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Pesquisadores questionam testes governamentais da fosfoetanolamina

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Pesquisadores questionam testes governamentais da fosfoetanolamina
Durvanei Augusto Maria, biomédico do Instituto Butantã (Foto: Pedro França/Agência Senado)
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Em audiência pública nesta terça-feira (5), pesquisadores que desenvolveram e trabalham com a fosfoetanolamina sintética, substância utilizada na “pílula do câncer”, apontaram possíveis falhas na metodologia das avaliações feitas a pedido do governo. Os primeiros testes financiados pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde para avaliar a segurança e eficácia da “fosfo” mostraram que o conteúdo das cápsulas não é puro e não tem eficácia comprovada contra células cancerígenas.

O objetivo desses testes iniciais foi verificar a composição do produto e testar a capacidade da substância de inibir tumores em testes in vitro, ou seja, feitos com células dentro do laboratório.

O pesquisador de São Carlos (SP) Gilberto Chierice, que desenvolveu a fosfoetanolamina sintética na Universidade de São Paulo (USP), disse que a fórmula e o procedimento utilizados nesses testes estavam errados. “Eu desafiei e continuo desafiando: prove que não funciona. Não vem com historinha de montar dados clínicos. Fizeram uma síntese que não é a nossa”, apontou Chierice.

Doutor em biotecnologia, o pesquisador Marcos Vinícius de Almeida, que é um dos detentores da patente da fosfoetanolamina, também questionou a metodologia utilizada. “Por que começar pelo pior tumor existente e o não mais frequente? O que eu vejo nessa comissão é uma tentativa de achar onde a fosfoetanolamina não funciona e não as evidências de funcionamento”, criticou.

Ele contou que toma a substância há mais de uma década e que a mesma nunca apresentou toxidade, mas condenou a liberação da fosfoetanolamina como suplemento alimentar, proposta defendida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera. “Suplemento não tem avaliação terapêutica. A fosfoetanolamina vai cair em descrédito. Ela tem que ser estudada clinicamente para sabermos se ela cura e qual a porcentagem e quais os tipos de tumor. Eu particularmente acho que ela não cura todos os tipos de tumor. Não é um composto milagroso”, argumentou.

O pesquisador Durvanei Augusto Maria, biomédico do Instituto Butantã, foi outro a apontar inconsistências nos testes financiados pelo governo. “Todos os experimentos que foram realizados não chegaram na mesma curva de concentração que eu utilizei. Então eu não consigo avaliar se um produto é efetivo ou não, se é seguro ou inseguro”, ressaltou.

Relatórios

Ao comentar o resultado dos primeiros relatórios da pesquisa, Jailson Bittencourt de Andrade, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou que a cápsulas têm uma concentração de fosfoetanolamina menor do que era esperado e que somente um dos componentes da cápsula – a monoetanolamina – apresentou capacidade de destruir células tumorais e inibir seu crescimento, ainda que menos potente do que outras terapias já utilizadas. “Esses resultados não são conclusivos, os testes estão em andamento e certamente levarão bom tempo para que tenhamos resultados conclusivos”, sustentou.

Patente e registro

A fosfoetanolamina nunca foi oficialmente testada em humanos e não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela foi distribuída gratuitamente por cerca de 20 anos pela USP de São Carlos a pacientes com câncer. Pessoas que se submeteram ao tratamento alegam terem sido curadas.

Meiruze Sousa Freitas, gerente de toxilogia da Anvisa, ressaltou que os proprietários da patente não apresentaram pedido de registro, e afirmou que não existe embargo ou proibição da Anvisa à fabricação de fosfoetanolamina sintética, desde que a mesma seja submetida aos necessários testes clínicos. “A Anvisa não pode conceder um registro a qualquer produto de forma avulsa, sem que o interessado solicite e cumpra os requerimentos legais”, assinalou.

Em resposta, o pesquisador de São Carlos (SP) Gilberto Chierice, relatou dificuldades para dar entrada no pedido de registro e medo de perder o direito sobre o produto. “Alguém me garante que se eu tivesse entrado com esse pedido eu estaria tranquilo? Nunca foi me dada uma orientação. A única era que Farmaguinhos [Fiocruz] faria tudo dede que eu transferisse a patente”, relatou.

