Destaques, Meio Ambiente

Estudo mostra que apenas um terço dos rios do mundo permanece íntegro e saudável

Apenas um terço – cerca de 37% – dos 246 grandes rios do mundo ainda pode ser considerado um “rio de curso livre”, que é o status de conservação em que mais oferece benefícios ambientais e serviços ecossistêmicos, de acordo com um estudo publicado pela revista cientifica Nature.

Esse estudo, feito por um grupo de 34 cientistas do WWF, da McGill University, do Canadá, e de outras instituições, é resultado de um trabalho de compilação e organização de dados e informações que vem sendo feito desde 2015.

Foram analisados aproximadamente 12 milhões de quilômetros de rios de todo o mundo, construindo o primeiro mapeamento a respeito do local e extensão dos grandes rios de curso livre existentes no planeta.

Entre outros achados, os pesquisadores detectaram: apenas 21 dos 91 grandes rios do mundo – com mais de 1 mil quilômetros de extensão – que correm para o oceano mantém uma conexão direta de sua nascente até o mar.

Além disso, a maior parte dos rios de curso livre remanescentes estão localizados em regiões específicas, como o Ártico, a Bacia Amazônica e a Bacia do Congo.

Importância dos rios

Um “rio de curso livre” é um rio no qual as funções e serviços ecossistêmicos não foram afetados por mudanças em sua conectividade (como com a construção de hidrelétricas ou com a exploração mineral) e preservam suas características naturais de vazão, biodiversidade e qualidade de água. Via de regra, eles são considerados rios “íntegros” e “saudáveis”.

Rios íntegros fornecem estoques pesqueiros que promovem a segurança alimentar de milhões de pessoas, transportam sedimentos que mantém os deltas dos rios acima do nível do mar, mitigam os impactos de secas e alagações extremas, evitam a erosão e possibilitam a existência de flora e fauna saudáveis.

Interromper a conectividade dos rios diminui, ou por vezes até elimina, esses serviços ecossistêmicos. Proteger os rios de curso livre remanescentes é crucial também para manter a biodiversidades dos rios de água doce.

O Relatório Planeta Vivo 2018, mostrou que, das 16.704 espécies analisadas em todo o planeta, os vertebrados que vivem nas bacias de rios de água doce sofreram o mais vertiginoso declínio dos últimos 50 anos, com redução de até 83% de suas populações desde 1970.

Descobertas

Atualmente, as hidrelétricas e seus reservatórios são algumas das piores ameaças aos grandes rios, reduzindo drasticamente os diversos benefícios que eles fornecem para as pessoas e a natureza ao redor do globo.

O estudo mostra que existem cerca de 60 mil hidrelétricas no mundo e mais 3,7 mil delas estão planejadas ou em construção. Normalmente, elas são planejadas e construídas uma a uma, o que dificulta a avaliação dos impactos acumulados que elas trazem a uma bacia hidrográfica.

Contribuição brasileira

Uma das autoras do estudo é a especialista de conservação do WWF-Brasil e Doutora em Ecologia Paula Hanna Valdujo. De acordo com ela, o WWF-Brasil apoiou o refinamento dos conceitos do estudo apresentado a partir de sua experiência em bacias na Amazônia e no Pantanal.

“Nós auxiliamos no desenvolvimento de um protocolo para identificar o que seria um rio de curso de livre. Analisamos as cargas de sedimento e poluição para saber se eram excessivas ou não, a existência de hidrelétricas e barramentos e a existência de estradas que interferissem ou não no fluxo dos rios. Nosso conhecimento ajudou a elaborar o modelo que está sendo apresentado”, explicou.

Alto Paraguai e Amazônia

A cientista afirmou ainda que, de maneira geral, foram identificados poucos rios íntegros e saudáveis também no Brasil. “A maior parte dos nossos rios estão fragmentados ou têm sua vazão regulada por reservatórios de hidrelétricas. Muitos sofrem o impacto do desmatamento e da ocupação de suas margens com pastagens, mineração e plantações, que aumentam a quantidade de poluentes e sedimentos e afetam a qualidade da água e a saúde do ecossistema”, afirmou Paula.

