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“Maluquez Revisitada”: homenagem a Raul Seixas acontece neste sábado (20)

“Maluquez Revisitada”: homenagem a Raul Seixas acontece neste sábado (20)
Foto: Divulgação
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No próximo sábado, 20 de agosto, a cidade de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, será palco do “Maluquez Revisitada“, tradicional tributo ao rei do rock brasileiro, Raul Seixas (28/06/1945 – 21/08/1989), que está em sua 27ª edição.

O evento realizado na arena da Estação Cultural é liderado pelo cover de Raul, Erivan Lima, e conta com a participação da banda Mobydick, Gustavo Cocentino e Blue Mountain, Taxímetro Rockblues e muito mais. A homenagem teve início em 1989 logo após a morte do rockeiro baiano sem grande apoio e com um público modesto.

Com o passar do tempo, a festa conseguiu atrair mais público e ganhar importância, reunindo admiradores de idades diferentes e de várias localidades. O sucesso fez com que a Câmara Municipal de Ceará-mirim aprovasse no dia 19 de junho de 2012 uma lei que estabelece o terceiro sábado de agosto como “Dia Municipal do Tributo a Raul Seixas”, possibilitando apoio do município na realização do evento.

A forma com que a maioria dos fãs chegam ao tributo chega a ser uma alusão à um grande sucesso de Raul Seixas: embarcando no trem, que não vem surgindo de trás das montanhas azuis, mas sim de Natal, capital do RN.

Raul Seixas

Formado em filosofia, Raul Seixas criou na década de 60 a banda The Panters, que tornara sensação de Salvador e se transformou em Raulzito e Os Panteras, tendo em sua formação definitiva além de Raulzito, os integrantes Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba. Encantado com o sucesso da banda, o cantor Jerry Adriani fez um convite para que Raul fosse com ele para o Rio de Janeiro. Convite aceito.

A banda, no entanto, não fez sucesso e os integrantes passaram por sérias dificuldades no Rio. Abalado com o fracasso, o rockeiro retorna para Salvador, onde acaba conhecendo um diretor da CBS, que o convidou para ser produtor da gravadora.

raul-seixas

Em 1972, Raul Seixas decide participar do Festival Internacional da Canção, sendo convencido por Sérgio Sampaio. O cantor compõe duas músicas, “Let Me Sing, Let Me Sing”, defendida pelo próprio Raul e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos. Ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de público. Rapidamente, Raul foi contratado pela gravadora Philips. Na época, ele também se interessa por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e tem o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.

No ano de 1973, Raul consegue um grande sucesso com a música “Ouro de Tolo” no álbum Krig-ha, Bandolo!. A música possui uma letra quase autobiográfica, mas que também debocha da Ditadura e do “Milagre Econômico”. O mesmo LP, continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: “Metamorfose Ambulante”, “Mosca na Sopa” e “Al Capone”. Raul Seixas finalmente alcança grande repercussão nacional, graças a divulgação da imagem do cantor como ícone popular.

Ainda em 1973, Raul resolve homenagear algumas músicas clássicas do rock americano e brasileiro no disco “Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock”. Raul foi, no entanto, proibido pela gravadora de assinar seu nome no disco de covers, pois ela achou que o álbum poderia prejudicar as vendas de Krig-ha, Bandolo!. A solução foi creditar o álbum a uma certa banda chamada Rock Generation, com o nome de Raul presente apenas na contracapa, como diretor de produção. O álbum não teve qualquer tipo de divulgação e acabou inicialmente sendo esquecido nas lojas, porém com os sucessos posteriores de Raul, alcançando grandes vendagens, a gravadora Philips acabou por divulgar melhor o trabalho.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, que trouxe problemas com a Censura. A letra da música “Como Vovó já Dizia” composta pelos dois, teve de ser mudada. Logo no show de lançamento, a polícia apreendeu o gibi/manifesto “A Fundação de Krig-Ha” e o queimou como material subversivo. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Os dois tiveram que se retirar do país e passaram um período em Nova Iorque.

O último álbum lançado foi “A Panela do Diabo”, que foi o resultado de algumas apresentações que fez nas terras tupiniquins. . Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama, por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.

O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira. Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.

Raul Seixas morreu no dia 21 de agosto de 1989, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. Apesar da morte precoce aos 44 anos, os fãs nunca deixaram a memória do rockeiro ser esquecida.

Além dos vários fãs-clubes espalhados em todo o Brasil e dos tributos realizados pelo país, o cantor ainda é lembrado em qualquer evento musical por seus fãs que gritam a famosa pedida “Toca Raul!”, que inclusive virou música de Zeca Baleiro.

Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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