“Não me deixe morrer, doutor”: médico judeu relata difícil experiência ao salvar vida de neonazista

“Não me deixe morrer, doutor”: médico judeu relata difícil experiência ao salvar vida de neonazista

“Não me deixe morrer, doutor”: médico judeu relata difícil experiência ao salvar vida de neonazista

Rafael Nicácio dezembro 7, 2020 Mundo

Um médico judeu contou sua difícil experiência ao salvar a vida de um paciente neonazista em um pronto-socorro de hospital em Sacramento, Califórnia, EUA. A história foi recentemente compartilhada no Twitter.

De acordo com o doutor Taylor Nichols, o homem lutou para respirar enquanto implorava ajuda ao pessoal de saúde. O médico também comentou que o paciente tinha uma suástica tatuada no peito, marcas da Schutzstaffel (SS), organização militar a serviço de Adolf Hitler e outras insígnias do nazismo.

Entre outros detalhes, foi revelado que o indivíduo não tinha dentes e estava aparentemente com problemas de saúde devido ao uso de metanfetaminas ao longo dos anos.

“Não me deixe morrer, doutor”, o homem implorou quando estava na maca do hospital.

Embora Nichols tenha prometido que faria todo o possível, na rede social confessou que por um momento se questionou se realmente queria cumprir os juramentos de sua profissão. Ele lembrou que não sabia se a vida daquele paciente importava para ele. “Não senti pena dele naquela época”, disse ao San Francisco Chronicle.

Porém, o médico iniciou o procedimento de intubação para fornecer suporte respiratório, perguntando-se o que o paciente pensaria se soubesse que um médico judeu estava cuidando dele ou se ele teria se importado com sua vida caso os papéis fossem invertidos.

“Já enfrentei essas situações inúmeras vezes, desde a faculdade de medicina. Não a intubação, que é rotina no momento para mim e minha equipe. As suásticas. Os pacientes racistas. A cada oportunidade fico um pouco chocado, mas entrei nesse trabalho querendo salvar vidas”, twittou Nichols.

Finalmente, o médico disse ao jornal local que o sujeito provavelmente tinha covid-19 e não sabia se havia sobrevivido nos dias seguintes.

Da mesma forma, na série de publicações no Twitter, o especialista garantiu que os profissionais de saúde vivem em um “ciclo de medo e isolamento”, destacando o grande esforço que fazem durante a pandemia pelo medo de adoecer, transportando o vírus para suas casas, expondo suas famílias, perdendo seus colegas e o surgimento de mais pacientes.

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