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Bancos perdem funcionários para escritórios de investimentos

Bancos perdem funcionários para escritórios de investimentos
Foto: Reprodução

Cada vez mais profissionais com carreiras bem-sucedidas em bancos migram para instituições financeiras independentes no Brasil. Hoje o país registra cerca de 4 mil agentes autônomos de investimento, distribuídos em 166 corretoras, que ajudam as pessoas a tomar as decisões mais adequadas na hora de investir dinheiro.

Eles conhecem as regras do mercado financeiro, o risco/retorno das aplicações e exercem o papel de tirar as dúvidas dos clientes sobre o funcionamento das ações, renda fixa, fundos de investimento, fundos imobiliários, derivativos, contratos futuros dentre outros, e sugerem combos de produtos baseados no perfil do cliente.

Em média, a receita de um agente autônomo varia anualmente entre 0,5% e 1% de todo o dinheiro que ele possui sob assessoria. Um profissional bem-sucedido que consiga montar uma carteira de clientes que, juntos, tenham um patrimônio aplicado de R$ 50 milhões, por exemplo, poderá alcançar uma remuneração anual de até R$ 200 mil.

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Níveis de investimentos

95% dos investimentos dos brasileiros se concentram em cinco instituições: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa. Já em outros países, os números são bem diferentes. 90% dos investimentos dos americanos estão em posse de agentes independentes de investimentos financeiros ou Financial Advisor, como também são conhecidos. Enquanto os grandes bancos focam apenas em áreas como crédito ou meios de pagamento.

A Suíça é aqui: quando iremos nos tornar EUA?

Segundo levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), o número de investidores milionários no Brasil cresceu 4,8%, ou seja, 5.385 contas a mais em relação ao ano anterior.

Os 117 mil milionários (em 2016 eram 112.036), atendidos pelo canal de private banking, fecharam 2017 com R$964 bilhões investidos. Esse número representa 36% de todo investimento de pessoas físicas e é estimado que 1% dos brasileiros detenham 44% da riqueza do país.

Essas cifras de investimentos tem feito do Brasil a Suíça da América latina e estimulado o crescimento do número de gerentes de bancos que resolveram lucrar com isso, migrando para Assessorias de Investimento. A carreira está em ascensão e estima que, nos próximos anos, vai se aproximar do número de profissionais existentes nos EUA

Cenário

O momento do mercado é extremamente propício para empresas de assessoria independente. Motivo? As margens de retorno de produtos de investimentos diminuíram muito em função do movimento de baixa da taxa SELIC, referência para retorno de aplicações.

Com esta menor rentabilidade em investimentos, o brasileiro apresentou mudança de comportamento e começou a procurar novas alternativas de investimento a longo prazo.

Deslumbrado com o cenário, nos últimos meses gerentes de bancos resolveram trocar as instituições financeiras por Assessoria de investimentos ligadas a corretoras de valores.

Números

O Brasil registra 3,7 trilhões de reais em volume total de capital de investidores brasileiros. 95% disso está investido através dos bancos e apenas 5% disso está distribuído na indústria independente.

O País regista apenas 4000 AAIs, distribuídos em 166 corretoras independentes. Mas o número vem aumentando a cada mês, devido a oportunidade de mercado. Hoje, apenas 4% dos investidores brasileiros investem vias plataformas abertas. Ainda faltam 96%.

O mercado de AAIs no solo brasileiro foi aberto pela XP, que hoje tem 49% adquirida pelo Banco Itaú, exatamente por entender que o modelo vai seguir as tendências mundiais.

Enquanto isso, o exterior registra 1.300.000 de AAIs. Só nos EUA, 95% da população americana investe através da indústria dos independentes, por considerarem que no setor conseguem encontrar as oportunidades de investimentos mais rentáveis.

O presidente da Associação Brasileira dos Agentes Autônomos de Investimentos, Marcello Giuntini Popoff, que iniciou sua atuação em 2008 no mercado financeiro no Lloyds Bank na Inglaterra e trabalhou como trader na mesa de operações da Gradual Corretora, comemora esse cenário.

Atualmente, sócio fundador da Lifetime Investimentos, é Agente Autônomo de Investimentos certificado pela CVM e PQO BVM&F Bovespa.

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