Com avanço da variante Delta, Brasil deve aplicar terceira dose da vacina contra Covid

Com avanço da variante Delta, Brasil deve aplicar terceira dose da vacina contra Covid

Com avanço da variante Delta, Brasil deve aplicar terceira dose da vacina contra Covid

Variante é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de evadir o sistema imunológico (Foto: Pixabay)

Romário Nicácio agosto 25, 2021 Coronavírus

O avanço da variante Delta do novo coronavírus têm causado alerta em todo o mundo. Estudos recentes vêm apontando que ela é muito mais transmissível e tem maior probabilidade de evadir o sistema imunológico, responsável pelas defesas do nosso organismo.

Com isso, o governo brasileiro pode anunciar nesta semana a aplicação da terceira dose em idosos, profissionais de saúde e pessoas imunodeprimidas que foram vacinadas no início do ano.

A comissão externa da Câmara dos Deputados de enfrentamento à Covid-19 promoveu audiência pública nesta terça-feira (24) sobre a variante Delta e a situação do Sistema Único de Saúde (SUS) na pandemia.

A secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, afirmou que estudos apontam a eficácia da terceira dose entre seis a oito meses após a segunda dose. Ela estima que em torno de 35 milhões de pessoas poderiam ser atendidas.

Rosana disse que uma decisão nesse sentido deve ser anunciada nesta semana. “Com o quantitativo contratado de vacinas, 600 milhões de doses, conseguiríamos vacinar os idosos e profissionais de saúde que se vacinaram no início do ano”, informou.

Segundo ela, o aumento de 4% na última semana na transmissão acendeu o alerta de que não é o momento de “baixar a guarda” nos cuidados. Já foram computados 1.370 casos da variante Delta, com aumento nas últimas três semanas, especialmente no Rio de Janeiro (505 casos), no Rio Grande do Sul (156 casos) e no Distrito Federal (125) casos.

Relatora, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) manifestou preocupação com a situação do Rio de Janeiro e cobrou posicionamento do governo sobre a terceira dose da vacina. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ressaltou ainda a indicação de especialistas que alertam para a “explosão da Delta” entre setembro e outubro.

Rosana Leite de Melo afirmou que, se for decidida a vacinação nos idosos, a maioria vai completar seis meses de vacinação agora em setembro e outubro. “Então, temos tempo para fazer essa nova vacinação”, apontou.

A representante do Ministério da Saúde também alertou para importância de outras medidas fundamentais, como manter o distanciamento social para interromper a cadeia de transmissão.

“Embora tenhamos a sensação de que a pandemia está arrefecendo, nós paramos em um patamar muito alto de casos. Não podemos baixar a guarda e precisamos incentivar medidas restritivas não farmacológicas. Só com isso vamos frear as cadeias de transmissão e esse ambiente favorável ao vírus e suas mutações”, ressaltou.

Apesar da redução de 10% nos óbitos até 23 de agosto, o País já soma 574.848 mortes e 20.583.994 de casos notificados. “Estamos em um momento um pouco mais confortável em relação a janeiro deste ano, porém em um patamar muito alto de casos, e qualquer aumento pode ter repercussões graves no sistema de saúde”, reconheceu Rosana.

Vacinas

Especialistas ouvidos na audiência comemoraram os resultados das vacinas aprovadas no Brasil. “Mesmo após a primeira dose, temos eficácia considerável”, declarou Rosana.

O Ministério da Saúde, segundo ela, já avalia o impacto dos imunizantes na variante Delta: a Pfizer apresentou efetividade de 88%, e a Astrazeneca, de 67%. Para a Coronavac, ainda não há dados disponíveis.

Ela informou também que 80% das doses enviadas já foram aplicadas: 223.670.688, sendo 123.979.590 com primeira dose e 55.748.292 com a segunda dose.

Variantes

O vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fundação Oswaldo Cruz, Felipe Gomes, apresentou dados que mostram que a Delta entrou no País em 14 estados simultaneamente. “Tínhamos 27 introduções independentes, de maneiras variadas, por pacientes diferentes”, informou.

Ele lembrou que a variante Gama, surgida em Manaus, ainda é a predominante no País, porém ela já tem cinco novas variáveis. “Não é mais a original. O processo evolutivo delas continua em ampla expansão. É algo que temos de acompanhar com bastante atenção”, afirmou.

Do Portal N10 com Agência Câmara Notícias

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