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“Hipertensão afeta o cérebro”, alerta neurocirurgião

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“Hipertensão afeta o cérebro”, alerta neurocirurgião
Foto: Pixabay
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De acordo com o Ministério da Saúde, 24,8% dos brasileiros sofrem de hipertensão. Dentre esse percentual, 59% possuem mais de 65 anos. “A pressão alta é uma das maiores causas de morte por problemas cardíacos no mundo. Mas o que poucos sabem é que ela também pode contribuir para diversas enfermidades no cérebro”, esclarece o neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Feres Chaddad Neto.

A hipertensão arterial é uma doença crônica que ocorre quando os vasos sanguíneos se contraem mais do que o necessário, o que dificulta a passagem do sangue. Quando os vasos estão estreitados, a pressão sobe. “Por definição médica, o paciente é considerado hipertenso quando sua pressão se encontra, por vários dias, acima de 14 por 9”, explica o médico.

“Geralmente, a enfermidade só apresenta sintomas quando se torna muito grave, com sérias consequências ao corpo, como dores de cabeça, vômito, falta de ar, agitação e visão turva. A pressão alta pode causar infarto, insuficiência cardíaca, angina, insuficiência renal, cegueira, e levar a derrames e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).”

Como sua causa não é possível ser completamente estabelecida, o neurocirurgião atenta sobre os fatores de risco e a importância de preveni-los. “O histórico familiar, maus hábitos alimentares, tabagismo e excesso no consumo de álcool são alguns dos motivos que podem levar à hipertensão. Além disso, para evitar o aumento da pressão, é necessário reduzir a ingestão de alimentos com muito sódio, principalmente enlatados e utraprocessados (como macarrão instantâneo, refrigerantes, biscoitos e salgadinhos) e praticar regularmente atividade física.”

Além dessas causas, o médico aponta que a pressão também tende a aumentar em situações de estresse. “Com o corpo agitado e em estado de alerta, os batimentos cardíacos aumentam e o coração bombeia mais sangue para os músculos, o que aumenta a pressão na parede das artérias.”

O aumento da pressão arterial pode ser uma das causas de diversas complicações no cérebro. “Quando a pressão está alta, as artérias cerebrais ficam mais enrijecidas, podendo causar um AVC. A arteriosclerose e a demência vascular também podem ser ocasionadas pela hipertensão.” O médico elenca, a seguir, mais detalhes sobre cada uma dessas possíveis afecções.

Acidente Vascular Cerebral (AVC): Além da hipertensão arterial, o colesterol elevado, fumo, diabetes, histórico familiar, ingestão de álcool, vida sedentária, excesso de peso e estresse são considerados fatores de risco. O AVC pode ser decorrente de lesões cerebrais relacionadas a patologias que acometem artérias e veias. O AVC pode ser prevenido com o controle da hipertensão, do tabagismo, das dislipidemias (ou seja, alterações do metabolismo que geram aumento do colesterol total e do ruim, diminuição do colesterol bom e aumento das triglicérides) e com a realização de atividades esportivas. No entanto, doenças específicas como os aneurismas intracranianos devem ser pesquisados nos familiares de pacientes que tenham uma história da doença envolvendo parentes de primeiro grau.

Arteriosclerose: é uma doença degenerativa da artéria ocasionada pela destruição das fibras musculares lisas e das fibras elásticas que a constituem, levando a um endurecimento da parede arterial. A hipertensão arterial de longa duração e sem tratamento adequado e o aumento da idade são as principais causas. A pressão alta provoca alterações na superfície interna das artérias, facilitando a penetração das gorduras na parede arterial. Na arteriosclerose, há um depósito de gordura, cálcio e outras substâncias na parede das artérias, o que faz com que elas se estreitem e os tecidos irrigados por elas sofram um déficit, ou seja, ocorre uma isquemia (falta de sangue). Pessoas acima de 50 anos e hipertensas devem fazer consultas regulares ao cardiologista e ao neurologista, especialmente se sentirem dor no peito e nas pernas e dormência em algum membro. O diagnóstico precoce e o tratamento correto podem impedir o agravamento da arteriosclerose e prevenir um ataque cardíaco, derrame ou outra emergência médica.

Demência Vascular: depois do Alzheimer, esta é uma das causas mais comuns de demência. Ela é caracterizada por múltiplas isquemias (diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea, numa parte do organismo, ocasionada por obstrução arterial ou por vasoconstrição), que vão ocorrendo no cérebro ao longo da vida do indivíduo. Essas isquemias vão se somando e causam uma diminuição na competência cognitiva. As sequelas variam de acordo com a gravidade dos acidentes vasculares cerebrais. Pode haver paralisia, indisposição, esquecimentos e incapacidade de desenvolver tarefas do dia a dia. O tratamento é necessário para prevenir outros acidentes vasculares. Geralmente, também são indicados medicamentos para aliviar a inquietude, depressão e distúrbios do sono, que podem acompanhar a demência. O acompanhamento das famílias é extremamente importante, já que muitos pacientes ficam dependentes de cuidados.

O neurocirurgião alerta que “a hipertensão é uma doença silenciosa grave e que pode matar, por isso é indispensável buscar uma vida mais saudável, praticar exercícios físicos regulares, criar uma rotina de alimentação equilibrada e fazer exames periódicos”.

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Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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