EUA estão ‘a um passo de confronto com a Rússia’, diz premier

EUA estão ‘a um passo de confronto com a Rússia’, diz premier

abril 7, 2017 0 Por Romário Nicácio

O primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou em seu Facebook nesta sexta-feira (7) que, atacando a base militar síria, os Estados Unidos chegaram “a um passo de um confronto com a Rússia”.

“Os resíduos da névoa pré-eleitoral apareceram. Ninguém exagera o valor das promessas eleitorais, mas há um limite de decência além do qual a desconfiança é absoluta. O que é absolutamente triste para as nossas relações já absolutamente desgastados. E certamente é confortante para os terroristas”, acrescentou Medvedev.

Ataque

Os Estados Unidos atacaram a Síria na noite desta quinta-feira (6), lançando ao menos 50 mísseis, em um intervalo de poucos minutos, contra uma base aérea do regime de Bashar Al-Assad. Os disparos foram uma resposta ao ataque com armas químicas na província de Idlib. Os ataques não foram autorizados por congressistas, sendo uma autorização direta do presidente norte-americano. O bombardeio deixou 15 pessoas mortas, segundo a agência estatal “Sana”. O balanço incluiria seis soldados e nove civis. De acordo com o veículo, os mísseis norte-americanos não atingiram apenas a base, mas também habitações nos vilarejos próximos.

Até o momento, os Estados Unidos realizavam ações na Síria contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) e por meio de bombardeios aéreos também no Iraque com o apoio de uma coalizão internacional. Os disparos desta vez, porém, foram diretamente contra o regime sírio e representam uma mudança na política externa do governo do novo presidente Donald Trump, além de ser a ordem militar mais dura emitida pelo magnata desde que tomou posse, em janeiro.

Resposta

O conselheiro político de Bashar al Assad, Buthayna Shaaban, afirmou nesta sexta-feira (7) que a Síria e seus aliados “responderão de maneira apropriada” ao bombardeio dos Estados Unidos contra a base militar de Shayrat. Em entrevista à emissora pan-árabe “Al Mayadin”, Shaaban disse que Damasco continuará agindo em coordenação com a Rússia e o Irã, principais escudos do regime sírio.

O presidente da Síria, Bashar al Assad, disse que o bombardeio foi “imprudente” e “irresponsável”, segundo fontes ligadas a sua equipe.

Apoio

O governo de Israel afirmou na madrugada desta sexta-feira (7) que o país apoia completamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de lançar mísseis contra a Síria.

Em comunicado à imprensa, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que “tanto em palavras e atos, Trump enviou hoje uma mensagem clara e forte que o uso e a disseminação de armas químicas não serão tolerados”. “Israel apoia inteiramente a decisão do presidente norte-americano e espera que esta mensagem de determinação contra as ações horríveis do regime de Assad possa ressoar não só em Damasco, mas também no Teerã, Pyongyang, em qualquer lugar”, finalizou o comunicado.

Os líderes dos principais países da Europa demonstraram apoio ao bombardeio dos Estados Unidos contra a base militar síria de Shayrat, perto da cidade de Homs, mas advertiram o presidente Donald Trump de que a ação deve ser “limitada” para evitar uma escalada na tensão.

“A Itália compreende as razões de uma ação militar proporcional nos tempos e nos modos, como resposta a um inaceitável senso de impunidade”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano. Pouco depois, a posição foi reforçada pelo premier Paolo Gentiloni, que disse que a ação dos EUA foi motivada “por um crime de guerra”.

“Quem faz uso de armas químicas não pode contar com atenuantes e mistificações. A ação desta madrugada aconteceu na base aérea da qual tinham partido os ataques com uso de armas químicas. Contra um crime de guerra cujo responsável é o regime de Assad”, acrescentou o primeiro-ministro italiano durante uma coletiva de imprensa em Roma, logo após ter conversado por telefone com o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Por meio de um comunicado conjunto, os líderes das duas maiores potências da União Europeia culparam o presidente sírio pelo aumento das tensões no país. “França e Alemanha seguirão os esforços com seus parceiros dentro da ONU para sancionar de modo apropriado os atos criminosos e o uso de armas químicas vetado pelos tratados”, diz a nota.

Na última quinta (6), uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas terminou em fracasso após a Rússia ter obstruído uma resolução condenando Damasco pelo ataque químico. Contudo, apesar do apoio, os europeus ressaltaram a importância de retomar as negociações de paz na nação árabe.

“Os EUA definiram sua ação como pontual e limitada, não como etapa de uma escalada militar. Há um compromisso comum para que a Europa contribua para a retomada das negociações na Síria. Estou convencido de que as ações desta madrugada acelerarão a chance para a tratativa política”, salientou Gentiloni.

A opinião foi compartilhada pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel. “Tanto é compreensível o ataque militar dos EUA quanto é agora decisivo chegar a esforços comuns para a paz, sob a égide das Nações Unidas”, disse.

Menções de apoio à ação de Washington também vieram do Reino Unido, que desponta como maior aliado da Casa Branca no cenário internacional, e da Turquia, que tem papel importante no conflito sírio e pede a queda de Assad.

Segundo a imprensa britânica, a primeira-ministra Theresa May considera “adequada” a resposta norte-americana ao “bárbaro” ataque químico. Já o vice-premier turco, Numan Kurtulmus, chamou a operação de “positiva” e ainda afirmou que ela deveria continuar até a derrubada do regime.

Críticas

Os países que mais se opuseram ao ataque norte-americano foram a Rússia, principal escudo de Assad, e o Irã, que também luta para manter o presidente sírio no poder. Para Moscou, a ação química atribuída a Damasco foi apenas um “pretexto”, e a decisão de bombardear o país árabe já havia sido tomada antes do episódio de Idlib.

“Esse passo de Washington provoca um dano notável às relações russo-americanas, que já se encontram em um estado deplorável”, afirmou o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov. O Kremlin foi informado com antecedência do ataque norte-americano, já que possui forças alocadas na Síria.

Segundo Moscou, rebeldes já iniciaram uma “vasta” ofensiva contra as tropas de Assad. Além disso, o Ministério da Defesa russo anunciou um plano para reforçar a proteção aérea do país árabe. “Uma ação unilateral é perigosa, destrutiva e viola os princípios do direito internacional”, declarou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Do Portal N10 com Agência ANSA

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