Ciência, Destaques, Família

Contato com a natureza deixa crianças mais calmas e bem-comportadas

Nada melhor que a natureza para deixar uma criança menos hiperativa e mais comportada. Isso mesmo! A informação faz parte de um novo estudo, publicado no jornal científico Plos One. A pesquisa revelou que crianças pré-escolares que têm mais contato com a natureza são menos hiperativas, apresentam menos dificuldades comportamentais e emocionais e, como consequência, tem um comportamento social mais adequado.

Outro dado interessante é que as crianças que assumiram uma maior responsabilidade em relação aos cuidados com a natureza tiveram menos dificuldades de relacionamento com seus colegas.

A pesquisa foi realizada com 493 famílias, com filhos entre 2 e 5 anos, que participaram por meio de questionários. Foram avaliadas quatro áreas que refletem a relação da criança com a natureza: apreciação da natureza, empatia pela natureza, responsabilidade com a natureza e consciência da natureza.

O estudo, conduzido por especialistas das Universidades de Hong Kong e Auckland (Austrália) foi tão relevante que o questionário está sendo implementado em vários países, a fim de avaliar o quanto as crianças têm ou não contato com a natureza.

Nos casos negativos, serve como um instrumento para criar programas que possam aumentar essa conexão. Agora o mesmo grupo de pesquisadores irá realizar uma extensão do estudo para avaliar qual o efeito da exposição das crianças à natureza na microbiota intestinal.

Opinião da especialista

Segundo a neuropediatra Dra. Andrea Weinmann, hoje há uma tendência por parte de alguns pais de evitar o contato dos filhos com a natureza por vários motivos. “Existe o medo de se sujar, de se machucar, de ter contato com algum inseto que possa atacar etc. Quando esse receio é passado para uma criança em formação, ela pode absorver esses medos e passar a evitar o contato com a grama, com insetos, sentir nojo da lama e da areia, por exemplo”.

Além desses aspectos, o estilo de vida de quem mora em grandes centros urbanos não colabora para tornar esse contato com a natureza algo corriqueiro.

“A violência urbana, os espaços reduzidos de moradia, como os apartamentos, e as poucas áreas verdes nas cidades são fatores que impactam nessa desconexão com o verde”, comenta Dra. Andrea.

A neuropediatra acredita que esse estudo confirma as conclusões de várias pesquisas anteriores, que apontaram que o contato com a natureza é excelente para reduzir o estresse e a ansiedade.

“Certamente, a melhora da hiperatividade e do comportamento está ligada a esses aspectos, evidenciados em estudos sobre o tema ao longo dos últimos anos”, reflete a especialista.

Dicas

Veja a seguir algumas ideias para aumentar a conexão das crianças com a natureza.

  • Ar livre é sempre melhor: Mesmo morando em cidades grandes como São Paulo, por exemplo, é possível trocar a ida a um shopping por um parque. Pesqueiros, locais com animais como fazendas, haras, praia. Qualquer programa ao ar livre é melhor do que o lazer em locais fechados.
  • Água: Quando se fala em natureza, precisamos pensar em todos os seus elementos. O contato com o mar, rios e cachoeiras também é uma excelente maneira de se conectar à natureza. Sempre que possível, leve a criança para esses locais, nem que seja para passar o dia.
  • Plantas em casa: Para quem mora em casas é mais fácil ter um jardim, flores, vasos de temperos, como hortelã, manjericão, salsinha etc. Envolva a criança nos cuidados com as plantas. Em apartamentos, se possível, tenha algumas plantas ou flores. Animais e pedras também são importantes para o envolvimento da criança com a natureza e seus diversos elementos.

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Ciência

“Maternidade Januário Cicco” participa de estudo para desenvolver vacina inédita

Febre, calafrios e dores no corpo são sintomas de gripe. Se um adulto sofre com tudo isso, imagine uma criança. Mas se esses sinais vêm acompanhados de dificuldade para respirar, os pais devem ficar de olho, pois pode ser uma infecção causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O VSR causa sintomas muito semelhantes a doenças comuns do período seco e frio em pessoas jovens e adultas, mas pode causar pneumonia em bebês e crianças menores de cinco anos. Isso aumenta a morbidade e mortalidade infantil e é responsável por até 75% das internações por bronquiolite e 40% das hospitalizações por pneumonia durante os meses do inverno.