Atualmente, o WWF-Brasil se dedica a aplicar o modelo deste estudo para fazer uma análise mais profunda da bacia Amazônica e da bacia do Alto Paraguai. “Este primeiro estudo é global, então você não consegue entrar muito nos detalhes de cada bacia hidrográfica. O que estamos fazendo agora é um estudo mais focado e que nos permite ver com mais detalhes uma região específica”, explicou Paula.

Bacia do Alto Paraguai

Bacia do Alto Paraguai

Ameaça ao turismo

Ambas as regiões estão altamente ameaçadas por iniciativas que comprometem a vazão natural dos rios. Na bacia do Tapajós, na Amazônia, existem mais de 100 projetos hidrelétricos de pequeno ou grande porte, que ameaçam a integridade dos rios.

Tais projetos podem trazer graves consequências para as espécies de peixes que se reproduzem nas lagoas que se formam nas margens dos rios e para os peixes que vivem nas corredeiras. Além disso, eles também impedem a migração de espécies importantes para a pesca, que sustenta as comunidades ribeirinhas.

A regulação da vazão dos rios que formam o Tapajós ameaça ainda a existência de um dos mais importantes pontos turísticos da Amazônia, que são as praias de Alter do Chão.

Ausência de avaliações

No Alto Paraguai, o problema é a instalação de pequenas centrais hidrelétricas – que ameaçam tanto os rios barrados, em função do isolamento, quanto o regime de inundações do Pantanal, que depende dos pulsos naturais de seca e cheias dos rios. Além de perda de conectividade, a interrupção dos fluxos naturais dos rios ameaça todo o ecossistema que existe abaixo, na Planície Pantaneira.

A ausência de avaliações ambientais estratégicas, que levem em consideração o impacto cumulativo de múltiplos empreendimentos nas bacias, assim como a transferência da responsabilidade do licenciamento dos órgãos federais para os estaduais, dificulta ainda mais o planejamento adequado para a manutenção dos poucos trechos remanescentes de rios livres no país.

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Derretimento nas geleiras da Antártida pode “atrasar” o aquecimento global

Várias investigações mostraram que as geleiras da Antártida tem derretido a uma velocidade cada vez mais rápida ao longo dos anos. Isto tem duas possíveis consequências: uma ligeiramente positiva e outra que pode ser devastadora.

Especificamente, um estudo recente sugere que o derretimento do gelo na Antártida poderia atrasar o processo de aquecimento da atmosfera da Terra. No entanto, estima-se que isso pode significar que nos próximos 80 anos, o nível do mar irá aumentar mais de um metro.

Antártida está derretendo, o que poderia atrasar o aquecimento global

O gelo na Antártica está derretendo a uma taxa crescente. Isso, de acordo com um estudo recente, poderia atrasar o aquecimento global; no entanto, esta notícia não é tão boa quanto parece. A esse respeito, especialistas dizem que, embora o derretimento do gelo possa reduzir a temperatura da atmosfera por 10 anos, isso pode acelerar o aumento do nível do mar, afetando o clima.

Para concluir isso, uma equipe de pesquisadores realizou uma série de modificações em um dos mais modernos modelos computacionais do clima, incluindo o fenômeno do derretimento do gelo na Antártida.

Dessa forma, observou-se que o aumento das temperaturas globais chegaria a 2 graus Celsius no ano de 2065, ao invés do ano de 2053. Isso significa que o derretimento do gelo na Antártica nos daria um período de carência de aproximadamente 10 anos com relação ao aumento das temperaturas atmosféricas.

