Biden defende decisão de retirar tropas do Afeganistão

Biden defende decisão de retirar tropas do Afeganistão

Biden defende decisão de retirar tropas do Afeganistão

Democrata fez 1ª declaração após Talibã assumir controle do país asiático (Foto: The White House)

Romário Nicácio agosto 16, 2021 Mundo

(ANSA) – Em pronunciamento nesta segunda-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que sua equipe de segurança nacional está “monitorando de perto” a situação no Afeganistão e defendeu “firmemente” sua decisão de retirar as tropas do país asiático.

No entanto, o democrata admitiu que o avanço rápido do Talibã pelo território pegou o governo americano de surpresa. “Isso tudo realmente se desenrolou mais rápido do que pensávamos”, admitiu Biden.

Em suas primeiras declarações desde que o Talibã assumiu o controle do Afeganistão no último domingo (15), Biden explicou que a missão dos EUA “nunca deveria ser uma construção nacional”, mas em vez disso foi projetada para prevenir “um ataque terrorista em solo americano”.

O líder americano lembrou que cumpriu um acordo feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump com o Talibã que exigia que os soldados partissem até 1° de maio e não previa que eles protegessem o país após essa data.

Segundo ele, o tratado inicialmente fez reduzir a presença das tropas no país de cerca de 15,5 mil militares para 2,5 mil.

Para o democrata “o Talibã está no seu ponto mais forte militarmente desde 2001″, mas a escolha que teve que fazer como presidente foi seguir o acordo de Trump ou estar preparado para voltar a lutar contra os rebeldes”.

“Nunca é um bom momento para retirar as forças dos EUA”, disse ele, acrescentando que o país desmoronou “mais rápido do que o previsto”.

Em sua declaração, Biden ressaltou que “apoia totalmente” sua decisão” e explicou que “sempre prometeu ao povo americano que seria franco”, mas admite que a situação com o recente avanço do Talibã “se desenrolou mais rapidamente do que era imaginado”.

O presidente dos EUA ainda enfatizou que o governo afegão não acatou seu conselho e negociou um acordo político com o Talibã. Além disso, disse que o líder do Afeganistão, Ashraf Ghani, insistiu que as forças afegãs lutariam, mas obviamente estava errado”.

“Os americanos não podem e não deveriam estar morrendo e lutando em uma guerra que os afegãos não querem lutar por si mesmos”, acrescentou.

Biden defendeu também que os EUA conseguiram retirar o risco do grupo terrorista Al-Qaeda — que era aliado do Talibã e esteve por trás dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo o presidente dos EUA, o foco da missão americana era reduzir o risco do terrorismo. No entanto, ele ameaçou uma resposta “devastadora” se o Talibã atacar os interesses americanos, especialmente durante as operações de evacuação em andamento em Cabul.

No caso de um ataque, a resposta será “rápida e poderosa”, alertou, prometendo defender os cidadãos americanos com o “uso devastador da força. “Se necessário, o governo americano conduzirá ações antiterroristas no Afeganistão”.

Biden contou que a crise que se desenrola no Afeganistão é “angustiante” para os veteranos dos EUA que lutaram lá nos últimos 20 anos. Para eles, “isso é profundamente pessoal”.

“É para mim também. Tenho trabalhado nessas questões há tanto tempo quanto qualquer um”, continuou. “De Cabul a Kandahar, falei com o povo. Encontrei-me com os líderes. Falei com nossas tropas”.

Por fim, Biden afirmou que Washington “continuará pressionando pela diplomacia” no Afeganistão e se focará no que é possível, como continuar apoiando o povo afegão, liderar com diplomacia, influência internacional e ajuda humanitária, além de pressionar por diplomacia regional e engajamento para prevenir violência e instabilidade e defender os direitos básicos do povo afegão.

“Tenho sido claro, os direitos humanos devem ser o centro de nossa política externa, mas a maneira de fazer isso não é por meio de incontáveis desdobramentos militares”, concluiu.

O grupo fundamentalista islâmico já governou o Afeganistão de 1996 a 2001, quando foi derrubado pela invasão americana deflagrada pelos atentados de 11 de setembro.

No entanto, apesar de 20 anos de ocupação, os EUA não conseguiram derrotar o Talibã, que reassumiu o controle do país apenas algumas semanas depois da retirada militar americana e da Otan.

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