Por que a Coréia do Norte odeia os EUA?

Por que a Coréia do Norte odeia os EUA?

abril 22, 2017 0 Por José Victor Castro

Em meio as ameaças de uma “guerra nuclear” contra os EUA, a Coréia do Norte volta a ser destaque no noticiário internacional.  Mas, que país é esse? Como vivem seus habitantes? Qual é sua história? E por que tanto ódio contra os EUA?

As respostas para tais perguntas podem ser respondidas se considerarmos o fato de que as relações atuais entre EUA e Coréia do Norte são fruto de uma história que começa no fim da segunda guerra mundial.

A divisão das Coreias 

No fim da segunda guerra mundial, a ex-União das Repúblicas Soviéticas e os EUA dividiram a Coréia em duas partes, sendo que o norte ficou com soviéticos e o sul com os americanos. Em 1948, foram instaurados novos governos nos dois países: Coréia do Norte (comunista) e Coréia do Sul (capitalista). O problema é que ambos ficaram insatisfeitos com a divisão, pois ainda queriam a unificação da Coréia.

Em 1950, China e União Soviética ajudaram os norte-coreanos a invadirem a Coreia do Sul. Tropas americanas, por sua vez, enviaram socorro ao seu território de influência. Assim começou a guerra da Coréia.

A Guerra da Coreia

Entre 1950 e 1953, houve um conflito armado entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul.  Os norte-coreanos eram apoiados pela União Soviética e China, enquanto que os sul-coreanos tinham o apoio dos EUA e outros países capitalistas. A principal causa do conflito era a divisão da Coréia, pois ambos os lados queriam a unificação.

Aproximadamente 4 milhões de pessoas morreram em conflitos sangrentos ocorridos no território coreano, sendo que a maioria dessas pessoas eram civis. Em 1953, a Coréia do Sul, apoiada pelos EUA,  apresentava várias vitórias militares.

Em julho de 1953, os EUA ameaçaram usar armas nucleares contra Coreia do Norte e China, caso a guerra não fosse finalizada com a rendição norte-coreana. Vale lembrar que em 6 e 9 de agosto de 1945 os EUA jogaram bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, o que proporcionava uma tensão mundial em relação as armas atômicas.  Em 27 de julho de 1953, o tratado de paz foi assinado e decretado a fim da guerra.

Com o fim da guerra, a Coréia continuou dividida entre Norte e Sul. Sendo assim, continuaram também atritos e a tensão entre os dois países. A Coréia do Sul continuou capitalista e com fortes relações com os americanos, já a Coréia do Norte, de regime comunista, ficou somente com a relação da China, pois houve a extinção da União Soviética.

Atualmente, Coréia do Norte é considerado o país mais fechado do mundo. Sobre seus líderes, sabe-se que o primeiro deles foi Kim Il-Sung, sucedido por Kim Jong-Il, que faleceu no dia 17 de dezembro de 2011. Nessa época, imagens da população norte-coreana aos prantos foram divulgadas em todo o mundo. Como só existem redes de televisão estatais no país, portanto há controle total do governo sobre o conteúdo, existia uma grande dúvida sobre a veracidade das imagens. Abaixo temos um dos vídeos divulgados:

https://www.youtube.com/watch?v=uSu2xkacwRI

As imagens das TVs estatais norte-coreanas sempre foram vistas com desconfiança pelo resto do mundo, mas hoje servem também como forma de conhecimento das ações governamentais divulgadas no país. Entre essas ações, está o discurso de que existe uma preparação militar contra os EUA, colocado como o maior inimigo pela contribuição militar dada à Coreia do Sul.

O atual líder é Kim Jong-Un,  que com apenas 26 anos substituiu seu pai Kim Jong-Il, falecido em 2011. Um meio-irmão de Kim Jong-Un, Kim Jong-Nam, foi assassinado em um aeroporto na Malásia no dia 13 de fevereiro de 2017. Imagens (ver vídeo) mostram uma mulher colocando um pano sobre o rosto de Kim Jong-Nam que, segundo informações divulgadas pelo governo da Malásia, continham a substância venenosa VX.  Kim Jong-Nam foi exilado da Coréia do Norte em 2003 e era conhecido por fazer críticas ao governo da família. Mesmo assim, no dia 31 de março de 2017, o corpo de Kim Jong-Nam foi entregue ao governo norte-coreano.

Forma de vida dos norte-coreanos

A jornalista Ana Paula Padrão, ainda a frente do telejornal SBT Brasil, visitou a Coréia do Norte em 2005. Numa série de reportagens, ela conta as dificuldades que encontrou de obter informações sobre a forma de vida dos norte-coreanos.

Muitas das dúvidas sobre a Coréia do Norte não podem ser respondidas com exatidão. Sendo assim, mesmo com recentes imagens de  jornalistas que adentraram no país, o universo norte-coreano é ainda pouco conhecido.

Enfim, mais do que saber sobre a vida na Coréia do Norte, os últimos acontecimentos nos cobram um questionamento mais prático e do qual depende a “tranquilidade” mundial : Será que a Coréia do Norte tem tanto poder militar quanto diz ter?

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