No entanto, a situação pode ser pior do que parece, pois isso aceleraria o aumento do nível do mar e potencialmente mudaria o clima. Além disso, embora o aquecimento atmosférico seja mais lento, todo o planeta Terra continuará a aquecer como vem fazendo. Neste caso, o calor ficará preso nos oceanos. Sobre isso, Ben Bronselaer, o investigador principal do estudo, revela:

“O aquecimento global não será tão ruim quanto se pensava anteriormente; no entanto, o aumento do nível do mar será pior”.

Isso não é tão bom quanto parece

derretimento das geleiras da antártida

Em resumo, o derretimento das camadas de gelo na Antártida poderia retardar o processo de aquecimento global. Mesmo assim, isso não significa que o aquecimento global será completamente interrompido, porque calor adicional ficará preso nos oceanos. Em vez disso, esse processo tem o potencial de acelerar o aumento do nível do mal e mudar o clima da Terra.

Especificamente, os pesquisadores propõem que o derretimento na Antártica tem o potencial de alterar os padrões de chuvas terrestres. Nesse sentido, tudo parece indicar que o cinturão de chuva tropical se deslocará para o norte, aumentando a umidade no referido hemisfério. Por sua vez, isso tornará o clima um pouco mais seco no hemisfério sul.

Por fim, os pesquisadores destacam que, embora o aquecimento esteja atrasado, o planeta ainda está se aquecendo, só que agora temos um período de carência de mais de 10 anos. Para continuar a linha de pesquisa, os cientistas continuarão atualizando modelos climáticos e usando informações coletadas de flutuadores robóticos colocados no Oceano Antártico.

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Brasil é o país que mais desmatou em 34 anos, aponta estudo

(ANSA) – De 1982 a 2016, o Brasil é o país que mais perdeu superfície arborizada, totalizando uma área de 399 mil quilômetros quadrados, muito mais que a perda acumulada por Canadá, Rússia, Argentina e Paraguai juntos.

As informações são de um estudo publicado na revista “Nature” e produzido pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, com base em fotos de satélites.

Por outro lado, a superfície mundial coberta por árvores aumentou em 7,1%, um crescimento de 2,24 milhões de quilômetros quadrados, uma área equivalente aos estados norte-americanos de Texas e Alasca unidos.

O desmatamento nas áreas tropicais foi compensado pela ampliação das florestas nos países temperados da América, Europa e Ásia (graças ao abandono das culturas), pelo crescimento de árvores nas zonas polares (graças ao aquecimento global) e pelo plano de reflorestamento chinês.

Segundo a pesquisa, a cobertura mundial de árvores aumentou de 31 a 33 milhões de quilômetros quadrados no período entre 1982 e 2016.

O aumento é maior nas florestas temperadas continentais (+726 mil km²), seguido pelas florestas boreais de coníferas (+463 mil km2), florestas úmidas subtropicais (+280 mil km²), Rússia (+790 mil km²), China (+324 mil km ²) e EUA (+301 mil km²).

As zonas tropicais, nesse mesmo período, tiveram perdas relevantes: florestas úmidas (-373 mil km²), florestas pluviais (-332 mil km²) e florestas secas (-184 mil km²).

Os pesquisadores de Maryland observaram ainda que seus dados contradizem aqueles da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

A agência da ONU fala de uma grande perda florestal entre 1990 e 2015, já que leva em consideração somente as florestas, enquanto os estudiosos de Maryland avaliam a totalidade de região coberta por árvores.

As plantações de palmeiras para obtenção de óleo de palma ou de árvores de madeireiras são desmatamentos para a FAO, mas não para a pesquisa norte-americana.

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Resíduos sólidos: descarte correto previne doenças e poluição do meio ambiente

Todo lixo gerado nas residências, nas indústrias, hospitais, comércio, construção civil, entre outros, são denominados resíduos sólidos. Eles são classificados em lixo comum, público e especiais. Os resíduos sólidos podem contaminar a água, o solo e o ar e contribuir para o surgimento de doenças, além da poluição do meio ambiente. Por isso que o seu descarte precisa ser feito de maneira correta tanto pelas indústrias como nos ambientes residenciais.

