Antes da nova novela, Amor de mãe, começar; já existia uma grande expectativa em relação à sua trilha sonora.

A primeira ação da campanha para a divulgação da nova novela das nove, aconteceu no intervalo da novela antecessora, A Dona do pedaço.

No primeiro corte, nos deparamos com a imagem da Regina Casé, que vive a apaixonante personagem Lurdes ao som da música Onde estará o meu amor, canção composta pelo Chico Cesar sob a interpretação soturna da cantora e interprete Maria Bethânia.

Instantaneamente os comentários positivos, a respeito da expectativa da novela, ganharam lastro nos feeds do Facebook e Twitter.

Desde o primeiro capítulo da novela, que as cenas de maior intenção dramática abusa do recurso de fazer a trilha sonora invadir a televisão para sublinhar a subjetividade dos personagens.

É interessante pontuar que este não é um recurso novo na teledramaturgia brasileira.

Na novela Tieta, por exemplo, exibida pela rede globo no outono de 1989, a protagonista – homônima ao título da novela, interpretada pela tão querida atriz Beth Faria – possuía um repertório de canções populares para contemplar a intimidade da personagem.

Uma dessas canções era a música Tenha Calma, composta pelo Djavan, e que era soprada na cena sempre que Cardo, par romântico de Tieta, surgia diante dela.

E acredite: a ingenuidade da letra da canção foi uma ferramenta poderosa para conseguir fazer o público brasileiro acreditar e defender uma relação amorosa entre tia e sobrinho.

Tanto que depois de um certo tempo, ainda que os dois não estivessem juntos em cena, quando a música tocava, o público já era sensível em compreender que a cena tinha alguma referencia à paixão do casal e na sala da família mais conservadora brotavam ideias para impulsionar aquele amor proibido.

O interessante é que nos dois casos a interpretação da música está a cargo da mesma cantora: Maria Bethânia.

Maria Bethânia novela Amor de Mãe

Utilizar a cantora na trilha sonora, ultrapassa a simples iniciativa de tocar uma música para a personagem, visto que a artista além de ser uma cantora popular é considerada a maior interprete da música brasileira.

Durante seus cinquenta anos de carreira, Maria Bethânia foi marcada pela qualidade dos seus shows em que sempre contava com a direção de grandes diretores do teatro Brasileiro. Entre eles Bibi Ferreira e Fauzi Arap.

Por isto podemos concluir que a estratégia – de inclui-la na trilha sonora de uma novela – significa ambiciosamente ativar o recurso de unir drama e melodia num só elemento.

O resultado é sempre positivo: o público embarca imediatamente!

Digo isto pois a premissa da história de Lurdes (uma mãe que sonha em reencontrar o filho) já foi contada na novela Senhora do Destino, no filme Procurando Dori e em diversas outras obras.

Então o que faz o público brasileiro sentar e assistir à mesma história senão for pela interpretação contundente da Regina Casé alinhada à soberania de uma canção na voz de Maria Bethânia?

Contudo, é preciso lembrar que a base da teledramaturgia ainda deve ser o drama; que por sua vez acontece através do dialogo e da ação sob o trabalho de bons atores, atrizes, diretores, autores e outros.

O que dizer dos diálogos e ações da novela?

Até o momento o texto de Amor de mãe, tem sido marcado pela casualidade.

Durante algumas cenas me perguntei se a utilização do vocabulário coloquial não estava atropelando a possibilidade de criarem cenas grandiosas.

Mas felizmente é indiscutível a capacidade da novela Amor de mãe para emocionar o telespectador, mesmo sem injetar na bocadura do elenco, solilóquios pretensiosos.

Acredito que será bom que continuem com esta mesma qualidade.

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