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‘Indignado’, Lula rebate acusação do MPF de que cometeu crime

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‘Indignado’, Lula rebate acusação do MPF de que cometeu crime
Foto: Roberto Parizotti / Cut
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(ANSA) – Em pronunciamento de mais de uma hora realizado no diretório do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, dia 15, que é alvo de perseguição política e que não cometeu nenhum crime.

“Ninguém respeita as leis mais do que eu. Ninguém acredita mais nas instituições mais do que eu. Vou prestar quantos depoimentos for necessário. Eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida por esse país. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso”, disse o ex-presidente.

Chamando o pronunciamento dos procuradores do Ministério Público Federal de “pirotecnia”, Lula afirmou que não falaria como um “ex-presidente, mas sim como um cidadão indignado”.

Sobre a Operação Lava Jato, o ex-líder disse que “se pode mentir para esposa, para o partido, mas não pode mentir para Deus ou para você mesmo”. “Em todas essas denúncias que eu fico vendo, eu tenho a consciência tranquila e mantenho o rumo porque eu reconheço, eu sei de onde vim, eu sei pra onde vou, sei quem está do meu lado e sei quem quer que eu saia”, acrescentou.

Sem citar diretamente, o ex-presidente falou sobre o caso do apartamento triplex no Guarujá (SP), onde ele e sua esposa Marisa Letícia são acusados de lavagem de dinheiro.

“A desgraça de quem conta a primeira mentira é que tem que passar a vida inteira mentindo. Se precisar, peçam desculpa ao ex-presidente, eu vivo pedindo desculpas. Mas, não inventem tanta coisa pra justificar a primeira mentira. Eu só peço uma coisa: respeitem a minha família”, acrescentou.

Ele ainda fez um apelo para “dizer às pessoas sérias do Minitério Público, da Polícia Federal e da Justiça, que eu estou à disposição. Ninguém está acima da lei, mas se eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo, mas como eu não fiz, procurem outro para arranjar problema”.

“Eu não tenho provas, mas tenho convicção de que quem mentiu está em uma enrascada”, disse Lula ironizando a frase do procurador da República Deltan Dallangnol – que afirmou que “não tinha provas, mas convicções” de que Lula era o “comandante máximo” do esquema de corrupção na Petrobras.

Por várias vezes, o ex-mandatário falou sobre o “golpe” sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Aí eles decidiram inventar uma mentira. Em uma noite que o Brasil jamais vai esquecer, uma noite de hipocrisia. Liderado por um cidadão que foi cassado por aqueles que ajudaram a derrubar essa presidente. Eu achava que o Senado era de um nível superior. O Senado se apequenou assim como a Câmara”, acrescentou.

Lula aproveitou para agradecer aos “20 senadores que ficaram com a gente” e que “podem ter perdido uma causa, mas não perderam a vergonha”. “Eles conseguiram dar um golpe tranquilo e pacífico. Eles não precisaram de tanque ou canhão, apesar da violência da polícia… Se eles tratassem ladrão como tratam a molecada que vai pra rua fazer protesto, talvez não tivesse tanto ladrão no país”. Defendendo o PT, Lula ressaltou que se tivesse fracassado “não teria despertado tanto ódio contra” a sigla. Ele ainda aproveitou para relembrar sua trajetória política à frente da nação e disse que não tem “a vocação do Getúlio para me dar um tiro, nem a do Jango para sair do Brasil. Se quiserem me tirar, vai ter que ser na urna”.

Lula destacou que foi no governo do PT que houve o maior fortalecimento das instituições que investigam no Brasil e lembrou da figura do “engavetador da República”, ressaltando que, ao assumir, queria que o procurador-geral passasse a ser indicado por seus pares.

Voltando a falar sobre pirotecnia, disse que em seu governo não quis condenar ninguém antes de ser julgado e condenado pela Justiça. Ele ainda criticou a imprensa e disse que as manchetes dos jornais querem “criminalizar” antes dos processos. Disse que há um movimento que quer destruir o Partido do Trabalhadores “Nós tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção do país.

E isso vale para o PT. Só tem um jeito de não ser condenado nesse país: ser honesto. Ninguém está acima da lei: nem ex-presidente, nem delegado da polícia federal, nem ministro do STF”. “Ontem, eu fui vítima de um momento de indignação. Eu, sinceramente, nunca pensei em passar por isso, nunca. Porque as pessoas prometeram tanto, achincalharam tanto, escreveram tanto, que eu pensei ‘puxa vida, esses caras tem alguém acometeu um crime bárbaro'”, disse.

Ainda afirmou que “não conheço os meninos que fizeram, não sei se tem família como tenho, mas embora não conheça, pelo que tenho de berço.. eu respeitaria mais a família deles do que eles desrespeitaram a minha”, disse emocionado. Voltando a falar sobre o “golpe” contra Dilma, Lula deu um alerta: “vocês vão ter problema com o golpe que vocês deram. Vocês vão ter problema com os trabalhadores do nosso país”. “Eu não tenho de parar. O país que sonho está longe de ser realidade. Não se preocupem com o Lula, gente, é bobagem. Eu não tenho espaço pra ficar triste, gente. Nada, só Deus, pode me fazer parar de ajudar gente”, acrescentou.

Lula, sua esposa, Marisa, e outras seis pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público Federal por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro — em penas que podem ultrapassar os 30 anos de detenção – na última quarta-feira. Segundo o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Força Tarefa da Operação Lava Jato, o ex-mandatário era o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato”.

Para o presidente do PT, Rui Falcão, “embevecido pela própria retórica”, Dallagnol, protagonizou “um grotesco espetáculo midiático que deve envergonhar representantes do Ministério Público não acumpliciados com a farsa de Curitiba”. “O Partido dos Trabalhadores repudia a ação escusa deste indivíduo, cujo libelo, desprovido de provas e politicamente orientado, desrespeita direitos e garantias constitucionais, conspira contra a ordem democrática, estando a exigir providências legais contra sua parcialidade”, concluiu.

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Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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