Os resíduos gerados na construção civil são os grandes geradores de entulho, que são os lixos gerados a partir de restos de cimento, tijolos, cerâmica, entre outros materiais utilizados em construções e reformas. O seu descarte incorreto pode gerar grande acúmulo de sujeira em locais inapropriados que prejudica principalmente as pessoas que residem próximo ao local. Além de contribuir para a proliferação de doenças como a dengue e a febre amarela, o descarte inadequado dos resíduos sólidos contribui com o aparecimento de roedores, insetos e enchentes através da contaminação de rios e córregos.

Reciclagem de resíduos sólidos

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), só no Brasil são produzidos mais de 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Se a reciclagem fosse aplicada nos materiais de plásticos (cerca de 13,5%), seria possível retornar quase R$ 6 bilhões para a economia do país. Isso mostra a força que existe na reciclagem e no reaproveitamento de resíduos para a matéria-prima, por exemplo.

As grandes empresas e indústrias são obrigadas a seguirem a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que responsabiliza cada organização pela destinação final de seus resíduos. Cada empresa precisa desenvolver um plano de gerenciamento de resíduos sólidos que justifique cada etapa de produção de empresa até a destinação final de seus resíduos. Algumas ferramentas, como o software VG Resíduos, que permite o gerenciamento dos resíduos sólidos através da otimização e aprimoramento dos processos da empresa, desde a etapa inicial até destinação final dos resíduos, atualizado de acordo com as leis ambientais, o que facilita a gestão e a parte burocrática.

O interessante é que nesse processo de organização e gestão de resíduos, muitas empresas apostam na reciclagem e acabam economizando com os insumos, além de abrir portas para o mercado de resíduos (compra e venda de resíduos entre as empresas).

A participação da população é fundamental

A conscientização das pessoas no dia a dia é muito importante para garantir o descarte correto dos resíduos sólidos, que pode ser feito a partir da separação do lixo em casa e na escolha por produtos de empresas que investem na sustentabilidade. Pequenas atitudes como diminuir o uso de materiais descartáveis (copos, por exemplo), utilizar sacolas/embalagens retornáveis no supermercado, optar por lâmpadas mais econômicas são pequenas atitudes que ajudam a diminuir a produção de resíduos sólidos em casa.

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Meio Ambiente

Antártida perdeu 3 trilhões de toneladas de gelo em 25 anos

(ANSA) – A Antártida perdeu 2,7 trilhões de toneladas de gelo em 25 anos, o que elevou o nível dos mares em 7,5 milímetros, revelou um estudo divulgado pela revista científica “Nature”.

Ainda de acordo com a publicação, que reuniu diversos relatórios sobre o continente, estima-se que, desde 1989, a perda de massa de gelo foi calculada ao menos 150 vezes, mas nunca com a precisão atual.

As novas informações “oferecem um quadro mais coerente a respeito de outros do passado”, explicou um dos autores da pesquisa, Giorgio Spada.

Além disso, com a ajuda de satélites, foi possível medir o aumento da taxa de fusão do gelo em certas regiões da Antártida, e verificou-se que “a aceleração foi sensível em alguns setores, como na zona ocidental”.

Observando-se relatórios de 1992 a 2017, estima-se que a Antártida tenha perdido de 53 bilhões a 159 bilhões de toneladas de gelo por ano e que na zona mais movimentada – na Península Antártica – a redução tenha sido de 7 bilhões e 33 bilhões de toneladas por ano.

Apesar dos dados alarmantes, agora é necessário compreender o fenômeno que ocorre ao redor do polo sul do planeta, para definir os quadros futuros para o continente, considerando que o derretimento total da Antártida poderia elevar o mar em 58 metros.

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