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UFRN cria ‘Bengala 4.0’ para auxiliar na mobilidade de pessoas com deficiência visual

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu um sistema que calcula distâncias, identifica obstáculos e alerta sobre eventuais perigos que estejam no caminho de pessoas com deficiência visual. Sob a forma de uma bengala eletrônica (Bengala 4.0), o sistema permite o reconhecimento e identificação de objetos na linha de cintura e cabeça, bem como desníveis e pessoas. A informação é repassada por meio de mensagens de voz ou tátil que informam a que distância os obstáculos se encontram ou a que velocidade as pessoas se aproximam.

Denominado Bengala Inteligente para Auxílio à Locomoção de Deficientes Visuais, a pesquisa contou com a participação dos pesquisadores Ricardo Alexsandro de Medeiros Valentim, Antonio Higor Freire de Morais, Pablo Holanda Cardoso, Rodrigo Dantas da Silva, Sidney Soares Trindade, Philippi Sedir Grilo de Morais, Hélio Roberto Hekis, Robinson Luis de Souza Alves e Gláucio Bezerra Brandão, e rendeu à UFRN sua 20º patente, consolidando o protagonismo da Universidade na área de inovação, haja vista que, no âmbito do Norte e Nordeste, é a instituição com mais patentes concedidas, com números que a aproximam de instituições maiores de outras regiões, como a Universidade de Brasília, que possui 23 patentes concedidas. Um dos inventores, o professor e coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN (LAIS/UFRN), Ricardo Valentim, explica que a capacidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos deficientes visuais motivou os pesquisadores.

De acordo com o professor Valentim, a pesquisa é vinculada ao Programa de Pós-graduação de Engenharia Elétrica e ao de Computação, além de integrar alunos do mestrado em Gestão e Inovação em Saúde. “Então, ainda hoje temos alunos que, na época, eram alguns de graduação da Engenharia da Computação, que começaram esse projeto conosco juntamente com alunos de mestrado e doutorado lá da Engenharia Elétrica, no Centro de Tecnologia, e hoje estão no mestrado profissional em Gestão e Inovação em Saúde. Esses alunos estão dando continuidade ao projeto e fazendo com que o projeto se desenvolva”, disse.

O professor Ricardo Valentim explicou ainda como se deu a concepção da tecnologia. “Essa tecnologia foi muito desenvolvida e trabalhada com uma pessoa que hoje é servidora da universidade e que a gente não pode, também, deixar de mencionar, que é o Sidney Trindade, um ser humano fantástico, extremamente espiritualizado, que colaborou conosco na idealização em todo o projeto. Então, esse olho biônico é fruto de uma colaboração muito forte dessas áreas, da engenharia biomédica e da engenharia da computação. Quando a gente olha que o mundo hoje precisa de produção de bem-estar, saúde, bem-estar social, desenvolvimento de tecnologias que têm o impacto para transformar sociedades”, afirmou.

No que diz respeito à viabilização do equipamento, Valentim falou que já há uma busca por parte do setor produtivo para tornar a bengala um produto. “Nós já fomos procurados por empresas espanholas e de outros lugares. Agora, com a proteção e com a questão da patente, que é muito importante para nós, vamos começar a fazer um trabalho de divulgação disso, junto ao setor produtivo. Então, existem várias frentes que devem ser capitaneadas agora, inclusive o próprio professor Danilo Nagem, que coordena a base de pesquisa na área de tecnologias assistivas, já está providenciando novos aperfeiçoamentos para essa bengala. Estamos agora nessa fase de buscar parcerias com o setor produtivo e novas oportunidades para que mais pessoas possam ter acesso”, finalizou Valentim.

Com um sistema de GPS que possibilita aos familiares obter a localização geográfica do deficiente visual, o equipamento permite fazer denúncias sobre a ocorrência de obstáculos, que são enviadas, armazenadas e visualizadas em um sistema remoto. Ao falar sobre o alto potencial de transferência dessa tecnologia, o diretor da Agência de Inovação (AGIR) da UFRN, Daniel Pontes, ressaltou a importância de se conhecer o portfólio de patentes prontas para aplicação na indústria. Ele explicou que o desafio atual da Universidade é intensificar a transferência da tecnologia e que estratégias são traçadas por meio do desenvolvimento de estudos de prospecção tecnológica e de inteligência competitiva.

