As particularidades da pneumonia decorrente do novo coronavírus

agosto 6, 2020 0 Por Rafael Nicácio
As particularidades da pneumonia decorrente do novo coronavírus

Uma das primeiras menções à síndrome respiratória aguda grave causada pelo Sars-CoV-19, o novo coronavírus, era que se tratava de uma pneumonia de causas desconhecidas.

Desde que a doença se tornou pandêmica, pesquisadores de vários países se debruçaram para descobrir as causas, a maneira como o vírus age no organismo para encontrar formas de tratar e de curar os pacientes.

Tosse seca, febre persistente e falta de ar ou mudança na frequência respiratória, além de enxaqueca e perda de paladar ou olfato são alguns dos sintomas. A pneumonia também apareceu associada ao novo coronavírus, mas nem todos os pacientes a desenvolvem.

O importante é buscar o atendimento adequado com rapidez para facilitar o diagnóstico e que a pessoa receba o tratamento necessário para se recuperar.

Diferentes agentes causadores

Os tipos mais comuns de pneumonia são causados por bactérias, uma delas é a pneumococo, que já possui tratamento eficaz por meio de antibióticos e vacinas. Outros tipos decorrentes de vírus, como o influenza, podem ser evitados com a vacinação. Assim, os médicos conseguem evitar agravamento no quadro do paciente.

Já a pneumonia decorrente da Covid-19 é causada por um vírus que ainda não tem tratamento identificado. Isso dificulta a prevenção.

No caso do Sars-CoV-2, também foi identificada a formação de coágulos que obstruíam a passagem do sangue nos vasos do pulmão. Essa trombose leva à baixa quantidade de oxigênio no sangue em pacientes que não sentem dificuldade para respirar. Por isso, muitos foram tratados com anticoagulantes.

Em uma parcela dos pacientes, a doença evolui de forma mais grave com rapidez, podendo desencadear complicações respiratórias, neurológicas e cardíacas. E ainda há um detalhe: por muitas vezes, demora a ser percebida.

Pneumonia com hipóxia silenciosa

Médicos nos Estados Unidos e no Brasil registraram a hipóxia silenciosa em alguns casos de novo coronavírus. A pessoa não apresenta sintomas, como falta de ar, enquanto ocorre uma diminuição da taxa de oxigênio no sangue arterial ou nos tecidos, o que pode levar à ausência total.

O quadro só é detectado após exames de raio-X ou tomografia computadorizada do tórax indicarem pneumonia avançada.

Alguns especialistas lembraram que isso já foi registrado em outras doenças. De acordo com o artigo do médico Richard Levitan para o The New York Times, a Covid-19 ataca células pulmonares que produzem surfactantes. Eles ajudam os alvéolos a permanecerem abertos entre as respirações, o que mantém o funcionamento normal do pulmão.

Enquanto não houver acúmulo de dióxido de carbono, o paciente não sente falta de ar. No entanto, quando a hipóxia silenciosa evolui rapidamente para insuficiência respiratória, pode levar à morte e isso foi observado em alguns casos do novo coronavírus.

Prevenção e orientação médica

Muitas pessoas ficaram com medo de procurar as unidades médicas. Para facilitar a obtenção do atendimento adequado, a Rede D’Or São Luiz oferece tanto a telemedicina quanto a opção de responder às perguntas de autodiagnóstico no site oficial. Assim, a pessoa terá parâmetros para saber quando é realmente necessário ir até o hospital.

Desde que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a orientação inicial é se prevenir para evitar a contaminação enquanto ainda não há vacina para a doença.

Para isso, as pessoas devem manter distanciamento social, evitando aglomerações; não tocar nos olhos, nariz e boca; usar máscara conforme a indicação adequada no rosto e manter as mãos frequentemente higienizadas com água e sabão ou álcool em gel 70%.

Como as gotículas expelidas por quem está infectado são a principal forma de transmissão, é vital proteger as vias aéreas com o antebraço ao espirrar ou tossir.

Além disso, deve-se limpar superfícies e objetos de uso comum com desinfetante ou álcool 70% e não compartilhar os itens de uso pessoal com ninguém.