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Mercado de coisas usadas do Japão já se reflete no PIB do país

O governo japonês divulgou no mês passado que o PIB do primeiro trimestre do país registrou a primeira retração após nove períodos seguidos em alta: entre janeiro e março de 2018, o Japão teve queda de 0,2% em sua produção bruta em relação ao período anterior. No ano, a contração é de 0,6%.

Para os analistas, os números são reflexo dos gastos com consumo no país, que estão em um processo de mudança por causa das preferências das pessoas. Muitas delas, especialmente os jovens, vão na contramão no mercado japonês e estão preferindo comprar produtos mais baratos de segunda mão. Essa nova característica é, para eles, o que está levando ao menor volume de dinheiro no varejo.

Em março, a rede de TV NHK fez uma pesquisa perguntando às pessoas se elas ainda estavam relutantes em comprar coisas usadas: 49% delas responderam não ver nenhum problema nesse tipo de comércio.

Os dados corroboram a pesquisa: segundo a revista especializada em negócios de reciclagem The Reuse Business Journal, os consumidores no mundo gastaram cerca de US$ 16 bilhões (R$ 59,8 bilhões) em bens usados em 2016. Os números, que excluem as trocas de carros e casas usadas, cresceram cerca de 40% em cinco anos. A publicação diz esperar um crescimento para US$ 17,7 bilhões (R$ 66 bilhões) até 2020.

Alguns especialistas dizem que a frugalidade dos jovens consumidores está direcionando o mercado de bens usados para um novo patamar no Japão. De acordo com uma pesquisa do governo no ano passado, o número de pessoas de 20 ou 30 anos que escolhem guardar dinheiro ao invés de gastá-lo está crescendo: em 2017, correspondia a 60% dos entrevistados.

O país, vale dizer, é o líder mundial de remessas de produtos de segunda mão para outros países, principalmente automóveis. Só a prefeitura de Okinawa, na Ilha de Kyushu, exporta cerca de 10 mil carros usados por ano para países do sudeste asiático e do Oriente Médio. Os negócios são feitos em um leilão ao vivo em que compradores em outro continente podem ofertar e até vistoriar os veículos que, em seguida, são enviados por navio para seus respectivos países.

Por outro lado, os produtores e varejistas sofrem quando itens novos não são vendidos. O governo admite que a preferência por mercadorias já usadas puxou o PIB para baixo no primeiro trimestre. No mês passado, a loja de departamento Mitsukoshi, em Nagoya, adotou uma estratégia para conter o fenômeno: ela se ofereceu para comprar louças, roupas e outros itens usados.

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