“É muito importante situar que a AGIR está à disposição dos membros da comunidade universitária para orientar a respeito dos critérios de patenteabilidade, bem como realizar uma intermediação entre a academia e o setor produtivo. A transferência de tecnologia é o aspecto que dá ao processo de patentear a característica de inovação”, explicou o diretor. Criada em 2007, inicialmente sob a nomenclatura de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), a Agência de Inovação (AGIR) é responsável pela gestão da propriedade intelectual, transferência de tecnologia e ambientes promotores de inovação, acompanhando e estimulando, por exemplo, as atividades das incubadoras da Universidade, bem como as atividades dos parques e polos tecnológicos. Fruto desse trabalho, a UFRN alcançou, em 2019, números proeminentes para a realidade do Nordeste. São 52 pedidos de registro de marca, 177 programas de computador registrados, 238 pedidos de patente e agora 20 cartas-patente concedidas.

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Novo estudo revela que chá de Ayahuasca reduz risco de suicídio

O suicídio é um grande problema de saúde pública no mundo, sendo responsável por quase 800 mil mortes por ano. No Brasil, esse índice tem piorado segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que observou aumento de 7% em 2016. Estudo publicado em 2018, no periódico britânico Psychological Medicine, já havia mostrado que a ayahuasca é eficiente na redução dos sintomas da depressão. O desdobramento desse trabalho, recém divulgado na Frontiers in Pharmacology, mostra que os efeitos desse chá vão além e podem ter importantes resultados na redução do risco de suicídio em pacientes que se submeteram à sessão controlada do uso desse psicodélico.

A ayahuasca, conhecida popularmente como chá do santo daime, é uma bebida utilizada para fins de cura e rituais espirituais pelas populações indígenas da floresta amazônica. Começou a ser usada em ambientes religiosos dos pequenos centros urbanos brasileiros em 1930, expandindo-se desde então para várias partes do mundo.

Os efeitos antidepressivos da ayahuasca já tinham sido investigados anteriormente, mas é a primeira vez que um trabalho testa uma substância psicodélica em pacientes com depressão maior, usando um ensaio randomizado controlado por placebo para depressão. Outro dado importante é que, na seleção dos voluntários, não foram excluídas pessoas com transtorno de personalidade, o que amplia os resultados do estudo.

Na nova fase da pesquisa, que vem sendo desenvolvida desde 2006, foi demonstrada que a ideação suicida dos pacientes estudados diminuiu já no primeiro dia após o uso da ayahuasca, se mantendo baixo até sete dias após a intervenção. Os pacientes que beberam placebo também apresentaram alguma melhora, mas bem menos significativa do que os pacientes do grupo ayahuasca.

Patrocinado pelo Imperial College London (Reino Unido), o artigo tem como primeiro autor o pesquisador Richard Zeifman. Ele utiliza dados do estudo randomizado realizado pelos neurocientistas Dráulio Araújo, chefe do Laboratório de Neuroimagem Funcional, do Instituto do Cérebro (ICe) da UFRN, e Fernanda Palhano, também do ICe. O trabalho teve colaboração ainda dos pesquisadores Emerson Arcoverde e João Paulo Maia-Oliveira, do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL/UFRN), e Jaime Hallak, do Departamento de Neurociência e Comportamento, da Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto.

Segundo Zeifman, o ônus financeiro global em relação ao suicídio e as limitações em torno dos tratamentos atuais, faz surgir uma necessidade urgente de intervenções inovadoras para esse problema. “Uma intervenção potencialmente promissora para a suicidalidade são os psicodélicos (por exemplo, ayahuasca). Além disso, o uso psicodélico ao longo da vida está associado a menor suicídio e risco de suicídio”, contextualiza no paper.

Dráulio Araújo e Fernanda Palhano são responsáveis pela pesquisa no Brasil

Para Dráulio Araújo, a maior parte dos estudos entende que talvez substâncias psicodélicas possam ser arriscadas e o que se observa é exatamente o contrário. “Embora seja um dado preliminar, além de não aumentar o risco de suicídio, o uso da ayahuasca oferece melhoras significativas aos pacientes estudados. Nenhum deles piorou dos sintomas de depressão ou do nível de suicidalidade”, reforça o pesquisador.

