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Violência policial ameaça legado dos Jogos, diz Anistia Internacional

Violência policial ameaça legado dos Jogos, diz Anistia Internacional
Foto: Divulgação/EBC
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Poucos meses antes do início das Olimpíadas no Rio de Janeiro, a ONG Anistia Internacional (AI) alerta para o alto risco do aumento de violações aos direitos humanos durante os Jogos. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, dia 2, o Brasil “repete graves erros na política de segurança pública e no uso da força policial, que se tornaram ainda mais explícitos em grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo em 2014”. De acordo com o estudo “A violência não faz parte desse jogo! Risco de violações de direitos humanos nas Olimpíadas Rio 2016”, a estratégia adotada pelo governo ameaça o legado positivo das Olimpíadas no que diz respeito à segurança da cidade e não garante “que os agentes responsáveis por fazer cumprir a lei, especialmente a Polícia, cumpram as leis e normas internacionais sobre o uso da força e armas de fogo”.

A assessora de direitos humanos da AI no Brasil, Renata Neder, lembrou, em entrevista à ANSA, que a realização de mega eventos pode ter impactos negativos nos países que os realizam, como remoções forçadas, restrições dos direitos de manifestação, exploração do trabalho, etc. No Brasil, ainda é identificado o aprofundamento de violações já estruturais, como a violência policial. Segundo ela, se trata de um “problema histórico”, “a Polícia no Rio mata muito e morre muito”. “Sede dos Jogos Panamericanos em 2007 e uma das sedes da Copa, em 2014, parece que as autoridades do Rio não aprenderam com as experiências anteriores para evitar que violações do passado aconteçam de novo”, lamenta.

Além disso, “o Estado fez muito pouco para investigar e responsabilizar esses casos, o que tem como consequência a impunidade, que alimenta esse ciclo, passando uma mensagem de que este comportamento é aceitável”.

Para o diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque, a tática de “atirar primeiro, perguntar depois” colocou o Rio de Janeiro entre as cidades onde a polícia mais mata no mundo. Desde 2009, quando o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas, 2,5 mil pessoas foram mortas em ações policiais somente na cidade.

Segundo dados oficiais, em 2014, quando houve a Copa, foi registrado um aumento de 39,4% no número de mortes em operações policiais em comparação ao ano anterior. “Quando juntamos políticas de segurança pública historicamente falhas, aumento de abusos documentados durante grandes eventos esportivos e falta de investigações conclusivas sobre violações de direitos humanos, temos uma receita para o desastre”, conclui.

Ao menos 65 mil policiais e 20 mil soldados serão deslocados para garantir a segurança dos Jogos, na maior operação do tipo na história do país. Parte do contingente será enviado às favelas e morros, onde já foi registrada uma série de violações dos direitos humanos.

O relatório conclui que “os valores olímpicos de amizade, respeito e solidariedade não estão em consonância com o predominante uso excessivo e desnecessário da força pelas forças de segurança, o que afeta de forma desproporcional os jovens negros moradores de favelas e periferias”. (ANSA)

Rafael Nicácio Editor e repórter do Portal N10. Já trabalhou na Assecom (Assessoria de Comunicação do Governo do RN) e na Ascom (Assessoria de Comunicação da UFRN).
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