(ANSA) – O presidente da Síria, Bashar al-Assad, acusou os Estados Unidos de serem os responsáveis pela violação do cessar-fogo em vigor no país, enquanto surgem denúncias de ataques químicos com bombas de fósforo em Aleppo.

De acordo com testemunhas, os ataques ocorreram durante esta madrugada (22). Imagens transmitidas pela ONG Aleppo Media Center mostraram alguns bairros atingidos por clarões causados pelas bombas. O Observatório Nacional para os Direitos Humanos na Síria, com sede em Londres, afirmou que foram feitos 14 ataques em Bustan al Qasr e Kallasa, zona assediada por milícias e alvo de ataques russos e do governo de Assad.

No entanto, em uma entrevista à agência de notícias AP, Assad acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo e afirmou que o ataque ocorrido sábado contra uma base síria em Deir ez Zor pela coalizão internacional liderada pelos norte-americanos foi “intencional”. Assad também aproveitou a entrevista para negar que seu Exército, com o apoio dos russos, teria atingido um comboio humanitário em Aleppo, matando 21 pessoas.

“Tendo tantos fatore externos que são incontroláveis, a guerra continuará e ninguém neste mundo pode dizer por quanto tempo”, comentou Assad, que governa a Síria há 16 anos e, desde 2011, enfrenta uma guerra civil inspirada na Primavera Árabe que pede sua destituição. Devido ao vácuo político, surgiram nestes anos dezenas de grupos e milícias que atuam paralelamente e controlam importantes cidades. A trégua na Síria foi interrompida no dia 19 de setembro, horas antes do bombardeio atingir o comboio humanitário que levava alimentos e suprimentos para a população.

As Forças Armadas da Síria acusaram os rebeldes de não levarem a sério o acordo de cessar-fogo e de terem violado a trégua ao menos 300 vezes. Já a oposição afirma que Assad teria descumprido a trégua 254 vezes desde seu início, em 12 de setembro, graças a uma negociação entre os Estados Unidos e a Rússia.

Além de evitar novas mortes, a trégua tinha como intenção proporcionar uma colaboração entre Washington e Moscou para combater os grupos terroristas na região, como o Estado Islâmico (EI) e Frente al-Nusra.

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