Fernanda Palhano lembra também que não foram observadas, até então, prejuízos na função hepática, renal, ou mesmo no cérebro dos voluntários do estudo. Ao contrário, explica Dráulio, pesquisas realizadas pelo neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ e Instituto D’OR, mostram que os efeitos da ayahuasca tendem a aumentar a neuroplasticidade e neurogênese do cérebro.

Rehen faz estudos com célula tronco e organoides cerebrais, os chamados mini cérebros. Tanto essa estrutura tridimensional de aglomerados neuronais, feitos em laboratórios, quanto as células troncos são expostas a substâncias psicodélicas usadas em estudos científicos. No caso da ayahuasca, além de não presenciar morte ou dano celular, o pesquisador observou que um dos seus compostos, a substância harmina, não alucinógena, pode aumentar a proliferação de progenitores neurais humanos em mais de 70%. Já o outro composto, a N,N-dimetiltriptamina (DMT), que é psicodélica, provocou ampliação da plasticidade neural.

Como medir a suicidalidade?

Reprodução de imagem do livro Olho Mágico de Leonardo Costa Braga

Ainda não é possível saber o que se passa na mente de uma pessoa. Se e quando ela pensa em cometer suicídio, por exemplo. Por isso, a ciência criou escalas clínicas que permitem aos profissionais da psiquiatria terem maior clareza na aferição do grau de severidade dos sintomas de depressão nos pacientes.

Com base nesse método, os psiquiatras aplicam questionários com algumas questões que o paciente responde diretamente e outras que os ajudam na observação clínica a partir da interação médico-paciente. Essas escalas contêm, em suas estruturas, uma parte que avalia exatamente a severidade da depressão e o risco suicida na pessoa.

No caso da pesquisa com ayahuasca, os profissionais do HUOL aplicaram o mesmo questionário um dia antes do tratamento, e o repetiram um dia, dois dias e sete dias depois para comparar os dados. O estudo aproveitou ainda para realizar exames, antes e depois, a fim de entender qual a origem da depressão.

Em parceria com os professores Nicole Galvão Coelho e Bruno Lobão Soares, ambos do Centro de Biociências (CB/UFRN), foi possível observar que houve modulação significativa no cortisol dos pacientes observados. Antes do tratamento com a ayahuasca, o nível desse hormônio na saliva era baixo e voltou a ter um valor semelhante ao de voluntários saudáveis após a ingestão do chá, o que não aconteceu com os pacientes do grupo placebo. O mesmo foi observado em relação ao Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF). “Essas duas mudanças que encontramos são mudanças que se esperam observar após o tratamento com antidepressivo”, disse Dráulio.

No geral, para verificar o grau de depressão no grupo estudado, foram selecionados marcadores biológicos de sangue, de ressonância magnética e eletroencefalografia (EEG), além dos psicológicos, todos associados, de alguma maneira, de forma consistente à depressão. Também foram observados o sistema imunológico, o sono e outros marcadores, sempre comparando o antes e o depois da submissão do paciente ao tratamento.

O passo a passo do experimento

Antes de dar ayahuasca às pessoas, foi preciso um trabalho minucioso e detalhado da escolha dos pacientes. Inicialmente, 218 foram avaliados, dos quais apenas 35 atenderam aos critérios de inclusão e exclusão. Desses, metade recebeu ayahuasca e outra metade, o placebo, que possuía substâncias que provocavam alguns efeitos conhecidos da ayahuasca – náusea, vômito e diarreia.

Equipamento de EEG usado por pacientes

Para participar da pesquisa, era necessário ser maior de idade, nunca ter bebido ayahuasca, não estar grávida, não ter transtorno psiquiátrico relacionado à esquizofrenia ou transtorno bipolar. Também era importante estar fazendo uso de medicamento antidepressivo, sem resultados aparentes. Ou seja, ser resistente ao tratamento.

Uma vez atendidos os critérios, o paciente entrava na fase do desmame da medicação antidepressiva. 15 dias depois da suspensão da medicação convencional, os selecionados retornavam ao hospital, no caso o HUOL, onde está o laboratório dos pesquisadores Dráulio Araújo e Fernanda Palhano, para iniciar o protocolo da pesquisa.

