares na Internet – podem ser acessados clicando aqui.

“O objetivo da pesquisa é conhecer o preço dos imóveis tipicamente habitados por jovens profissionais”, explica um trecho do documento. Os números ainda mostram que o metro quadrado na América Latina cresceu 6,9% em dólares no último ano e 4,4% em moeda local. A ideia da Universidade Torcuato di Tella é publicar uma atualização dos dados duas vezes por ano a partir de agora.

Segundo o diretor do Centro de Investigación en Finanzas da universidade, Juan José Cruces, Caracas vive situação contrária, com uma queda em dólares de 38,4% no preço dos imóveis. O Rio de Janeiro, com 10,2% de queda, e a Cidade do Panamá, com 5,1%, também viram seus metros quadrados baixarem no último ano.

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