Vaidade

A fase seguinte de teste, que já foi iniciada, é o teste in vivo das substâncias da cápsula, ou seja, em organismos vivos, neste caso em animais de pequeno porte.

Para a coordenadora de Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Marisa Breitenbach, o processo de desenvolvimento da fosfoetanolamina deve continuar a seguir os procedimentos científicos já em andamento e aguardar a liberação pela Anvisa.

Segundo ela, é hora de deixar a vaidade de lado e trabalhar em conjunto no desenvolvimento do medicamento. “É momento de agregar conhecimento, experiência. O assunto é importante, é sério, e a gente precisa se despir da vaidade científica de que o meu dado é o melhor dado. Precisamos nos unir”, avaliou.

Pacientes

Durante o debate, promovido em conjunto pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS), de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), o senador Ivo Cassol (PP-RO) relatou casos de pacientes em que o câncer teria regredido após o uso da “pílula do câncer”. Ele defendeu a sanção do projeto PLC 3/2016 aprovado pelo Senado que garante aos pacientes de câncer o direito de usar a substância, mesmo antes de ela ser registrada e regulamentada pela Anvisa. “Estou convivendo com muitos pacientes que estão fazendo uso da fosfo e o resultado é extraordinário”, afirmou.

Mas Pedro Prata, do Ministério da Saúde, recomendou que as pessoas não façam uso desse composto até que todas as etapas de pesquisa sejam concluídas. “Há relatos de pacientes que se sentem muito melhor após o uso da substância. Temos também relatos de unidades de oncologia de pacientes que apresentaram metástase por terem substituído uma terapia convencional por essa terapia alternativa”, advertiu.

Da Agência Senado

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Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
  • Samuel Tavares

    Aqueles Juízes que negarem o pedido de concessão da FOSFOETANOLAMINA SINTÉTICA fiquem sabendo que se o paciente vir a morrer por conta do câncer todos acharemos que a culpa foi de quem negou o pedido.
    “Ah, mas não sabemos se a substância funciona nem se ela vai fazer mal ao paciente/requerente !”. MAS ISSO NÃO É PROBLEMA SEU, SENHOR JUIZ. ISSO É PROBLEMA DO PACIENTE/REQUERENTE.
    Quer saber qual será o seu problema, seu Juiz ? O seu problema será negar o pedido e a substância vir a funcionar contra o câncer, mas como o pedido foi negado, o paciente morrer da doença ! ESSE SIM SERÁ O SEU PROBLEMA, A SER DEBITADO EM SUA CONSCIÊNCIA. Essa sim será uma conta que o senhor terá que ajustar ‘lá em cima’. E quem tem muitas contas para ajustar ‘lá em cima’ começa por aqui mesmo na terra a sofrer os efeitos dessa carga negativa: tropeços na vida, infelicidades, falta de paz de espírito, intranquilidade, consciência carregada e tudo o mais. Uma vida infeliz, resumidamente.
    E saiba lá Deus onde estará ‘o canceroso já morto’ enviando lá de cima quê tipo de vibração para o Juiz que lhe negou o direito à vida aqui na terra.

    E todos esperamos que nenhum desses juízes, nem ninguém de sua família, venha ter um câncer nem morrer por causa dele. Porque, assim como foi negado ao requerente/paciente a substância, nenhum juiz encontrará outro que lhe conceda a dita substância.

    Finalmente, sobrevindo a morte do paciente/requerente que teve o pedido de concessão da FOSFOETANOLAMINA SINTÉTICA negado, vamos enviar aos Juízes e Desembargadores que negaram o pedido cópia do ATESTADO DE ÓBITO, autenticada em cartório, para que seja emoldurada e colocada em local visível na residência do magistrado, lembrando a eles para quando mandarem emoldurar não deixarem que a moldura do quadro cubra o selo nem o carimbo do notário. Se o câncer for em nós próprios e se por conta dele viermos a morrer, vamos fazer com que nossa família envie aos Juízes e Desembargadores que negaram o pedido a cópia de nossos próprios ATESTADOS DE ÓBITO, nas mesmas condições.

    Esqueceram-se da “hierarquia dos bens jurídicos tutelados” ?
    O que mais vale e o que é mais caro e precioso: o BEM DA VIDA ou o resguardo de uma SIMPLES UNIVERSIDADE e a manutenção de suas estruturas e seu funcionamento ?

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