Nesse protocolo, que tinha uma agenda muito rígida, o paciente chegava em uma terça-feira, por volta do meio-dia, encontrava a equipe e após as avaliações dos sintomas da depressão e dos marcadores associados à depressão, era preparado para o EEG. Jantava por volta das 19h e ia dormir em um ambiente preparado no próprio laboratório.

Dráulio Araújo mostra local onde pacientes dormem e fazem experimento

Às 5h da manhã do dia seguinte, quarta-feira, era acordado para colher saliva e sangue, tomar café, descansar um pouco e só então ser preparado para ingerir a ayahuasca, ou o placebo, no caso do grupo de controle, o que acontecia por volta das 10h. Durante todo o efeito do chá, o paciente era monitorado por eletroencefalografia, eletrocardiografia e eletromiografia e, a cada hora, feitas avaliações com psiquiatra.

Por volta das 16h, a equipe do projeto conversava com os pacientes que relatavam a experiência com a bebida, respondiam mais alguns questionários e só depois eram liberados. No dia seguinte, quinta-feira, retornavam para fazer toda a bateria de exames novamente do meio-dia até o dia seguinte. Sete dias após ter tomado a dose de ayahuasca ou placebo, os pacientes voltavam para uma consulta com o psiquiatra. Após essa consulta, os pacientes voltavam a receber um tratamento tradicional regular contra a depressão. As avaliações dos pacientes passaram a ser realizadas a cada 30 dias para verificar a situação dos envolvidos durante um período de seis meses.

Próximo passo da pesquisa

Apesar do avanço e do pioneirismo, pois foi o primeiro grupo no mundo a dar uma substância psicodélica para pacientes com resistência ao tratamento dentro de um hospital, e o primeiro a fazer a mesma coisa utilizando um ensaio randomizado controlado por placebo, o projeto ainda é considerado piloto. O próximo passo da pesquisa é aumentar o número de participantes e aplicar um esquema de tratamento, com a ingestão de doses regulares do chá a cada 15 dias para que os sintomas de depressão sejam avaliados no longo prazo.

No longo prazo, é difícil dizer que a ayahuasca deva chegar aos pacientes pelas vias tradicionais da indústria farmacêutica. Os pesquisadores apontam que outras substâncias psicodélicas com propriedades aproximadas já estão sendo testadas e, talvez, consigam ser introduzidas primeiro. É o caso da psilocibina, substância extraída do chamado “cogumelo mágico”, que tem uma vantagem inicial por ser uma única substância, enquanto a ayahuasca é um coquetel.

Contudo, segundo Dráulio Araújo, apesar de a psilocibina apresentar efeitos parecidos com os da ayahuasca, não há, até o momento, nenhum ensaio randomizado como o realizado na UFRN em pacientes com depressão resistente.

Dráulio também não imagina a ayahuasca virando comprimidos ou sendo envasada em frascos para serem vendidos em farmácia. Em seu entendimento, a ideia segue mais a linha de um procedimento médico, como é caso da quimioterapia ou da anestesia. Ou seja, a psiquiatria poderá usar essa substância em um futuro tratamento como parte de um procedimento a ser realizados em pacientes selecionados.

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Ciência

Estudo encontra novo tipo do vírus HIV pela 1ª vez em 20 anos

(ANSA) – Pela primeira vez em 20 anos, cientistas norte-americanos descobriram um novo subtipo do vírus HIV, causador da Aids, que pode ajudar na criação de novas formas de tratamento para os portadores, além de prevenir futuros surtos da doença. O novo subtipo pertence ao grupo “M” do HIV, e é tido como a versão mais comum da doença em todo o mundo. Ele foi encontrado durante um estudo realizado por pesquisadores da farmacêutica Abbott e publicada na revista Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes.

De acordo com os dados, o subtipo “L” foi coletado de três amostras, duas analisadas entre os anos de 1983 e 1990 e outra em 2001, mas que não possuíam vírus suficientes para ser encontrados usando as técnicas da época. Na ocasião, dois indivíduos da República Democrática do Congo foram identificados como portadores do vírus. “Essa descoberta nos lembra que, para poder erradicar a pandemia, devemos continuar a ser mais espertos que esse vírus que está constantemente mudando, usando as tecnologias mais recentes para monitorar sua evolução”, explicou Mary Rodgers, responsável por dirigir o Programa Global de Vigilância Viral. “Identificar novos vírus como esse é como procurar uma agulha em um palheiro. Ao avançar nossas técnicas e usar a nova geração de tecnologia de sequenciamento, puxamos essa agulha com um ímã”, acrescentou a cientista.