Atualmente, a vacina Palivizumabe é a melhor forma de prevenção contra essa doença. Mas uma companhia farmacêutica multinacional britânica, produtora de produtos biológicos, sediada em Londres, está desenvolvendo uma pesquisa clínica com o objetivo de testar uma nova vacina para ser aplicada em mulheres grávidas ou lactantes, com o objetivo de proteger o bebê. O estudo será realizado em nove países, incluindo o Brasil. No Rio Grande do Norte, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) fará parte do esforço internacional.

A população total incluída no estudo chega a até 2.300 mulheres grávidas e seus recém-nascidos, que serão acompanhados por um período de 12 meses. Durante este tempo de vigilância de um ano após o nascimento, para cada infecção do trato respiratório (ITR) com suspeita de dificuldades de respiração, ou chiado, uma coleta nasal será feita em uma visita para avaliar possíveis doenças associadas ao VSR.

Atualmente, o processo está em fase de análise de documentos para aprovação junto aos comitês de pesquisa, de forma que a MEJC esteja liberada para fazer parte da pesquisa como campo de estudo.

Riscos do VSR

Segundo a médica Fabiana Ariston, que atua na maternidade como infectologista pediátrica, lactentes com menos de seis meses de idade, principalmente prematuros, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade e cardiopatas são a população de maior risco para desenvolver infecção respiratória mais grave, necessitando de internação por desconforto respiratório agudo em 10% a 15% dos casos. “Nesta população, as condições associadas ao desenvolvimento de doença grave são decorrentes do sistema imune imaturo, reduzida transferência de anticorpos maternos e menor calibre das vias aéreas, da baixa reserva energética, frequente desmame precoce, anemia, infecções de repetição e uso de corticoides, tornando-se mais suscetíveis à ação do VSR”, explica.

De acordo com a especialista, a prematuridade é um dos principais fatores de risco para hospitalização pelo VSR. Em prematuros com menos de 32 semanas de idade gestacional, a taxa de internação hospitalar é de 13,4%.

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Ciência

Vírus geneticamente modificado combate câncer de próstata

Peter Moon  |  Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) conseguiram manipular geneticamente um tipo de vírus que, uma vez injetado em camundongos com câncer de próstata, destruiu células tumorais.

O vírus também deixou as células tumorais ainda mais sensíveis ao tratamento com quimioterapia, chegando a eliminar os tumores completamente.

Os resultados foram obtidos pela equipe de Bryan Eric Strauss, diretor do Laboratório de Vetores Virais no Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Icesp, e publicados na revista Gene Therapy, do grupo Nature.

O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no âmbito do Projeto Temático “Terapia gênica do câncer: alinhamento estratégico para estudos translacionais”, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Sanofi-Aventis.

“No combate ao câncer de próstata, empregamos em camundongos uma combinação de terapia gênica e quimioterapia”, disse Strauss. “Escolhemos a via que consideramos com mais potencial de funcionar como supressor de tumores.”

Strauss se refere a um gene conhecido como p53, que controla aspectos importantes da morte celular e existe tanto em humanos como em roedores. Em laboratório, o gene foi inserido no código genético de um vírus (da família Adenovírus). O vírus modificado foi, por sua vez, injetado diretamente nos tumores em camundongos.

“Primeiramente, implantamos células de câncer de próstata humano e esperamos o tumor crescer. Quando isso ocorreu, injetamos o vírus diretamente na massa do tumor, procedimento repetido várias vezes. Em duas dessas ocasiões, aplicamos também a droga cabazitaxel, usada comumente em quimioterapia, por via sistêmica. Depois disso, observamos os camundongos para verificar se ocorreria ou não o desenvolvimento dos tumores”, disse Strauss.

O experimento fez uso de diversos grupos de camundongos, todos inoculados com células de tumor de próstata. Para verificar a efetividade da terapia gênica, um grupo de animais recebeu um vírus irrelevante – grupo de controle.

Um segundo grupo recebeu apenas vírus que codificavam o gene p53. Um terceiro grupo recebeu somente a droga cabazitaxel e, no último, correspondente a um quarto dos animais, foi injetada uma combinação da droga com o vírus.

