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Panama Papers: Investigação mundial revela ligação de famosos com offshores

Panama Papers: Investigação mundial revela ligação de famosos com offshores
Foto: Reprodução / G1
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(ANSA) – O WikiLeaks e o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ) relevaram neste domingo (3) milhares de documentos sobre o funcionamento de empresas em paraísos fiscais e quantias enormes de dinheiro pertencentes a políticos, empresários, jogadores de futebol e famosos. O caso já ganhou a imprensa mundial e foi batizado de “Panama Papers”.

De acordo com a investigação, o presidente russo, Vladimir Putin, familiares do líder chinês Xi Jining, o ucraniano Petro Poroshenko, a família real saudita e autoridades da Islândia e do Paquistão estariam entre os beneficiados por offshores criadas por 214 mil empresas. O nome do jogador argentino Lionel Messi e do ator Jackie Chan também aparecem no caso. Entre os italianos, destaca-se o empresário Luca di Montezemolo.

Já no Brasil, os documentos relevam 107 novas offshores ligadas a pessoas citadas na Operação Lava Jato. O caso foi investigado por um ano por cerca de 400 jornalistas em 80 países. Os mais de 11,5 milhões de documentos provêm do sistema da Mossack Fonseca, a quarta maior sociedade offshore do mundo, com sede no Panamá. Os arquivos foram entregues por uma fonte ao jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” e são considerados a maior fuga de informação dos últimos tempos. A ICIJ, em parceria com veículos de mídia do mundo todo, promete lançar as informações gradualmente nos próximos dias.

No Brasil, alguns políticos também foram ligados ao “Panama Papers”. Entre eles, está o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão e o ex-deputado federal João Lyra. Os dados do escritório brasileiro da Mossack Fonseca já haviam sido alvos da operação Lava Jato, em sua 22ª fase, por causa do caso do tríplex do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Porém, o nome de Lula não foi encontrado nos registros da empresa.

Um dos sócios da Mossack, Juan Carlos Varela, está afastado do cargo desde o dia 11 de março deste ano, justamente, para se defender das acusações da Lava Jato e de seu suposto envolvimento com a corrupção na Petrobras. Além de atuar na empresa, Varela é conselheiro da Presidência do Panamá.

A acusação brasileira aponta que a empresa panamenha ajudou brasileiros a criarem contas de fachada para ocultar desvios da estatal e para realizar a lavagem de dinheiro. De acordo com uma reportagem do portal “UOL”, a empreiteira Odebrecht também teria “três contas secretas” gerenciadas pela Mossack.

Futebol

O escândalo do “Panama Papers” também atingiu o mundo do futebol. O argentino Lionel Messi, que já responde a processos na Espanha por uma suposta evasão fiscal, teve seu nome relacionado ao caso. Segundo o jornal “Sport”, os representantes do atleta irão abrir um processo contra o ICIJ pela divulgação.

De acordo com a mídia espanhola, os representantes de Messi abriram uma empresa offshore no Panamá para “blindar” os valores recebidos pelo craque na questão dos direitos de imagem. Outro envolvido no caso é o ex-jogador e ex-presidente da Uefa Michel Platini, que teria aberto uma offshore um ano após ser eleito presidente da entidade europeia.

A Fifa também informou que abriu um procedimento para investigar um dos juízes responsáveis por banir o ex-presidente Joseph Blatter e Platini do futebol. Trata-se do uruguaio Juan Pedro Damiani, que também estaria envolvido no “Panama Papers”. O Comitê de Ética da entidade avalia o caso, segundo a agência de notícias “Associated Press”.

O que são offshores?

Basicamente, uma empresa offshore é aquela que tem sua contabilidade ou sede fiscal em outro país que não o de sua origem. Ou seja, abrir uma empresa deste tipo não é crime e é um dos recursos mais utilizados por marcas que querem pagar menos impostos. Isso porque, geralmente, elas tiram a sede fiscal de um país com uma carga tributária alta e se submetem à legislação mais “branda” de outro. Esses países são os chamados “paraísos fiscais”.

Porém, muitas companhias usam esses “benefícios” para praticar crimes fiscais, como ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro ou para criar “empresas de fachada”. Para se ter uma ideia, na Europa, abrir uma empresa tem um valor na casa de centenas de milhares de euros. Já no Panamá, segundo o portal “El País” são necessários “cerca de 200 euros” para fazer a abertura.

Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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