Os autores do estudo ainda ressaltam que, desde o início da pandemia, 75 milhões de pessoas foram infectadas e 37,9 milhões vivem com o vírus hoje. O diretor do Instituto Nacional Americano de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, por sua vez, explicou à imprensa que, embora a descoberta seja importante, ela não é motivo de preocupação para a população.

“Os tratamentos atuais são eficazes contra esta e todas as outras cepas. Essa descoberta pode nos dar indicações úteis, no entanto, sobre como o vírus evolui”, finalizou.

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Cientistas do RN pesquisam alternativas terapêuticas para tratar o câncer por via oral

Em parceria com uma Universidade francesa, cientistas potiguares estão pesquisando o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de câncer por via oral utilizando o óleo da copaíba (árvore nativa da Amazônia) em associação com o paclitaxel (fármaco usado no tratamento dos tumores).

Os resultados foram publicados no artigo científico internacional “Mucoadhesive paclitaxel-loaded chitosan-poly (isobutyl cyanoacrylate) core-shell nanocapsules containing copaiba oil designed for oral drug delivery” de autoria do Prof. Dr. Francisco Humberto Xavier Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UnP (PPGB-UnP) em parceria com a Université de Paris Sud, Institut Galien Paris-Sud (clique aqui para acessar a publicação).

Este artigo representa um trabalho multicêntrico entre universidades brasileiras – a Universidade Potiguar e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – e a instituição francesa. Nesta parceria, nanocápsulas mucoadesivas contendo óleo de copaíba e paclitaxel foram desenvolvidas. O projeto visa produzir um sistema inovador capaz de fazer a entrega seletiva de fármacos a células cancerígenas, assim reduzindo os efeitos tóxicos e aumentando a eficácia terapêutica dos medicamentos.

Novas terapias

A motivação desta pesquisa encontra-se no interesse crescente para uso de medicamentos anticancerígenos por via oral, os quais, na atualidade, ainda são administrados essencialmente pela via parenteral. “No entanto, o desafio para a produção de uma terapia farmacológica efetiva e confortável ao paciente, é limitada por problemas relacionados às propriedades físico-químicas do fármaco, fatores fisiológicos e as formas farmacêuticas que reduzem a biodisponibilidade oral do medicamento”, explica o Prof. Humberto Xavier.

“O objetivo deste trabalho foi desenvolver um sistema nanotecnológico bioadesivo, tipo um “cavalo de troia”, que seria dado de ‘presente’ para células cancerígenas. Assim, após se fixar na superfície das células tumorais, o nanossistema começa a liberar o fármaco e óleo terapêutico, que facilita a maior absorção do medicamento pelas células-alvos. Assim, é possível driblar a maquinaria de resistência das células cancerígenas, que não reconhecem os agentes antineoplásicos que se encontram encapsulados e ‘protegidos’ do reconhecimento celular. O resultado disso tudo, é que o fármaco é finalmente capturado pelas células cancerígenas culminando na redução do tumor”, complementa.

Produtos

Ele detalha que, embora trate-se de um estudo preliminar, os resultados são encorajadores para obtenção de um produto clínico a base de nanocápsulas bioadesivas para administração oral de paclitaxel. Ainda, neste novo tratamento para câncer, um possível efeito anticancerígeno sinérgico com os componentes terapeuticamente ativos encontrados no óleo de copaíba poderia ser esperado.

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Ciência

Pesquisa da UFRN desenvolve polpa de fruta em pó com propriedades naturais

Uma pesquisa pioneira, iniciada e desenvolvida no Laboratório de Tecnologia de Alimentos da UFRN, estuda a obtenção da polpa de frutas em pó por meio de uma técnica simplificada que consegue manter grande parte das características naturais do produto. A intenção dos pesquisadores é oferecer um pó puro, composto 100% de fruta, totalmente solúvel em água gelada e que mantenha a maior parte dos benefícios naturais após a sua reconstituição, sem a adição de produtos químicos conservantes.

