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Investir na malha ferroviária seria uma saída para o Brasil?

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Nos últimos dez dias, o transporte de cargas foi altamente afetado pela greve constituída por caminhoneiros em protesto ao aumento dos valores dos combustíveis – principalmente da gasolina e do diesel. Com proporção nacional, a paralisação afetou serviços em todo o país e trouxe um prejuízo econômico estimado em R$ 10,2 bilhões em diversos setores, de acordo com dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo.

A logística de distribuição de bens de consumo no Brasil é predominante realizada pelas rodovias, sendo que as ferrovias e hidrovias não são exploradas potencialmente. De acordo com dados de 2009 da Confederação Nacional de Transportes (CNT), 61,1% de toda a carga transportada no país usa o sistema modal rodoviário; 21,0% passaram por ferrovias, 14% pelas hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos e apenas 0,4% por via aérea. Além disso, de acordo com dados do Mapa da Logística de Transportes no Brasil, divulgado em 2014 pelo IBGE, a logística do transporte no território brasileiro apresenta predominância de rodovias, concentradas principalmente no Centro-Sul do país.

Uma ampla rede ferroviária favoreceria todo o processo produtivo e o fluxo de exportação, na qual geraria aproximadamente 30% de economia nos transportes. Por exemplo, um vagão graneleiro comporta, em média, 100 toneladas* de grãos, enquanto um caminhão bi-trem transporta apenas 36 toneladas.

O caos gerado pela greve expôs a falta de cobertura territorial da malha ferroviária, além da falta de investimento nesse modal, que possui mais capacidade de carregamento, economia em combustível e energia. Outro fator importante é a baixa produção de CO2, que diminui o impacto ambiental e é menos suscetível a ser alvo de criminosos. Além disso, contribui para a redução de problemas urbanos como congestionamentos e acidentes.

“Com esse cenário, temos a possibilidade de um transporte mais rápido, mais barato que poderia mudar os rumos da infraestrutura brasileira. É de extrema necessidade que se fomente o modal ferroviário para maior eficiência da logística. E, consequentemente o avanço econômico do país”, diz João Paulo Caldana, Diretor Geral da Dachser, uma das líderes globais na indústria de logística.

Reforçando essa perspectiva, em meio aos danos e o desespero da população em busca de gasolina, etanol e diesel, a cidade de Bauru, localizada no interior do estado de São Paulo, por exemplo, não ficou sem combustível devido ao abastecimento realizado por meio de trens que saem diretamente da Replan (Refinária de Paulínia). Enquanto isso, cidades localizadas em seu entorno ficaram sem o insumo.

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