Ciência

“Maternidade Januário Cicco” participa de estudo para desenvolver vacina inédita

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Febre, calafrios e dores no corpo são sintomas de gripe. Se um adulto sofre com tudo isso, imagine uma criança. Mas se esses sinais vêm acompanhados de dificuldade para respirar, os pais devem ficar de olho, pois pode ser uma infecção causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O VSR causa sintomas muito semelhantes a doenças comuns do período seco e frio em pessoas jovens e adultas, mas pode causar pneumonia em bebês e crianças menores de cinco anos. Isso aumenta a morbidade e mortalidade infantil e é responsável por até 75% das internações por bronquiolite e 40% das hospitalizações por pneumonia durante os meses do inverno.

Atualmente, a vacina Palivizumabe é a melhor forma de prevenção contra essa doença. Mas uma companhia farmacêutica multinacional britânica, produtora de produtos biológicos, sediada em Londres, está desenvolvendo uma pesquisa clínica com o objetivo de testar uma nova vacina para ser aplicada em mulheres grávidas ou lactantes, com o objetivo de proteger o bebê. O estudo será realizado em nove países, incluindo o Brasil. No Rio Grande do Norte, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) fará parte do esforço internacional.

A população total incluída no estudo chega a até 2.300 mulheres grávidas e seus recém-nascidos, que serão acompanhados por um período de 12 meses. Durante este tempo de vigilância de um ano após o nascimento, para cada infecção do trato respiratório (ITR) com suspeita de dificuldades de respiração, ou chiado, uma coleta nasal será feita em uma visita para avaliar possíveis doenças associadas ao VSR.

Atualmente, o processo está em fase de análise de documentos para aprovação junto aos comitês de pesquisa, de forma que a MEJC esteja liberada para fazer parte da pesquisa como campo de estudo.

Riscos do VSR

Segundo a médica Fabiana Ariston, que atua na maternidade como infectologista pediátrica, lactentes com menos de seis meses de idade, principalmente prematuros, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade e cardiopatas são a população de maior risco para desenvolver infecção respiratória mais grave, necessitando de internação por desconforto respiratório agudo em 10% a 15% dos casos. “Nesta população, as condições associadas ao desenvolvimento de doença grave são decorrentes do sistema imune imaturo, reduzida transferência de anticorpos maternos e menor calibre das vias aéreas, da baixa reserva energética, frequente desmame precoce, anemia, infecções de repetição e uso de corticoides, tornando-se mais suscetíveis à ação do VSR”, explica.

De acordo com a especialista, a prematuridade é um dos principais fatores de risco para hospitalização pelo VSR. Em prematuros com menos de 32 semanas de idade gestacional, a taxa de internação hospitalar é de 13,4%.

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