Criança recebe alta após quase 3 anos internada no Hospital Onofre Lopes

Criança recebe alta após quase 3 anos internada no Hospital Onofre Lopes

Criança recebe alta após quase 3 anos internada no Hospital Onofre Lopes

Rafael Nicácio janeiro 25, 2021 Destaques

Na última sexta-feira, 22 de janeiro, o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e à Rede Hospitalar Ebserh, vivenciou mais um episódio que acalenta a equipe assistencial e transmite esperança na saúde: uma paciente pediátrica, com pouco mais de três anos de idade e quase o mesmo tempo de internação, recebeu alta hospitalar e pôde finalmente ir para casa.

Vestida de Nossa Senhora das Graças, especialmente para deixar o hospital, a menina M. J. (identidade preservada) é portadora de uma deficiência congênita rara, resultante de mutação genética que provoca o colapso de algumas áreas pulmonares, impede a passagem de ar e requer oxigenação suplementar constante. Até o diagnóstico que permitisse as corretas intervenções, a pequena paciente permaneceu cerca de dois anos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além dos meses em enfermaria.

De acordo com a médica e professora do Departamento de Pediatria da UFRN, Vera Maria Dantas, que acompanhou o caso, “a raridade do caso ensejou persistente orientação na literatura e discussão do caso com pneumologista da Universidade de São Paulo (USP), que compartilhou experiência sobre um caso semelhante, cujo tratamento replicamos no Huol. O colega tratou criança internada no Hospital Albert Einstein, seguindo protocolo do Centro de Referência para Tratamento de Doenças Pulmonares Raras da França”, explica.

O tratamento iniciado no Onofre Lopes evoluiu com melhora importante da doença, incluindo diminuição da inflamação pulmonar e redução dos episódios de infecções – antes frequentes e que agravavam acentuadamente o quadro clínico da paciente. Com a resposta positiva, ocorreu a diminuição dos altos parâmetros ventilatórios, até então indispensáveis para a sobrevivência da menina.

“Nesse contexto, inserimos fisioterapia especial com foco na recuperação da musculatura respiratória, indispensável para início da retirada do suporte de ventilação mecânica. A intervenção fisioterápica exigiu adquirir um dispositivo chamado “Power breath”, obtido através de doações. Assim, o empenho da nossa fisioterapeuta, com orientação oferecida pelo Hospital Albert Einstein, possibilitou progresso na recuperação e desmame do ventilador da M. J. – resultado, sem dúvida, da abnegação da nossa equipe multiprofissional, que inclui médicos pediatras pneumologista, intensivista, infectologista, clínico, cirurgião, cirurgião torácico, patologista e residentes; fisioterapeutas; enfermeiros e técnicos de enfermagem; psicólogos e assistentes sociais, além da luz da Nossa Senhora das Graças, como também creio”, celebra Dr.ª Vera Dantas.

Novos desafios

Atualmente, M. J. faz uso de suporte ventilatório bipap, com cânula de traqueostomia, para dormir. Durante a maior parte do dia, ela consegue desempenhar suas atividades ‘apenas’ com máscara de oxigênio.

Segundo a Dr.ª Vera Dantas, “uma longa e complexa jornada foi superada, em muitos momentos sem a perspectiva de alta – é realmente uma conquista tanto para a paciente, quanto para a Pediatria do Huol, que se sente gratificada com a alta hospitalar”.

“Ela continuará em acompanhamento ambulatorial especializado, mantendo seu tratamento para reparo no tecido pulmonar, com medicação antinflamatória oral não corticosteroide, medicação inalatória e fisioterapia respiratória. Assim vamos aguardando o aparecimento de seus novos alvéolos, o que ainda ocorre nesta faixa etária e que esperamos permitir que ela possa vir a respirar normalmente, sem o auxílio de um suporte ventilatório. Como a doença não acomete o aspecto neuropsicomotor, embora esteja em recuperação do atraso em decorrência dos três anos em leito hospitalar, esperamos que essa criança tenha boa capacidade cognitiva e motora”, comenta a especialista do Huol.

O estudo genético para identificação das mutações responsáveis pela doença, que pode melhor estimar a duração do tratamento e o prognóstico ainda depende, da obtenção de recursos, pois o exame é realizado apenas de forma privada, ao custo de aproximado R$ 3 mil.

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