Quando as células tumorais foram infectadas pelo vírus modificado, esse penetrou o núcleo da célula – que é onde os genes agem –, comandando a morte celular. O gene p53 foi especialmente eficaz em induzir morte em câncer de próstata.

“Os tratamentos individuais com p53 ou com cabazitaxel tiveram um efeito intermediário em termos de controlar o crescimento do tumor. Mas o resultado marcante foi a combinação, que inibiu o tumor totalmente”, disse Strauss.

Os experimentos comprovaram que o vírus modificado, ao infectar as células tumorais, induz a morte dessas células.

“A associação da droga com a terapia gênica resultou no controle total de crescimento do tumor. Ou seja, o que se viu foi um efeito aditivo ou até sinérgico. Também pode-se pensar que o vírus com o gene p53 deixou a célula tumoral mais sensível para a ação do quimioterápico”, disse Strauss.

O pesquisador ressalta que ainda não é possível simplesmente injetar o vírus na corrente sanguínea. “Para essa terapia surtir efeito, precisamos injetar o vírus diretamente nas células tumorais”, disse.

Ele lembra que os tumores podem ser controlados usando somente drogas de quimioterapia, mas que a dosagem necessária costuma ser elevada, resultando em efeitos colaterais. Um deles é a queda de glóbulos brancos na circulação. Essa queda é um dos limites para a aplicação desse tipo de quimioterapia, uma vez que prejudica o sistema imune do paciente.

“Em nosso estudo, aplicamos bem menos drogas usadas em quimioterapia. A dose foi subterapêutica, ou seja, não suficiente para controlar o tumor, mas fizemos isso para tentar evitar a leucopenia, que é a redução no número de glóbulos brancos”, disse Strauss.

O bioquímico e biólogo molecular californiano de 52 anos vive em São Paulo desde 1998, tendo já trabalhado três anos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo e 10 anos no Instituto do Coração (InCor), antes de ingressar no Icesp, em 2011. “Foi durante esse tempo que todos os vetores virais que utilizamos foram desenvolvidos. Trata-se de uma tecnologia totalmente brasileira”, disse.

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(Foto: Universidade de Nova Gales do Sul)

Sistema imune

Destruir as células tumorais com p53 não garante que todas as células cancerosas serão eliminadas, incluindo as metástases. Para melhorar a abordagem, pesquisadores contam com a ativação da resposta imune.

Strauss conta que, se a combinação p53 mais cabazitaxel não for suficiente para ativar o sistema imune, pode ser considerado o uso de um segundo gene aliado ao tratamento com p53.

No caso, foi escolhido o interferon beta, chave para a boa função do sistema imune. Interferon é uma proteína produzida por leucócitos e fibroblastos para interferir na replicação de fungos, vírus, bactérias e células de tumores e estimular a atividade de defesa de outras células.

“Tanto o p53 como o interferon beta podem induzir morte nas células tumorais e a união dos dois faz que a morte das células alerte o sistema imune. É a morte imunogênica”, disse Strauss.

Trabalhos anteriores do grupo servem como base para a ideia. Quando a combinação de genes ARF (parceiro funcional de p53) e interferon beta foi inserida no núcleo da célula tumoral, o sistema imunológico dos roedores deixou de reconhecer as células tumorais como pertencentes ao organismo dos camundongos, passando a identificá-las como se fossem agentes externos que devem ser combatidos.

“Quando isso ocorre, o sistema imune dos camundongos passa a combater as células tumorais tanto no local do tratamento como em tumores distantes desse local”, disse Strauss.

“Nosso objetivo agora é melhorar essas abordagens. Estamos fazendo ensaios para determinar se merecem avançar para a fase de testes clínicos com pacientes humanos”, disse.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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Ciência, Destaques

Cannabis pode ajudar pacientes com câncer

Pesquisadores do Hospital Sírio Libanês e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo publicaram artigo no periódico internacional Frontiers em Oncology em que mostram que a cannabis pode ajudar diversas condições clínicas em pacientes com câncer.

