Ciência

Pesquisa da UFRN desenvolve polpa de fruta em pó com propriedades naturais

A professora da UFRN Maria de Fátima Dantas foi a pioneira na pesquisa com o umbu (Foto: Cícero Oliveira)

Uma pesquisa pioneira, iniciada e desenvolvida no Laboratório de Tecnologia de Alimentos da UFRN, estuda a obtenção da polpa de frutas em pó por meio de uma técnica simplificada que consegue manter grande parte das características naturais do produto. A intenção dos pesquisadores é oferecer um pó puro, composto 100% de fruta, totalmente solúvel em água gelada e que mantenha a maior parte dos benefícios naturais após a sua reconstituição, sem a adição de produtos químicos conservantes.

O produto final se diferencia da farinha de frutas ressecada, que já pode ser encontrada em supermercados, mas que peca por, na maioria das vezes, não ser hidrossolúvel e nem recuperar as qualidades da fruta após reidratada. A proposta da pesquisa é oferecer um pó diferenciado e nutritivo, com a vantagem de ser produzido a baixo custo.

A polpa de fruta em pó é estudada desde o fim da década de 1980 pela professora do departamento de Engenharia Química da UFRN, Maria de Fátima Dantas de Medeiros, responsável pelo estudo pioneiro que utilizou uma fruta regional de época, o umbu, na primeira tentativa de obter um pó com bom rendimento e reconstituição quase total após adição de água. O estudo se diferenciou por realizar a secagem em um equipamento alternativo chamado leito de jorro, que ofereceu 70% de rendimento após o processo, considerado altamente satisfatório.

O leito de jorro é um equipamento concebido originalmente para a secagem e processamento de grãos, mas, devido a algumas características fluidodinâmicas, foi o escolhido pela professora para dar continuidade a pesquisa na universidade. Nestas décadas de estudo, várias frutas regionais como acerola, seriguela, cajá, tomate, manga, pinha, abacate, cajá-manga, graviola, jambolão, açaí, entre outras, além de mistura de polpas, foram analisadas, com diferentes resultados e aproveitamentos.

Na evolução da pesquisa, a equipe passou a trabalhar também com resíduos de frutas, que seriam materiais descartados pelas fábricas de polpa de frutas congeladas. Essas empresas, após o envasamento e congelamento do sumo da fruta, descartam uma grande quantidade de resíduos formados por cascas, caroços e sementes. “Dependendo do tipo de resíduo, essa sobra que seria descartada, às vezes, chega a ser mais rica do que a própria polpa vendida no mercado ao consumidor final”, compara Maria de Fátima Medeiros.

O resíduo da acerola, por exemplo, que antes seria descartado, apresenta vitamina C, compostos fenólitos e atividade antioxidante. No processo realizado pelas indústrias de polpa congelada, as frutas passam por uma despolpadeira e as toneladas de resíduo podem ser descartadas no lixo comum, encaminhadas para compostagem ou doadas para ração de animais, entre outros fins que nem sempre atentam para o cuidado com o impacto ambiental.

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Resíduos doados pela indústria de polpa congelada servem como matéria-prima para pesquisa (Foto: Cícero Oliveira)

No laboratório, já foram desenvolvidas pesquisas com resíduos de cajá, umbu, acerola e pitanga. A mistura, secagem e transformação em pó de frutas tropicais como manga, umbu e seriguela já foi realizada com resultados considerados satisfatórios pela equipe. Nesse caso, a mistura de polpas em leito de jorro é acrescida de adjuvantes (lipídios, amido e pectina), visando a obter uma melhor performance do secador sem o comprometimento da qualidade sensorial, da composição do produto e sem adição de outros aditivos, como conservantes e aromas.

Nesse último caso, a professora Maria de Fátima cita que “a mistura reconstituída regenerou de forma satisfatória as características físico-químicas e propriedades físicas da mistura in natura. As perdas de vitamina C foram compatíveis com as verificadas em processos que envolvem o aquecimento de alimentos e que, quando incorporado a iogurtes naturais desnatados, os testes de degustação, aparência e odor indicaram boa aceitação do produto”.

Outras experiências utilizaram leite ou banana verde como complemento a algumas frutas de baixo desempenho no processo simplificado do leito de jorro e, com isso, conseguiram um produto diferenciado, a exemplo do uso de goiaba com leite e açaí com banana verde, que com a combinação de elementos permitiram um bom aproveitamento de material e produção de pó de excelente qualidade.

O pó originado desses produtos pode ser reidratado na forma de sucos, vitaminas, ingrediente para enriquecimento de bolos, tortas, saborização de iogurtes e açaí e apresenta a praticidade como uma de suas grandes vantagens por ser facilmente transportado e preparado apenas na hora do consumo, mantendo o sabor, cheiro e grande parte de suas características naturais e benefícios.

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