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Como as eleições e a reforma da previdência vão impactar a bolsa de valores em 2018

Incertezas do mercado podem gerar dividendos para quem tiver cautela, aponta especialista

Investidores e pessoas que pensam em operar na bolsa de valores conviverão com incertezas em 2018. Geralmente, a cada início de ano, analistas financeiros apontam quais os cenários mais assertivos para investimento. Mas, segundo Pedro Henrique Rabelo, CEO da WM Manhattan, fatores como as eleições presidenciais, a reforma da previdência e o comportamento da macroeconomia mundial terão peso ainda maior na bolsa no ano que está para chegar.

“Uma pesquisa apontando crescimento de um ou de outro candidato pode mudar o humor do mercado e, por conseguinte, prejudicar um investimento em ações com uma ação de prazo maior. Por isso, as melhores oportunidades estão no day trade (abertura e fechamento de posição dentro do mesmo dia). É melhor ter cautela e manter a maior parte do capital protegido com exposições curtas e pontuais em renda variável”, analisa Pedro H Rabelo.

Sobre a reforma da previdência, o especialista lembra que – nos últimos meses – o mercado de dólar e bolsa de valores mostrou sensibilidade quanto ao tema. “A cada notícia de aprovação, via-se alta na bolsa e desvalorização do dólar. Definida a votação para o ano que vem, o dólar subiu e a bolsa perdeu fôlego. A não aprovação envia um sinal de alerta ao mercado financeiro de que o Brasil pode não ter condições de respeitar o limite de gastos, o que aumenta o risco de investimento no país. A repercussão pode ser negativa, com possibilidade de corte pelas agências classificadoras de risco”, revela Pedro.

bolsa de valores
Foto: Geralt / Pixabay

A macroeconomia mundial também é ponto a ser analisado. De acordo com Rabelo, a economia americana está demonstrando fôlego. “Os baixos níveis de desemprego, a confiança da indústria e consumidores em alta e o massivo corte de impostos para cidadãos e empresas indicam que o fluxo de capital estrangeiro saia de países emergentes (como o Brasil) e pouse nos EUA em busca de segurança”, avalia.

Sobre o fôlego de crescimento da China, Rabelo lembra que inúmeras empresas listadas na bolsa brasileira exportam produtos e serviços para a China. Por isso, uma possível desaceleração pode trazer impactos. “Movimentos como esse geram a valorização do dólar ante o real e acarretam na desvalorização do índice Ibovespa”.

Outros pontos de atenção para investidores, segundo Pedro Rabelo:

bitcoin criptomoeda
Foto: Geralt / Pixabay

Criptomoedas – Se formos analisar o Bitcoin, a moeda digital da moda, seria hipocrisia dizer que é um mau investimento após valorização de 1.800% em 2017. Mas, se lembrarmos que é um mercado em que boa parte dos detentores dos ativos são inexperientes, há alto risco de investimento. Além disso, não sabemos quando e se virá uma regulamentação. Caso ocorra poderemos ter uma venda em massa, gerando um efeito manada, que pode acarretar numa desvalorização enorme do ativo. Mas não há dúvidas que elas farão parte da vida de todos em um futuro bem próximo.

Diversificar ou escolher segmento para operar na bolsa – Devem-se balancear os investimentos a fim de obter uma rentabilidade crescente e constante. Conciliar renda fixa com renda variável é sempre a opção mais adequada. Para isto, além dos convencionais CDB’s e LCA’s, na renda fixa, existem outros produtos como a Letra de Cambio e Debêntures que proporcionam uma rentabilidade melhor.

Horários mais apropriados para operar na bolsa – O fluxo de capital varia ao longo do dia, fazendo com que o operador/investidor tenha que identificar qual o melhor horário para executar sua estratégia. Um operador de dólar, por exemplo, verá mais fluxo durante a manhã. Já um operador de bolsa pode preferir aguardar a abertura do mercado americano. É muito importante conhecer o mercado e o ativo que pretende atuar.

Existem ações de baixo risco na bolsa – Empresas sólidas, com forte geração de caixa, geralmente carregam menor risco. No entanto, no mercado financeiro, não há somente o risco da empresa; existem riscos do mercado e político, por exemplo, que são riscos sistêmicos, os quais extrapolam a capacidade da empresa de gerar lucro para os acionistas. Os derivativos são instrumentos que mitigam os riscos. No entanto, é preciso que o investidor se informe bem ou procure ajuda especializada para não fazer apostas.

Ações na bolsa mais assertivas, com menor chance de perda – No mercado financeiro, o risco sempre está associado ao potencial de retorno. Obviamente, algumas ações são mais estáveis, oscilam menos, evitando chances de ganhos ou perdas significativas. Acreditamos, para 2018, que as ações de empresas voltadas para a prestação de serviços, podem se destacar num ano de recuperação econômica, com a Localiza por exemplo, que tem uma fortíssima geração de caixa e trabalha com um custo de capital bem justo. Este ano estamos acreditando muito na recuperação do mercado interno.

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