A pesquisa está em um contexto que estuda o efeito da Cannabis também em doenças neuro degenerativas, auto-imunes, no câncer, nas epilepsias e epilepsias refratárias, no autismo, nas doenças gastrointestinais, na ansiedade, nos distúrbios do sono, na depressão, na recuperação muscular em atletas, na cicatrização óssea relacionada à fraturas e osteoporose, e dores crônicas.

O sistema endocanabinóide possui um papel importante em diversas reações bioquímicas do corpo humano. Ele está intimamente relacionado ao nosso processo de homeostase, ou seja, nosso equilíbrio interno. O sistema endocanabinóide é constituído pelos receptores canabinóides, chamados CB1 e CB2, os seus ligantes endógenos, os endocanabinóides, que mimetizam os fitocanabinóides, e as proteínas envolvidas na sua síntese e degradação.

sistema endocanabinóide cannabis câncer

É como se esse sistema fosse uma comunicação entre o cérebro e o corpo humano. Está envolvido em vários processos fisiológicos, como a modulação de todos os eixos endócrinos, a modulação da dor, regulação da atividade motora, o controle de processos cognitivos, a modulação da resposta inflamatória e imunológica, a ação anti-proliferativa em células tumorais, o controle do sistema cardiovascular, entre outros. Além disso desempenha também um papel extremamente importante da modulação do apetite, ingestão alimentar e balanço energético, e em órgãos periféricos como o tecido adiposo, fígado, músculo esquelético e trato gastrointestinal.

A pesquisa é um estudo de caso em que dois pacientes pós ressecção subtotal, foram submetidos à quimiorradiação, seguido por um regime de múltiplas drogas (procarbazina, lomustina e vincristina) associado ao canabidiol (CBD).

Ambos os pacientes apresentaram respostas clínicas e de imagem satisfatórias em avaliações periódicas, com aspectos não comumente observados em pacientes tratados apenas com modalidades convencionais. Essa observação pode realçar o efeito potencial do CBD em melhorar as respostas à quimiorradiação que afetam a sobrevida. Os pesquisadores alertam que mais pesquisas com mais pacientes e análises moleculares críticas devem ser realizadas.

Os autores do estudo são Paula B. Dall’Stella, Marcos F. L. Docema, Marcos V. C. Maldaun e Olavo Feher, do Departamento de Neuro Oncologia do Hospital Sírio Libanês e Carmen L. P. Lancellotti, do Departamento de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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Ciência, Destaques

Pesquisador chinês alega ter “criado” bebês resistentes ao HIV

(ANSA) – Um pesquisador chinês revelou nesta segunda-feira (26) que ajudou a criar bebês resistentes ao vírus do HIV. Os gêmeos teriam nascido no mês passado, com o DNA modificado graças a uma nova técnica de engenharia genética chamada Crispr, um “potente instrumento” que reescreve o código genético.

Um cientista americano, que alega ter colaborado com o trabalho do pesquisador He Jiuankui, contou que foi utilizada uma técnica de edição genética vetada nos Estados Unidos. As mudanças genéticas são o temor do mundo científico, porque arriscam causar danos a outros genes.

Caso essa descoberta seja comprovada, trata-se de um salto do ponto de vista científico. He Jiuankui disse que alterou os embriões de sete casais durante o tratamento de fertilidade, com somente uma gravidez resultada até o momento. O seu objetivo era atribuir a capacidade de resistir a possíveis infecções por HIV, vírus causador da Aids.

A pesquisa não foi publicada em periódicos independentes da área, e alguns cientistas denunciaram o experimento. Os resultados não foram confirmados por pesquisadores, mas somente declarados em uma conferência internacional sobre edição de genes pelo próprio He Jiuankui.

O experimento, que vem descrito em um documento da Universidade de Ciência e Tecnologia, da cidade chinesa de Shenzen, intervém no principal receptor no qual se liga o vírus HIV, o CCR5. A pesquisa foi noticiada pela revista do Instituto americano de Massachusetts, o MIT, onde se lê que fora conduzida com o consenso do Comitê Ético.

He Jiuankui disse que os pais envolvidos não quiseram ser identificados ou entrevistados, por isso, não se sabe onde eles moram ou onde o trabalho foi feito. O cientista informou apenas que os bebês gêmeos são duas meninas, batizadas de Lulu e Nana.

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