O produto final se diferencia da farinha de frutas ressecada, que já pode ser encontrada em supermercados, mas que peca por, na maioria das vezes, não ser hidrossolúvel e nem recuperar as qualidades da fruta após reidratada. A proposta da pesquisa é oferecer um pó diferenciado e nutritivo, com a vantagem de ser produzido a baixo custo.

A polpa de fruta em pó é estudada desde o fim da década de 1980 pela professora do departamento de Engenharia Química da UFRN, Maria de Fátima Dantas de Medeiros, responsável pelo estudo pioneiro que utilizou uma fruta regional de época, o umbu, na primeira tentativa de obter um pó com bom rendimento e reconstituição quase total após adição de água. O estudo se diferenciou por realizar a secagem em um equipamento alternativo chamado leito de jorro, que ofereceu 70% de rendimento após o processo, considerado altamente satisfatório.

O leito de jorro é um equipamento concebido originalmente para a secagem e processamento de grãos, mas, devido a algumas características fluidodinâmicas, foi o escolhido pela professora para dar continuidade a pesquisa na universidade. Nestas décadas de estudo, várias frutas regionais como acerola, seriguela, cajá, tomate, manga, pinha, abacate, cajá-manga, graviola, jambolão, açaí, entre outras, além de mistura de polpas, foram analisadas, com diferentes resultados e aproveitamentos.

Na evolução da pesquisa, a equipe passou a trabalhar também com resíduos de frutas, que seriam materiais descartados pelas fábricas de polpa de frutas congeladas. Essas empresas, após o envasamento e congelamento do sumo da fruta, descartam uma grande quantidade de resíduos formados por cascas, caroços e sementes. “Dependendo do tipo de resíduo, essa sobra que seria descartada, às vezes, chega a ser mais rica do que a própria polpa vendida no mercado ao consumidor final”, compara Maria de Fátima Medeiros.

O resíduo da acerola, por exemplo, que antes seria descartado, apresenta vitamina C, compostos fenólitos e atividade antioxidante. No processo realizado pelas indústrias de polpa congelada, as frutas passam por uma despolpadeira e as toneladas de resíduo podem ser descartadas no lixo comum, encaminhadas para compostagem ou doadas para ração de animais, entre outros fins que nem sempre atentam para o cuidado com o impacto ambiental.

Resíduos doados pela indústria de polpa congelada servem como matéria-prima para pesquisa (Foto: Cícero Oliveira)

No laboratório, já foram desenvolvidas pesquisas com resíduos de cajá, umbu, acerola e pitanga. A mistura, secagem e transformação em pó de frutas tropicais como manga, umbu e seriguela já foi realizada com resultados considerados satisfatórios pela equipe. Nesse caso, a mistura de polpas em leito de jorro é acrescida de adjuvantes (lipídios, amido e pectina), visando a obter uma melhor performance do secador sem o comprometimento da qualidade sensorial, da composição do produto e sem adição de outros aditivos, como conservantes e aromas.

Nesse último caso, a professora Maria de Fátima cita que “a mistura reconstituída regenerou de forma satisfatória as características físico-químicas e propriedades físicas da mistura in natura. As perdas de vitamina C foram compatíveis com as verificadas em processos que envolvem o aquecimento de alimentos e que, quando incorporado a iogurtes naturais desnatados, os testes de degustação, aparência e odor indicaram boa aceitação do produto”.

Outras experiências utilizaram leite ou banana verde como complemento a algumas frutas de baixo desempenho no processo simplificado do leito de jorro e, com isso, conseguiram um produto diferenciado, a exemplo do uso de goiaba com leite e açaí com banana verde, que com a combinação de elementos permitiram um bom aproveitamento de material e produção de pó de excelente qualidade.

O pó originado desses produtos pode ser reidratado na forma de sucos, vitaminas, ingrediente para enriquecimento de bolos, tortas, saborização de iogurtes e açaí e apresenta a praticidade como uma de suas grandes vantagens por ser facilmente transportado e preparado apenas na hora do consumo, mantendo o sabor, cheiro e grande parte de suas características naturais e benefícios.

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